Indivíduos, corporações e países ricos estão monopolizando a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, reproduzindo padrões coloniais que aprofundam desigualdades e violam os direitos humanos, segundo a Oxfam. De acordo com informações do Envolverde, a organização antipobreza destacou que a maioria dos investimentos em energia renovável está concentrada no Norte Global e na China, enquanto os países do Sul Global possuem 70% das reservas minerais necessárias para essa transição.
Como o colonialismo afeta a transição energética?
A Oxfam aponta que os países mais ricos e as pessoas mais ricas estão exacerbando a crise climática ao consumir excessivamente o orçamento de carbono.
“Os países mais ricos e as pessoas mais ricas estão levando a crise climática ao seu atual ponto crítico ao consumir excessivamente o orçamento de carbono por meio de sistemas profundamente desiguais e extrativistas”, disse Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam.
- América Latina recebeu 3% do investimento global em energia limpa.
- Sudeste Asiático, Oriente Médio e África receberam apenas 2% cada.
- África Subsaariana abriga 85% da população mundial sem acesso à eletricidade.
Quais são as consequências dessa desigualdade?
O relatório da Oxfam descreve a “pilhagem” de minerais como lítio e cobalto, além da apropriação de terras para projetos de energia. Esses projetos frequentemente envolvem violência e trabalho forçado, ameaçando os direitos dos povos indígenas em até 60% de suas terras reconhecidas. Behar afirmou que
“abordar a desigualdade e o colonialismo na transição oferece uma oportunidade de remodelar radicalmente o cenário energético”.
Quais são as soluções propostas pela Oxfam?
A Oxfam exorta os formuladores de políticas a adotarem um novo sistema energético descolonizado e descentralizado, que reconheça e repare os danos causados por desequilíbrios históricos de poder. Isso inclui reformas nos modelos internacionais de tributação, comércio e financiamento para eliminar barreiras à transição energética justa nos países do Sul Global.