O curta-metragem “Me desculpa, Nathan”, desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Faetec Adolpho Bloch, estreou com sucesso no Cine Estação, localizado no Rio de Janeiro. A sessão lotada simboliza a relevância do tema abordado pelo filme, que trata da precarização do trabalho no Brasil, especialmente em relação às mães solo. De acordo com informações da Revista Fórum, a produção foi realizada sem apoio financeiro oficial, sendo financiada pela equipe de produção que vendeu brigadeiros para custear os gastos, exemplificando o cinema de guerrilha.
Dirigido por Kauã Pereira, o filme narra a história de Thamires, uma mãe solo interpretada por Isabele Brum, que enfrenta uma rotina exaustiva de trabalho de segunda a sábado, conseguindo dedicar tempo ao filho Nathan, vivido por Yan Calebe, apenas aos domingos. O curta aborda o impacto emocional dessas ausências, apontando críticas a um sistema que priva famílias, especialmente as periféricas, de um tempo de convivência maior.
Como foi realizada a produção do curta-metragem?
“Me desculpa, Nathan” foi produzido sem qualquer financiamento público ou privado. A equipe envolvida optou por uma abordagem criativa para angariar fundos, vendendo brigadeiros, uma característica do cinema de guerrilha. Essa forma de financiar o projeto reflete a essência do curta, que destaca a realidade e os desafios enfrentados pelas mães solo no Brasil.
A fotografia do filme, assinada por Bruno Yele e Matheus Ferreira, junto à trilha sonora de FBC, Ogoin e Linguini, contribuiu para pontuar os desafios urbanos enfrentados pela protagonista. A montagem e finalização ficaram a cargo de Matheus Ferreira e Sara Abbade, garantindo o impacto emocional durante a exibição.
Qual foi a recepção do público?
A estreia de “Me desculpa, Nathan” no Cine Estação contou com a presença de cem pessoas, destacando a importância do filme como um manifesto sobre as condições de trabalho no país. A recepção positiva evidencia o interesse e necessidade de discussão sobre temas como a escala 6×1 e seus impactos na vida das mães solo.
A produção do curta não só surpreendeu pelo aspecto técnico, dado seu orçamento limitado, mas também pela relevância e urgência de seu tema, refletindo as dificuldades e lutas cotidianas das mulheres que equilibram paternidade e trabalho em meio a condições desafiadoras.