
No dia 4 de abril de 2005, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) iniciou um capítulo histórico com a incorporação das primeiras mulheres em seu efetivo. A data, que completa 21 anos neste 4 de abril de 2026, é um marco na busca por diversidade e excelência na missão de salvamento no estado, refletindo um movimento nacional de modernização das forças de segurança pública. Na época, um grupo de 23 pioneiras ingressou na instituição, abrindo caminho para uma presença que hoje conta com 276 profissionais distribuídas em diversas funções operacionais e administrativas.
De acordo com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná (AEN), o contingente feminino atual faz parte de um efetivo total de 3.153 bombeiros militares. Embora o número ainda seja considerado tímido em termos percentuais, a trajetória dessas mulheres é repleta de conquistas e superação de barreiras institucionais. Entre os nomes de destaque dessa primeira turma está a major Geovana Angeli Messias, que consolidou sua carreira ao longo de mais de duas décadas de serviço dedicado à população paranaense.
Como foi o início das mulheres no Corpo de Bombeiros do Paraná?
Os primeiros anos das mulheres na corporação foram marcados por desafios que iam além do rigoroso treinamento militar. Segundo a major Geovana, a instituição precisou passar por uma adaptação estrutural e cultural para recebê-las. A oficial recorda que, no início, não havia alojamentos ou vestiários adequados, e até mesmo encontrar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que se ajustassem ao biotipo feminino era uma tarefa difícil.
“Fomos pioneiras em um ambiente que ainda não estava fisicamente preparado para nós: desde a falta de alojamentos e vestiários adequados até a dificuldade em encontrar Equipamentos de Proteção Individual que se ajustassem ao biotipo feminino”, relembra a oficial.
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Além das questões físicas, houve a necessidade de enfrentar a estranheza inicial de parte do público interno, um desafio comum à inserção feminina nas forças militares de todo o Brasil. No entanto, o profissionalismo demonstrou que a competência técnica independe de gênero. Em 2022, Geovana tornou-se a primeira mulher a assumir o comando de uma unidade operacional, liderando a então 1ª Companhia Independente de Bombeiro Militar em Ivaiporã por três anos.
Quais são os marcos da evolução feminina na instituição?
Ao longo dessas duas décadas, o Paraná, que foi o penúltimo estado brasileiro a admitir bombeiras — um movimento de inclusão iniciado por estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais ainda na década de 1990 —, viu uma evolução significativa em suas fileiras. A atuação feminina não se restringiu ao atendimento básico, mas avançou para áreas altamente especializadas e de alto risco. Um exemplo notável é o da major Keyla Karas, que se tornou a primeira mulher piloto de helicóptero do CBMPR, simbolizando a quebra de tetos de vidro na aviação de segurança pública brasileira.
A presença feminina é hoje uma realidade consolidada, refletida em dados que demonstram o crescimento e a diversificação das funções ocupadas:
- Ingresso da primeira turma com 23 mulheres em 2005;
- Crescimento do efetivo para 276 bombeiras militares atualmente;
- Ocupação de cargos de comando de unidades operacionais;
- Atuação em salvamentos aéreos e combate a incêndios de grande porte;
- Participação em missões especiais e atendimento pré-hospitalar especializado.
Qual é o impacto para a nova geração de bombeiras?
A nova geração de profissionais colhe os frutos plantados pelas pioneiras de 2005. A soldado Giovana Cupka, integrante da turma de 2022/23, representa essa continuidade. Com uma forte tradição familiar militar — sendo filha de subtenente e irmã de outras duas oficiais —, ela destaca que o caminho hoje é mais acessível graças ao esforço das que vieram antes. Para ela, a naturalização da presença feminina é o maior legado que sua geração pode deixar.
“Elas abriram caminhos, enfrentaram barreiras e quebraram preconceitos que hoje tornam a nossa jornada um pouco mais leve. São pioneiras que merecem todo reconhecimento”, afirma a soldado Cupka.
A evolução institucional continua com o aprimoramento constante de infraestrutura e a promoção de concursos que incentivam a participação feminina. Para as autoridades da corporação, a mensagem para as mulheres que desejam ingressar na carreira é de incentivo, ressaltando que a resiliência e a dedicação técnica são as chaves para transformar desafios em conquistas profissionais duradouras dentro da Segurança Pública do Paraná e do país.

