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Doação de múltiplos órgãos em Patos (PB) retira cinco pacientes da fila de espera

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A group of surgeons operates in a hospital's sterile environment, focusing on a complex procedure.
A group of surgeons operates in a hospital's sterile environment, focusing on a complex procedure. Foto: Jonathan Borba — Pexels License (livre para uso)

Na manhã de terça-feira, 07 de abril de 2026, o Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, localizado em Patos, no Sertão da Paraíba, registrou a sétima doação de múltiplos órgãos do ano no estado. O procedimento foi realizado após a confirmação da morte encefálica de uma paciente de 28 anos, natural do município paraibano de Desterro, que foi vítima de um edema cerebral em decorrência de um acidente de motocicleta. A autorização da família permitiu a captação de fígado, rins e córneas, o que possibilitará a mudança de vida para cinco pessoas que aguardavam por um transplante.

De acordo com informações do Governo da Paraíba, a doadora estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade hospitalar desde o dia dois de abril. Após a evolução para o quadro de morte encefálica, a equipe médica seguiu um rigoroso protocolo legal e técnico para a confirmação da irreversibilidade da condição. Diante do diagnóstico final, os familiares optaram por realizar a doação, atendendo a uma vontade expressada pela própria jovem em conversas anteriores.

Quais órgãos foram captados e como foi o processo em Patos?

A operação de captação envolveu uma logística coordenada pela Central Estadual de Transplantes da Paraíba. No total, foram coletados o fígado, dois rins e duas córneas. Antes do encaminhamento dos órgãos para os receptores compatíveis, os funcionários do Hospital de Patos realizaram um cortejo em homenagem à doadora e aos seus familiares, um gesto de reconhecimento pela solidariedade demonstrada no momento de luto. Maria do Socorro, mãe da jovem, relatou que a filha sempre manifestou o desejo de ajudar o próximo.

Ela sempre teve esse coração bom, sempre pensou nos outros. Quando ela falou sobre isso comigo, eu jamais imaginei que um dia teria que tomar essa decisão. Mas eu sabia que era o que ela queria. É muito difícil, mas conforta saber que ela continuará ajudando outras pessoas através deste gesto.

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Qual é a importância da conscientização para a doação de órgãos?

A diretora da Central de Transplantes, Rafaela Dias, enfatizou que o gesto da família é fundamental para reduzir as listas de espera e fortalecer a cultura de doação na sociedade paraibana. Segundo a gestora, cada doação representa uma nova oportunidade de sobrevivência e melhoria na qualidade de vida para pacientes que sofrem com doenças crônicas ou falências de órgãos. Dias ressaltou que a decisão da família, mesmo em meio à dor profunda, é um ato de grandeza que transforma a perda em esperança.

Atualmente, o cenário dos transplantes no estado apresenta números significativos de pacientes aguardando por procedimentos. A lista de espera na Paraíba é composta pelos seguintes dados oficiais:

  • Córneas: 638 pessoas aguardando;
  • Rim: 176 pacientes na fila;
  • Fígado: 30 pessoas necessitando do órgão;
  • Coração: dois pacientes em espera.

Como está estruturada a rede de transplantes na Paraíba?

O registro no Hospital Deputado Jandhuy Carneiro marca a segunda doação de múltiplos órgãos realizada especificamente nesta unidade em 2026. A rede estadual de saúde busca descentralizar as captações, permitindo que hospitais do interior do estado, como o de Patos, contribuam ativamente para o sistema nacional de transplantes. O fortalecimento desta rede depende tanto da infraestrutura hospitalar quanto do treinamento de equipes para o acolhimento familiar e a execução dos protocolos de morte encefálica.

Com um total de 846 pessoas ainda em busca de um doador compatível no estado, as autoridades de saúde reiteram que o passo mais importante para quem deseja ser doador é informar a própria família sobre essa decisão. No Brasil, a doação de órgãos pós-morte só ocorre mediante a autorização expressa dos parentes próximos, o que torna o diálogo em vida essencial para o sucesso do sistema de transplantes, que é coordenado nacionalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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