Dados de inventário ganham valor estratégico para operadoras de telecomunicações - Brasileira.News
Início Segmentos de Tecnologia Dados de inventário ganham valor estratégico para operadoras de telecomunicações

Dados de inventário ganham valor estratégico para operadoras de telecomunicações

0
6

Dados de inventário de rede, por décadas tratados como um recurso operacional básico pelas operadoras de telecomunicações, passaram a ser vistos como um ativo estratégico em meio ao avanço da inteligência artificial e à necessidade de melhorar planejamento, eficiência e atendimento ao cliente. A mudança de percepção foi detalhada por Luke Sullivan, chefe global de pré-vendas para telecomunicações da VertiGIS, em entrevista publicada em 14 de abril de 2026. De acordo com informações da Total Telecom, o uso mais granular desses dados pode ajudar operadoras a entender melhor o valor de suas redes e a forma como os serviços são entregues.

Segundo Sullivan, o inventário continua sendo um tema pouco atraente à primeira vista, mas seu detalhamento passou a ter impacto direto sobre a compreensão da rede, seu uso e a entrega de serviços a clientes individuais. Na avaliação dele, a transformação atual ocorre porque as teles começaram, enfim, a explorar de forma prática dados que já possuíam há muito tempo.

Por que os dados de inventário passaram a ser vistos como estratégicos?

Historicamente, os sistemas de inventário foram criados para registrar qual infraestrutura existia e onde ela estava instalada, com foco limitado no uso posterior dessas informações. Sullivan afirma que, em muitos casos, esses dados só eram consultados quando surgia algum problema na rede, o que restringia seu potencial para decisões mais amplas.

“Fundamentally, inventory is still boring,” he joked. “But what’s exciting is that understanding inventory on a more granular level means that you have a much better appreciation of the value of your network, how it’s used, and how you can deliver services to individual customers.”

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Ele também observou que, durante a implantação de redes, a prioridade das operadoras costuma ser a velocidade de construção. Como consequência, fragilidades no inventário muitas vezes só aparecem quando algo dá errado. Nesses casos, o reconhecimento do valor que esses dados poderiam ter gerado pode levar anos.

Com os avanços recentes da inteligência artificial, esse processo passou a ser reavaliado. A expectativa, segundo a entrevista, é combinar redução de custos operacionais com ganhos competitivos obtidos por meio de serviços mais eficientes e melhor experiência para o cliente.

Como a inteligência artificial pode ser aplicada nesse processo?

Um dos usos mais relevantes citados por Sullivan é a validação do inventário. Antes, essa etapa podia exigir visitas de campo para identificar fisicamente a infraestrutura instalada, num processo demorado e sujeito a erros. Com IA, engenheiros podem documentar implantações por meio da análise automática de imagens e vídeos, comparando os resultados com documentos de planejamento.

“AI can help field engineers document deployments by automatically analysing and categorising images and video. Then, it can take the results and compare them to planning documents, flag discrepancies, and adjust the network accordingly.”

Na descrição do executivo, tarefas antes semimanuais ou dependentes de validação adicional passaram a ser automatizadas, o que reduz tempo e esforço operacional. Esse ganho, porém, depende diretamente da qualidade dos dados disponíveis nos sistemas de inventário.

Quais são os principais obstáculos para esse uso avançado dos dados?

Sullivan destaca que redes mais antigas costumam sofrer com informações incompletas ou ausentes, o que pode atrasar os resultados esperados com a adoção de IA. Se os dados do inventário estiverem incorretos, as decisões produzidas por ferramentas automatizadas também tenderão a ser equivocadas.

“One of the fundamental issues is if the data in the inventory system is incomplete or incorrect, then any decisions an AI tool is going to make are also going to be incorrect,” he said. “Both humans and AI can only work with the information in front of them.”

Além do problema da baixa qualidade dos dados, o setor enfrenta outro entrave: a existência de bases boas, mas pouco aproveitadas. De acordo com Sullivan, muitos sistemas legados reúnem conjuntos de dados adequados, porém sem capacidade de integração, automação ou análise avançada. Isso faz com que informações relevantes permaneçam isoladas ou de difícil acesso.

Como resposta, ele defende a consolidação dessas bases em um ambiente unificado baseado em Sistema de Informação Geográfica, ou GIS, que funcione como uma fonte única de verdade para modelagem, planejamento e operação da rede. Na entrevista, ele cita o ConnectMaster, da VertiGIS, como exemplo desse tipo de abordagem, com integração a sistemas existentes por meio de APIs e foco em arquitetura em nuvem.

O que muda para as operadoras daqui em diante?

Na avaliação de Sullivan, o futuro dos sistemas de inventário e GIS depende de tornar os dados de infraestrutura não apenas acessíveis, mas também acionáveis. Isso exigiria não só tecnologia, mas uma mudança de mentalidade nas operadoras, que precisariam pensar menos em simples coleta de dados e mais em extração de valor para planejamento e operação.

Os principais pontos destacados na entrevista foram:

  • uso mais granular dos dados de rede;
  • automação da validação de infraestrutura com IA;
  • necessidade de corrigir dados incompletos ou incorretos;
  • integração de bases dispersas em um sistema unificado;
  • aproveitamento dos dados para planejamento, operação e evolução da rede.

O texto original também informa que a VertiGIS participa da FTTH Conference 2026, realizada de 14 a 16 de abril de 2026, em Londres, onde discute o papel do inventário de rede no planejamento de redes de fibra, nas operações e em fluxos de trabalho habilitados por inteligência artificial.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here