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Cortes de energia na Flórida estão entre os mais altos dos EUA, aponta relatório

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Os cortes de energia elétrica por falta de pagamento na Flórida somaram cerca de 2,1 milhões em 2024, colocando o estado entre os mais afetados dos Estados Unidos, segundo um relatório federal que traça um panorama nacional sobre insegurança energética. O levantamento foi elaborado pela U.S. Energy Information Administration e mostra como famílias vêm enfrentando dificuldade para manter serviços básicos diante do aumento dos custos. De acordo com informações da Inside Climate News, o cenário pode se agravar com a aprovação de um aumento tarifário de R$ 7 bilhões para clientes da Florida Power & Light.

O texto destaca que os desligamentos de energia na Flórida fazem parte de uma tendência mais ampla de insegurança energética, apontada por grupos de defesa do consumidor e da justiça energética. O relatório federal foi financiado após o Congresso dos EUA destinar recursos para a análise em 2023, permitindo a consolidação, pela primeira vez, de dados estaduais sobre avisos finais e desligamentos de serviços de eletricidade e gás natural.

O que o relatório federal mostra sobre os cortes de energia?

Segundo o levantamento, as residências dos Estados Unidos tiveram serviços interrompidos mais de 15,1 milhões de vezes em 2024. Desse total, 13,4 milhões de desligamentos envolveram energia elétrica e 1,7 milhão atingiram consumidores de gás natural. O número chamou a atenção de Mark Wolfe, diretor-executivo da National Energy Assistance Directors Association, entidade que representa gestores estaduais do programa federal de assistência energética para famílias de baixa renda.

Na distribuição por estados, o Texas liderou em desligamentos de energia elétrica, com três milhões de ocorrências, seguido pela Flórida, com 2,1 milhões. Depois aparecem Oklahoma, com 572 mil, Tennessee, com 557 mil, e Califórnia, com 474 mil. Embora Califórnia, Texas e Flórida estejam entre os estados mais populosos do país, a reportagem ressalta que a diferença proporcional entre eles é expressiva.

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Em cálculo citado pela reportagem com base em dados do Censo de 2024, o Texas registrou cerca de 96 desligamentos por mil habitantes, a Flórida teve 90, enquanto a Califórnia ficou em 12. Para Wolfe, essa diferença pode estar relacionada à fragilidade de programas complementares de apoio em estados do Sul e à ausência de padrões nacionais mais rígidos para lidar com o problema.

Por que a Flórida aparece entre os estados mais afetados?

A reportagem relaciona o quadro da Flórida à pressão crescente sobre o custo da energia. Em novembro, reguladores estaduais aprovaram um aumento tarifário de R$ 7 bilhões para clientes da Florida Power & Light, a maior concessionária do estado. Grupos de consumidores classificaram a medida como o maior reajuste do tipo na história dos Estados Unidos, e a decisão é alvo de contestação judicial na esfera estadual.

Outro fator mencionado é a falta de uma legislação estadual específica sobre desligamento de energia. Walt Trierweiler, defensor do consumidor para clientes de concessionárias privadas na Flórida, afirmou que o estado é um dos dois do Sul sem uma lei legislativa sobre o tema. Para ele, a questão é ampla e envolve riscos concretos à vida.

“If I could accomplish a solution to this in my time, then I would say my time would be well-spent. This is too large of an issue. There are absolutely lives at stake.”

O relatório também mostra que mais de 122 milhões de avisos finais foram enviados a residências em todo o país em 2024. O volume, muito superior ao número de cortes efetivos, indica quantas famílias vivem sob risco constante de perder o fornecimento de energia.

Como grupos de defesa interpretam a insegurança energética?

Jean Su, diretora do programa de justiça energética do Center for Biological Diversity, afirmou que os dados revelam escolhas extremas feitas por famílias com orçamento apertado, como decidir entre atendimento médico, alimentação e pagamento da conta de luz. Na avaliação dela, o problema pode ter piorado desde 2024.

“These are families who have to pick between whether to go see a doctor or get medical help versus keeping on their electricity, buying food for groceries.”

Ela também afirmou que a situação vem sendo observada desde 2020, com alta constante nos desligamentos em várias partes do país. Segundo a reportagem, comunidades com menos recursos para enfrentar os impactos climáticos tendem a ser mais vulneráveis, seja por moradias com menos isolamento térmico, seja por menor presença de áreas verdes e maior exposição ao calor extremo.

“It is a crisis we actually have seen since 2020, since we’ve been tracking a really steady rise in electricity shut-offs across the country.”

De acordo com o texto, a concentração do problema no Sul dos Estados Unidos também acende alerta por causa das temperaturas mais altas na região. Em áreas mais quentes, a perda de energia pode elevar riscos à saúde, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.

  • Flórida: 2,1 milhões de cortes de energia elétrica em 2024
  • Estados Unidos: 15,1 milhões de desligamentos de eletricidade e gás natural
  • Avisos finais enviados no país: mais de 122 milhões
  • Aumento tarifário aprovado para clientes da Florida Power & Light: R$ 7 bilhões

Ao reunir dados que antes eram fragmentados, o relatório federal amplia a dimensão do debate sobre acessibilidade tarifária e proteção ao consumidor. No caso da Flórida, os números indicam não apenas inadimplência, mas um quadro persistente de insegurança energética em um estado sujeito a calor intenso e a pressões crescentes no custo da eletricidade.

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