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Contadores e auditores rebatem críticas sobre regras de sustentabilidade da UE

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O diretor de uma importante entidade representativa do setor contábil manifestou-se publicamente contra as recentes críticas direcionadas aos profissionais da área, classificando como injusto o rótulo de “inimigos do Estado”. O posicionamento surge em um cenário de intensos debates na Europa, onde a classe contábil tem sido alvo de questionamentos enquanto a União Europeia revisa e reduz a abrangência de suas normas de relato de sustentabilidade corporativa.

De acordo com informações do Responsible Investor, as críticas ganharam força à medida que o bloco europeu começou a flexibilizar os padrões de transparência ambiental e social. Lideranças do setor argumentam que o papel dos auditores e contadores é garantir a integridade dos dados, e não atuar como obstáculos às políticas públicas ou ao desenvolvimento sustentável.

Por que os contadores são alvo de críticas nas novas normas da UE?

A tensão central reside na implementação da Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) e nos Padrões Europeus de Relatórios de Sustentabilidade (ESRS). Grupos de defesa do meio ambiente e alguns setores governamentais alegam que o rigor técnico exigido pelos profissionais de contabilidade poderia estar sendo utilizado para dificultar a aplicação de regras mais severas. Por outro lado, o setor defende que a precisão é fundamental para evitar o chamado greenwashing.

O setor contábil desempenha um papel crucial na verificação da conformidade das empresas. Sem uma metodologia clara e auditável, os relatórios de sustentabilidade correm o risco de se tornarem peças meramente publicitárias, sem valor real para investidores ou reguladores. A complexidade dessas normas tem gerado um custo elevado de conformidade, o que levou a Comissão Europeia a considerar simplificações para reduzir a carga burocrática sobre as companhias.

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Como a simplificação das regras afeta o trabalho de auditoria?

A decisão de simplificar os requisitos de reporte foi tomada para aliviar a pressão sobre as empresas em um momento de incerteza econômica. No entanto, essa mudança gera um dilema para os auditores. Quando as regras são menos prescritivas, a margem de interpretação aumenta, o que pode comprometer a comparabilidade dos dados entre diferentes empresas e setores. Os principais pontos de atenção listados pelos especialistas incluem:

  • A definição de materialidade e o que deve ser obrigatoriamente reportado;
  • A coleta de dados confiáveis ao longo de toda a cadeia de suprimentos;
  • A necessidade de garantir que as simplificações não omitam riscos climáticos relevantes;
  • O custo de treinamento para profissionais lidarem com as novas métricas ambientais.

O diretor da entidade enfatizou que a classe contábil está comprometida com o interesse público e que a imposição de rótulos pejorativos não contribui para o avanço das pautas ESG (Ambiental, Social e Governança). A defesa é de que os profissionais são, na verdade, facilitadores da transição para uma economia de baixo carbono, ao transformar conceitos abstratos em dados financeiros e operacionais verificáveis.

Qual o papel das instituições contábeis na transparência climática?

As instituições de contabilidade argumentam que o trabalho de asseguração é a única forma de dar credibilidade aos compromissos climáticos das corporações. Sem a participação ativa de auditores independentes, o mercado financeiro ficaria vulnerável a informações imprecisas, o que poderia levar a uma alocação de capital ineficiente. A resistência de alguns setores à fiscalização rigorosa é vista pela indústria como uma tentativa de evitar a responsabilidade direta pelos impactos ambientais.

O debate na Europa serve como um sinal para outras jurisdições, incluindo o Brasil, que também avançam na regulamentação de relatórios de sustentabilidade. A harmonização global das normas é um dos objetivos buscados pelas entidades internacionais, visando reduzir as fricções e garantir que a profissão contábil seja vista como um pilar de sustentação para a confiança pública, e não como um adversário do progresso regulatório.

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