As companhias aéreas começaram a sentir os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã com a alta do combustível de aviação e o risco de redução na oferta de voos, em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz por mais de 50 dias e à queda no fluxo de navios com petróleo do Golfo Pérsico. Neste sábado, 18, a decisão iraniana de voltar a fechar o estreito e a manutenção do bloqueio norte-americano aos portos iranianos ampliaram a incerteza sobre o abastecimento global e seus efeitos sobre passageiros e empresas do setor.
De acordo com informações do Valor Empresas, a Agência Internacional de Energia alertou que países europeus poderão ficar sem combustível para aviões dentro de semanas. Esse cenário pode obrigar companhias do continente e empresas que operam voos para a Europa a reduzir significativamente suas operações.
Como o fechamento do Estreito de Ormuz afeta a aviação?
O texto informa que, com a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, diminuiu o fluxo de navios transportando petróleo produzido pelos países do Golfo Pérsico. Com isso, também caiu a oferta global do combustível, pressionando os custos das companhias aéreas e aumentando a preocupação de turistas e passageiros que viajam a trabalho.
Esse movimento já aparece no preço do combustível de aviação. Segundo a reportagem original, o valor passou de cerca de US$ 99 por barril no fim de fevereiro para até US$ 209 por barril no início de abril. Diante dessa disparada, várias empresas do setor passaram a reajustar tarifas e a rever suas operações.
Quais medidas as companhias aéreas já anunciaram?
Muitas companhias aumentaram taxas de bagagem despachada ou adicionaram sobretaxas de combustível. A Air Canada anunciou na sexta-feira que planejava suspender seu serviço para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, no período de 1º de junho a 25 de outubro, como forma de reduzir gastos com combustível.
Outras empresas citadas na reportagem também reduziram rotas, elevaram preços de passagens ou indicaram que podem fazê-lo caso a guerra continue impedindo a passagem de petróleo pelo estreito.
- Air Canada
- United
- Delta
- Air France-KLM
- SAS
- Philippine Airlines
- Cathay Pacific
Por que a incerteza continua pressionando o setor?
De acordo com a matéria, a decisão do Irã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz reforçou as dúvidas sobre a retomada do transporte de petróleo da região. Ao mesmo tempo, a insistência do presidente Donald Trump em manter o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos amplia a percepção de risco no mercado internacional.
Analistas ouvidos no texto afirmam que essa incerteza é um dos principais fatores de pressão sobre os preços do combustível. O efeito atinge tanto o planejamento das companhias aéreas quanto as decisões de seus clientes, diante da possibilidade de tarifas mais altas e de uma oferta menor de voos nas próximas semanas.
Na prática, o quadro aponta para um impacto que vai além da logística do petróleo. O setor aéreo passa a operar sob maior custo e menor previsibilidade, com reflexos diretos no transporte internacional, especialmente nas rotas ligadas à Europa. Para os passageiros, a consequência imediata pode ser o encarecimento das viagens e a redução de opções em determinados trajetos.