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Defesa nega ligação entre repasses de agência de Lulinha e Careca do INSS

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Defesa nega ligação entre repasses de agência de Lulinha e Careca do INSS
Foto por Monstera Production via Pexels

A defesa da empresária Roberta Luchsinger solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apuração de vazamento de informações sobre pagamentos dela a uma agência de viagens utilizada por Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os advogados sustentam que os repasses foram anteriores ao recebimento de valores do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e negam qualquer relação com desvios no Instituto Nacional do Seguro Social, autarquia federal responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários.

De acordo com informações do Estadão, a petição foi enviada ao ministro André Mendonça, do STF, responsável pela investigação. Os dados financeiros apresentados pela defesa mostram que os pagamentos à agência de viagens Vulcano ocorreram até junho de 2024, enquanto, segundo a própria defesa, o primeiro repasse do Careca do INSS só foi registrado em novembro de 2024.

O que revelou o relatório da Polícia Federal?

O relatório da Polícia Federal, cujo teor foi revelado pelo Estadão na quarta-feira, 18 de março de 2026, investiga se recursos pagos pelo Careca do INSS a Roberta Luchsinger foram utilizados para custear viagens de Lulinha. O documento cita pagamentos de R$ 641 mil dela à agência Vulcano e indica que o e-mail do proprietário da agência, Daniel Peluso, aparece no sistema de tráfego aéreo da PF vinculado à emissão de passagens nacionais e internacionais do filho do presidente.

“Os pagamentos eram realizados pela RL CONSULTORIA, com recursos recebidos do investigado, durante as fraudes bilionárias dos descontos associativos do INSS, com destaque para o fato do e-mail de DANIEL PELUSO (…) estar vinculado aos dados cadastrais de LULINHA em trechos de viagens nacionais e internacionais”

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O relatório também aponta que o e-mail direto de Roberta Luchsinger aparece no cadastro de Lulinha, o que, segundo a investigação, representa indícios de que ela teria emitido passagens para o filho do presidente. O UOL também noticiou o caso.

Qual é a argumentação da defesa?

Os advogados de Roberta Luchsinger criticam duramente a análise da Polícia Federal, afirmando que o relatório foi produzido “de forma atécnica e enviesada” com o objetivo de incriminá-la. A defesa considera a cronologia dos fatos fundamental para sua tese.

“Se por um lado seria absolutamente risível a tese de que se tentou ‘lavar dinheiro’ por meio de viagens ao exterior – o que representaria a fruição do valor e não sua circulação para fins de ocultação ou dissimulação – por outro, vê-se que a premissa adotada no relatório e vazada à imprensa é absolutamente falsa”

A petição sustenta que o relatório parte de uma “premissa falsa” ao afirmar que os gastos com a agência de viagem não coincidem com o período em que Roberta foi remunerada por sua prestação de serviços ao Careca do INSS.

Quais são as alegações sobre irregularidades na investigação?

Além de contestar o conteúdo técnico do relatório, a defesa também questiona a conduta dos investigadores. Os advogados afirmam que um dos autores do relatório foi o mesmo responsável por cumprir a busca e apreensão na residência de Roberta Luchsinger em dezembro, ocasião em que teria adotado “postura absolutamente inadequada”.

A defesa não detalhou especificamente qual foi essa postura inadequada, mas argumenta que tal circunstância reforça a necessidade de apuração rigorosa sobre a origem e a dinâmica dos vazamentos de informações, diante dos “graves prejuízos causados à regularidade da investigação e às garantias constitucionais”.

O que está em jogo na investigação?

A investigação faz parte de um inquérito maior sobre fraudes bilionárias relacionadas aos descontos associativos do INSS, atribuídas a Antônio Camilo Antunes. O caso ganhou repercussão nacional por envolver, ainda que indiretamente, o filho do presidente da República.

A cronologia apresentada pela defesa busca demonstrar que não há nexo entre os recursos suspeitos do esquema investigado e os pagamentos à agência de viagens. O pedido de apuração dos vazamentos também mostra a estratégia da defesa de questionar não apenas o conteúdo da apuração, mas também os procedimentos adotados ao longo da investigação.

Fontes consultadas

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