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Datacenters de IA elevam estimativa de emissões de carbono no Reino Unido

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O governo do Reino Unido revisou para cima sua estimativa sobre o impacto climático dos datacenters de inteligência artificial, após reconhecer que havia subestimado de forma ampla as emissões de carbono associadas à expansão dessa infraestrutura no país. Segundo os dados atualizados, publicados nesta semana, o uso de energia por datacenters de IA no território britânico pode provocar a emissão de até 123 milhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo dos próximos dez anos. De acordo com informações do Guardian Environment, a revisão aumentou as preocupações sobre o peso energético da IA em meio à crise climática.

A nova projeção substitui uma estimativa anterior, posteriormente removida, que afirmava que as emissões chegariam a um máximo de 0,142 milhão de toneladas de CO₂ em um único ano. O novo cálculo passou a indicar uma faixa muito mais ampla e elevada, entre 34 milhões e 123 milhões de toneladas de CO₂ no período de 2025 a 2035, o equivalente a cerca de 0,9% a 3,4% das emissões totais projetadas do Reino Unido nesse intervalo.

O que mudou na estimativa oficial?

A revisão foi incluída no “compute roadmap” do Reino Unido, documento que detalha o plano do governo para construir um ecossistema de computação voltado ao desenvolvimento de inteligência artificial. O objetivo é apoiar a estratégia oficial de crescimento econômico baseada nessa tecnologia. No entanto, os datacenters usados para IA exigem volumes muito elevados de eletricidade para operar, acima do consumo de centros de dados convencionais destinados ao armazenamento de informações online.

Segundo o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia, a faixa menor da nova estimativa dependeria de avanços em eficiência dos modelos e do hardware de IA, além de uma descarbonização mais rápida da rede elétrica britânica. Ainda assim, os dados reforçam o debate sobre o custo ambiental da expansão acelerada desse setor, especialmente porque grande parte da eletricidade consumida continua associada a fontes fósseis.

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Quem questionou os números anteriores?

A mudança ocorreu após questionamentos sobre os cálculos originais. O Guardian relata que a revisão feita por autoridades do departamento foi inicialmente noticiada pela Politico, depois de uma investigação da organização independente Foxglove e do site Carbon Brief apontar que as projeções anteriores pareciam subestimadas de forma significativa.

Patrick Galey, chefe de investigações da campanha climática Global Witness, criticou a direção adotada.

“We have a handful of years until our carbon budget is exhausted.”

Em outra declaração reproduzida pelo texto original, Galey afirmou:

“To waste what little bandwidth we have left – when 750 million people worldwide lack access to electricity – assisting some of the richest men ever to hone their plagiarism bots would be a historic idiocy that future generations are unlikely to forgive today’s leaders for.”

Qual é o impacto climático apontado pelos críticos?

Tim Squirrell, chefe de estratégia da Foxglove, também contestou a compatibilidade entre a meta climática britânica e a expansão da infraestrutura de IA. Segundo ele, o Reino Unido tem compromisso legal de alcançar emissões líquidas zero até 2050, o que entra em tensão com a aposta acelerada em datacenters de grande escala.

No texto, Squirrell declarou:

“The government has a legally binding commitment to reach net zero by 2050. This already sat awkwardly alongside its hell-for-leather embrace of a hyperscale AI datacentre buildout, which unchecked could double the electricity consumption of the entire country.”

Ele acrescentou:

“The situation has now been revealed to be much, much worse, given the fact the government doesn’t seem to have done even the most basic arithmetic needed to measure the potential new carbon emissions of these datacentres.”

Quais são os principais pontos da revisão?

  • Nova faixa estimada de emissões: 34 milhões a 123 milhões de toneladas de CO₂ entre 2025 e 2035
  • Estimativa anterior removida: máximo de 0,142 milhão de toneladas de CO₂ em um ano
  • Participação nas emissões projetadas do Reino Unido: entre 0,9% e 3,4%
  • Condição para cenário menos severo: maior eficiência tecnológica e descarbonização mais rápida da rede elétrica

O governo britânico, segundo a reportagem, recusou-se a comentar oficialmente o tema. A revisão, porém, amplia a pressão sobre autoridades e empresas do setor de tecnologia num momento em que cresce o debate sobre os custos energéticos da inteligência artificial e seus efeitos sobre as metas climáticas.

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