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Combustíveis fósseis: conferência na Colômbia tenta destravar transição global

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A primeira conferência global dedicada à transição para longe dos combustíveis fósseis começou nesta quinta-feira, 24 de abril, em Santa Marta, na Colômbia, coorganizada por Colômbia e Holanda, com a participação de 54 governos, além de governos subnacionais, grupos da sociedade civil e acadêmicos. O encontro busca discutir caminhos para reduzir a dependência mundial de petróleo, gás e carvão após impasses recorrentes nas cúpulas climáticas da ONU, onde países produtores de petróleo têm dificultado avanços sobre prazos e planos concretos.

De acordo com informações do Guardian Environment, a conferência ocorre entre 24 e 29 de abril e reúne uma “coalizão dos dispostos” para tentar contornar bloqueios políticos observados nas COPs e abrir uma nova frente de discussão sobre a substituição dos combustíveis fósseis por energia de baixo carbono.

O que está em debate na conferência?

O centro do debate é como promover a transição para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. O tema ganhou força depois de anos de negociações climáticas marcadas por falta de consenso. No sistema da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, as decisões nas COPs dependem de concordância ampla, o que, segundo o texto original, tem permitido a países produtores de petróleo frearem discussões mais diretas sobre o papel dos combustíveis fósseis no aquecimento global.

Foi apenas na COP28, em Dubai, em 2023, que os combustíveis fósseis foram tratados diretamente no resultado final de uma COP, com o compromisso dos países de “fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis”. Ainda assim, não houve definição de cronograma nem de um roteiro global para implementar essa mudança. Desde então, tentativas de avançar nesse tipo de estrutura encontraram dificuldades.

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Por que a Colômbia decidiu organizar esse encontro?

A Colômbia anunciou a intenção de organizar a conferência no ano passado, durante a COP30 no Brasil. Segundo a reportagem, o resultado final daquela cúpula trouxe apenas uma referência indireta à eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Diante da frustração com a falta de progresso, atribuída no texto a petrostados e seus aliados, o governo colombiano propôs reunir países interessados em discutir de forma mais detalhada como essa transição poderia ocorrer.

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, afirmou ao Guardian que a ausência de alguns países não inviabiliza o encontro, por se tratar de um espaço voltado a governos dispostos a impulsionar um novo caminho. Em fala reproduzida pela reportagem, ela disse:

“Whatever nations have not yet taken that decision, then this is not the space for them. We are not going to have boycotters or climate denialists at the table.”

Quem participa e quem fica de fora?

Estão registrados 54 governos, a maioria representada por ministros ou autoridades de alto escalão. Segundo o texto, esse grupo responde por cerca de um quinto da produção global de combustíveis fósseis e por aproximadamente um terço da demanda por esses insumos. Entre os participantes estão países da União Europeia, Reino Unido, Turquia, Austrália e dezenas de países em desenvolvimento, muitos deles vulneráveis a eventos climáticos extremos.

Também participam produtores relevantes de combustíveis fósseis, como Brasil, México, Nigéria, Angola e Canadá. Por outro lado, vários dos maiores emissores de gases de efeito estufa estarão ausentes, incluindo China, Índia, Estados Unidos, Rússia, Irã e Japão.

  • Participantes incluem 54 governos
  • O encontro ocorre de 24 a 29 de abril
  • Santa Marta, na Colômbia, sedia a conferência
  • Brasil, México, Nigéria, Angola e Canadá estão entre os produtores presentes

Qual é o impacto da crise do petróleo sobre a discussão?

A reportagem relaciona o encontro ao aumento recente dos preços do petróleo, em meio à guerra no Irã e ao fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito. Esse cenário elevou o custo da energia e afetou também alimentos, fertilizantes e outros produtos industriais, com impactos para consumidores, empresas e populações mais vulneráveis.

Em contraste, a geração renovável aparece no texto como uma alternativa mais barata e doméstica, o que tem levado alguns governos a defender com mais intensidade a transição energética. O ativista climático Bill McKibben, citado na reportagem, resumiu esse argumento em uma frase direta:

“Sunlight travels 93m miles to reach the Earth – none of them through the strait of Hormuz.”

O encontro deve produzir um resultado concreto?

Segundo o Guardian, não se espera um desfecho formal equivalente a uma resolução global. A ideia é que a conferência ajude países a elaborar seus próprios roteiros nacionais para a transição. Além disso, um grupo de cientistas deverá preparar um relatório de apoio a esse processo.

Irene Vélez afirmou que uma das prioridades é discutir como reduzir a dependência econômica da produção de combustíveis fósseis. A pauta também inclui financiamento para que países em desenvolvimento façam essa mudança e alívio da dívida, além da discussão sobre a própria demanda por combustíveis fósseis.

“The first [priority for the conference] is: how can we be less economically dependent on the production of fossil fuels.”

O mundo está mais perto de abandonar os combustíveis fósseis?

A reportagem aponta que a energia renovável vem avançando com a queda dos custos de componentes para geração solar e eólica e com preocupações de segurança nacional associadas à guerra no Irã e à crise do petróleo. Segundo o think tank Ember, citado no texto, a geração de energia solar aumentou cerca de um terço no mundo no ano passado, enquanto a geração a partir de combustíveis fósseis permaneceu estável.

A assessora sênior de políticas do International Institute for Sustainable Development, Natalie Jones, afirmou ao Guardian que os governos enfrentam uma encruzilhada diante da crise energética atual: podem aprofundar a dependência de combustíveis fósseis ou acelerar a transição para fontes renováveis, eficiência e eletrificação. O texto conclui que a principal dúvida é se essa mudança ocorrerá com rapidez suficiente para evitar os efeitos mais graves da crise climática.

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