Visa e Mastercard detalharam em São Paulo, na terça-feira, 14 de abril de 2026, como vêm avançando em comércio agêntico, integração com inteligência artificial e ferramentas de segurança para pagamentos digitais no Brasil. De acordo com informações do Mobile Time, as duas bandeiras apresentaram iniciativas voltadas a testes em ambiente de produção, autenticação sem senha, tokenização e conexão entre varejistas e diferentes padrões de IA, com o objetivo de ampliar confiança, reduzir fricções e preparar a infraestrutura para um novo modelo de compra digital.
As informações foram relatadas pelo veículo após entrevistas com executivos das duas empresas durante o 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos, realizado em São Paulo. O tema central foi o chamado comércio agêntico, descrito como uma frente em expansão no setor de pagamentos e visto pelas companhias como uma próxima etapa da evolução do comércio eletrônico.
O que a Visa informou sobre o comércio agêntico?
Segundo Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa, a empresa já realizou a primeira transação com agente em ambiente de produção no Brasil e pretende ampliar os testes nos próximos meses. A estratégia inicial, de acordo com o executivo, é priorizar modelos em verticais, com um agente exclusivo para uma loja específica. Depois, a proposta é avançar para modelos horizontais, em que um agente do usuário busca produtos na internet.
“Recentemente, fizemos a primeira transação com agente em ambiente de produção no Brasil. Ao longo dos próximos meses, queremos ampliar esses testes para que comércios e credenciadores tenham maior confiança na compra agêntica”
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A Visa também informou que desenvolveu o Intelligent Commerce Conect, dentro do Visa Intelligent Commerce. A ferramenta foi descrita como um conector único para permitir que varejistas se integrem, por uma mesma camada, a diferentes padrões de IA disponíveis no mercado, como o do Google, o Universal Commerce Protocol (UCP) e o Machine Payments Protocol (MPP), da Stripe.
Como segurança e autenticação entram nessa estratégia?
Para as duas empresas, a expansão desse tipo de compra depende de confiança por parte de comerciantes e consumidores. Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard Brasil, afirmou que cada processo de compra agêntica é analisado e apontou tokenização e infraestrutura de chaves, ou PKI, como bases dessas transações.
“A bandeira por si só traz confiança, mas essa novidade é uma incógnita para todos nós. Por isso, cada processo de compra agêntica é devidamente analisado”
No caso da Mastercard, tokens e passkeys fazem parte da meta de eliminar o uso de senhas até 2030. Segundo Arnoni, mais da metade das transações online feitas com a bandeira já são tokenizadas. O desenvolvimento dessa frente, conforme o relato, está apoiado em pesquisas e em autenticação biométrica vinculada a dispositivos móveis.
Na Visa, outra iniciativa associada ao tema é o Visa Cloud Token Framework. Os primeiros testes da tecnologia foram divulgados em fevereiro de 2026, em parceria com o Santander. A proposta é oferecer uma experiência de compra com menos fricção, com meta de alcançar toda a infraestrutura habilitada até meados de 2027. A empresa também informou que trabalha em um certificado de segurança para modelos de IA, chamado Trusted Agent, para ajudar a diferenciar transações legítimas realizadas por agentes de inteligência artificial de operações fraudulentas.
Que papel a IA já desempenha na busca por produtos?
Os executivos também destacaram o uso crescente de inteligência artificial na etapa de pesquisa por produtos. Na Mastercard, uma das soluções citadas foi o Shopping Muse, agente conversacional voltado a ajudar consumidores a encontrar produtos com base em necessidades ou preferências antes do pagamento. Segundo o texto original, a ferramenta já opera em varejistas como C&A, no Brasil, e Michael Kors, na Europa, e pode ser acessada por consumidores nas plataformas digitais dessas empresas.
O avanço das buscas por produtos com apoio de IA também foi apresentado como um fator de transformação para o comércio eletrônico. O debate mencionado inclui a possibilidade de adaptação do varejo de uma lógica mais centrada em SEO para outra associada ao GEO. Para Succi, se os agentes conseguirem identificar lojas fraudulentas e excluí-las dos resultados, a transição poderá abrir espaço para comerciantes legítimos que hoje têm menos visibilidade em mecanismos de busca.
Quais são os principais pontos citados pelas empresas?
- Primeira transação com agente em ambiente de produção no Brasil, segundo a Visa
- Expansão inicial por verticais e, depois, por modelos horizontais
- Integração com padrões de IA por meio do Intelligent Commerce Conect
- Uso de tokenização, PKI, passkeys e biometria para reforço de segurança
- Meta da Mastercard de eliminar senhas até 2030
- Meta da Visa de ampliar a infraestrutura do Cloud Token Framework até meados de 2027
As declarações indicam que o comércio agêntico ainda está em fase de testes, desenvolvimento e adaptação de infraestrutura. Ao mesmo tempo, mostram que Visa e Mastercard tratam a combinação entre IA, autenticação e tokenização como eixo central para a próxima etapa dos pagamentos digitais.