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Crise de energia: IEA pede home office e menos voos após conflito com o Irã

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Pessoa trabalhando em um laptop em mesa doméstica com iluminação reduzida, simbolizando economia de energia.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

A Agência Internacional de Energia (IEA) afirmou que medidas voltadas apenas à oferta não são suficientes para compensar a crise energética desencadeada pelo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Em relatório divulgado em 20 de março de 2026, a agência defendeu ações imediatas para reduzir a demanda por energia, com recomendações a governos, empresas e famílias, como ampliar o trabalho remoto, compartilhar carros e evitar viagens aéreas quando houver alternativas. De acordo com informações da Earth.Org, a avaliação é de que a interrupção no mercado de petróleo atingiu uma escala que não pode ser resolvida apenas com liberação de estoques emergenciais.

Para o Brasil, oscilações no preço internacional do petróleo têm impacto direto sobre combustíveis, frete e inflação, além de afetarem custos de setores como aviação, transporte rodoviário e gás de cozinha. Embora o país também seja produtor de petróleo, os preços internos seguem sendo influenciados pelo mercado internacional.

Segundo a IEA, o conflito se espalhou rapidamente para outros países do Oriente Médio e provocou a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo. O relatório afirma que o Irã bloqueou efetivamente o tráfego no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo do mundo. Entre 20% e 25% da oferta global costuma passar pelo local, o que torna a passagem um ponto crítico para o abastecimento energético internacional.

Por que a IEA diz que a crise não pode ser resolvida apenas pelo lado da oferta?

De acordo com a agência, o fechamento da rota elevou o preço do petróleo bruto para mais de US$ 100 por barril e pressionou ainda mais os preços de produtos refinados, como diesel, combustível de aviação e gás liquefeito de petróleo, o GLP. Para tentar aliviar esse impacto, os países-membros da IEA, entre eles Estados Unidos, Reino Unido e Japão, concordaram em liberar 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais.

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Ainda assim, a agência ressaltou que as medidas pelo lado da oferta, sozinhas, não conseguem compensar totalmente a dimensão da ruptura. Por isso, o relatório recomenda uma resposta também focada na redução do consumo, com medidas de curto prazo que possam ser adotadas rapidamente por diferentes setores.

“O relatório de hoje apresenta um conjunto de medidas imediatas e concretas que podem ser adotadas no lado da demanda por governos, empresas e famílias para proteger os consumidores dos impactos desta crise.”

Quais medidas imediatas foram recomendadas para reduzir a demanda por energia?

No documento, a IEA lista dez ações para transporte rodoviário, aviação e indústria. As recomendações incluem trabalho remoto quando possível, redução dos limites de velocidade em rodovias em pelo menos 10 km/h, maior uso de transporte público, rodízio de veículos em grandes cidades e ampliação do compartilhamento de carros.

  • trabalhar de casa quando possível;
  • reduzir os limites de velocidade em rodovias em pelo menos 10 km/h;
  • estimular o uso de transporte público;
  • adotar rodízio de carros particulares em grandes cidades;
  • ampliar o compartilhamento de veículos e a direção eficiente;
  • melhorar a condução e a manutenção de veículos comerciais;
  • desviar o uso de GLP no transporte;
  • evitar viagens aéreas quando houver alternativas;
  • substituir, quando possível, o fogão por soluções elétricas;
  • adotar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo na indústria.

A agência também menciona a necessidade de preservar o GLP para usos considerados essenciais, como o preparo de alimentos, além de defender ajustes operacionais na indústria petroquímica para reduzir o consumo de derivados de petróleo. No Brasil, o GLP é amplamente usado em residências, o que ajuda a explicar por que oscilações nesse mercado têm forte repercussão no orçamento das famílias.

Que países já adotaram medidas de economia de energia?

Segundo a reportagem, alguns governos, sobretudo na Ásia, já colocaram em prática medidas emergenciais para conter a demanda de energia em resposta ao conflito no Oriente Médio. Entre as ações citadas estão limites de preços, cortes de impostos ou subsídios para combustíveis fósseis.

Indonésia, Vietnã e Tailândia aparecem entre os países que estariam incentivando ou determinando trabalho remoto para servidores públicos, limitando viagens de autoridades e recomendando restrições no uso de ar-condicionado. Também houve apelos para que a população reduza o consumo de energia em casas e escritórios e priorize o transporte público.

“Acredito que isso será útil para governos de todo o mundo, tanto em economias avançadas quanto em desenvolvimento, nestes tempos desafiadores.”

O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, alertou ainda que os efeitos sobre os mercados de energia e sobre as economias tendem a se tornar cada vez mais severos. A mensagem central do relatório é que, diante de uma crise dessa dimensão, a contenção do consumo passa a ser tratada pela agência como parte essencial da resposta internacional.

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