A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) gerou forte repercussão nas redes sociais após discursar no plenário do Senado Federal, na última sexta-feira (24), expressando o desejo de que a parlamentar governista Leila Barros (PDT-DF) seja reeleita em 2026. A declaração causou desconforto imediato na base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma vez que a disputa pelas vagas do Distrito Federal envolve diretamente aliadas do mesmo campo político. De acordo com informações da Revista Fórum, a fala precisou ser rapidamente contornada pela própria ex-ministra após a reação negativa de seus eleitores.
Durante o pronunciamento oficial, a parlamentar fez elogios diretos à colega legislativa, que atualmente integra a base de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio ressalta a complexidade das articulações políticas no Distrito Federal para o próximo ciclo eleitoral, onde as cadeiras legislativas serão disputadas em um cenário de intensa polarização e reestruturação partidária.
Por que a declaração da senadora gerou atrito político?
O sistema eleitoral brasileiro determinará a renovação de dois terços do Senado nas eleições de 2026, o que significa que haverá duas vagas disponíveis para cada unidade federativa. O campo conservador no Distrito Federal já possui pré-candidaturas prioritárias mapeadas para o pleito, o que torna a matemática eleitoral altamente competitiva entre os aliados.
Os principais fatores que explicam a crise gerada pela declaração incluem:
- A intenção prévia do Partido Liberal de lançar uma chapa majoritária com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis.
- A impossibilidade matemática de eleger Leila Barros, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis simultaneamente para apenas duas vagas disponíveis.
- O perfil ideológico de Leila Barros, vista pelos apoiadores conservadores como uma parlamentar de um espectro político antagônico às suas diretrizes.
No plenário, a ex-ministra foi enfática ao se dirigir à parlamentar do PDT.
Eu queria muito que a Leila estivesse sentada nesta cadeira no ano que vem, ao meu lado. Vou ficar aqui por mais cinco anos, Leila
, afirmou a senadora, lembrando que seu próprio mandato se encerra apenas em 2030. Ela acrescentou em seguida:
E eu queria muito continuar compartilhando esta mesa com você.
Como Damares Alves reagiu após a repercussão do caso?
O impacto do discurso no plenário foi imediato, com o trecho em vídeo da sessão circulando intensamente na segunda-feira (27) em diversas plataformas digitais. Usuários e militantes classificaram a postura como uma grave contradição em relação às diretrizes da oposição ao atual governo federal, expressando indignação pelo apoio velado a uma integrante do campo progressista.
Diante do avanço da repercussão negativa, a parlamentar utilizou sua conta oficial na rede social X para realizar uma retratação pública na tarde de segunda-feira.
Gente, houve algum mal-entendido. Minhas pré-candidatas ao Senado pelo DF são Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Estamos juntas, por Brasília e pelo Brasil
, publicou a legisladora, na tentativa de reafirmar seu alinhamento irrestrito com o bloco conservador e acalmar as tensões locais.
Houve outros elogios recentes a parlamentares governistas?
A situação resgatou na memória política um episódio semelhante ocorrido em dezembro do ano anterior. Na ocasião, a ex-ministra também proferiu palavras de admiração e respeito mútuo em direção à senadora Eliziane Gama (PSD-MA), outra figura fundamental na base de apoio de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional.
Durante uma sessão solene na época, o foco do discurso foi a convergência religiosa, apesar das divergências partidárias estruturais que dividem o parlamento.
Eu acho que todos vocês viram aqui um testemunho do que é ser crente, do que é ser cristão. Eu e Eliziane, a gente realmente está em lados opostos na política
, declarou. A senadora enfatizou as dificuldades de conciliar a fé e o exercício diário do poder legislativo, ressaltando o respeito institucional e pessoal construído com a colega mesmo em meio a embates políticos cotidianos. O episódio reforça como dinâmicas interpessoais muitas vezes se cruzam com o pragmatismo das alianças de poder.