A Diana Shipping afirmou que vai intensificar a disputa pela compra da Genco Shipping & Trading depois que sua proposta revisada foi rejeitada pela segunda vez. O movimento foi relatado em 23 de março de 2026 e envolve a tentativa da empresa grega, que já detém quase 15% da Genco, de avançar com uma oferta em dinheiro de US$ 23,50 por ação pela companhia listada nos Estados Unidos. De acordo com informações do Splash247, o embate se intensificou após a Diana acusar o conselho da Genco de rejeitar a proposta sem um engajamento significativo.
Segundo a Diana, a oferta estava totalmente financiada e contava com o apoio da parceira Star Bulk. A empresa também contestou a avaliação feita pela Genco sobre a estrutura de financiamento, afirmando que houve caracterização incorreta da operação. De acordo com a companhia sediada em Atenas, uma dívida de aquisição comprometida de US$ 1,102 bilhão, por si só, seria suficiente para concluir o negócio, enquanto financiamentos adicionais não estariam ligados diretamente à transação.
A disputa ocorre no setor de granéis secos, responsável pelo transporte marítimo de cargas como minério de ferro, carvão e grãos. Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de soja e minério de ferro, mudanças relevantes entre grandes armadores desse mercado podem influenciar o frete marítimo internacional e a logística de exportação.
Por que a proposta da Diana Shipping foi rejeitada novamente?
A Genco manteve sua posição e reiterou que a proposta não reflete o valor intrínseco da empresa nem oferece um prêmio de controle considerado adequado. A resistência já havia sido sinalizada no início de março de 2026, quando o conselho da companhia informou que não via a oferta como compatível com o valor subjacente do negócio.
A diretora-executiva da Diana, Semiramis Paliou, criticou a postura do conselho da Genco e afirmou que os administradores estariam mais focados em se manter no comando do que em discutir uma oferta que, segundo ela, embute prêmio e está alinhada ao valor patrimonial líquido da empresa.
Em tradução livre, Paliou afirmou que, “portanto, não temos outra escolha senão seguir com nosso esforço para eleger para o conselho da Genco diretores independentes que atuem no melhor interesse de todos os acionistas, explorando oportunidades relevantes de criação de valor”.
Qual é o principal ponto de divergência entre as empresas?
Um dos focos da divergência está no papel da Star Bulk e em um plano para vender parte das embarcações envolvidas. A Diana sustentou que esse aspecto não afeta os acionistas da Genco nem compromete a segurança do fechamento da operação. Ainda assim, o tema se tornou um dos pontos sensíveis no confronto entre as duas companhias do setor de granéis secos.
Do lado da Genco, a sinalização foi de que ainda existe espaço para conversas, desde que uma nova proposta reflita melhor o potencial de valorização da empresa. Ou seja, apesar da nova recusa, a porta não foi totalmente fechada para uma negociação futura.
O que deve acontecer a partir de agora?
Com nenhuma das partes demonstrando recuo, a disputa caminha para uma batalha de conselho. A Diana informou que pretende seguir com uma campanha por procurações para eleger diretores independentes para o conselho da Genco, iniciativa que, segundo o texto original, já havia sido revelada em janeiro de 2026.
Até aqui, os principais pontos do impasse são:
- oferta em dinheiro de US$ 23,50 por ação;
- participação de quase 15% da Diana na Genco;
- segunda rejeição formal da proposta pela Genco;
- discordância sobre o valor intrínseco da companhia;
- debate sobre a estrutura de financiamento e o papel da Star Bulk;
- intenção da Diana de avançar com campanha para mudar o conselho.
O caso expõe uma disputa societária em escalada no transporte marítimo de carga seca, com a compradora pressionando por abertura a negociações e a empresa-alvo sustentando que a proposta apresentada continua abaixo do que considera adequado para seus acionistas.


