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Climate tech ganha tração em IPOs, mas janela segue restrita ao setor de energia

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Empresas de climate tech ligadas ao setor de energia começaram a encontrar espaço no mercado de capitais, com movimentos recentes de abertura de capital da X-energy e da Fervo nos Estados Unidos. Nesta semana, a X-energy estreou na bolsa após levantar US$ 1 bilhão em uma oferta ampliada de ações, enquanto a Fervo informou que protocolou pedido para seu IPO. O movimento ocorre em meio à percepção de investidores de que negócios ligados à demanda crescente por eletricidade, impulsionada também pela expansão de data centers e da inteligência artificial, passaram a ser vistos com mais interesse pelo mercado. De acordo com informações do TechCrunch, porém, essa abertura ainda parece limitada a segmentos específicos.

O artigo destaca que startups de tecnologia climática costumam exigir muito capital, enfrentar prazos longos de desenvolvimento e operar com tecnologias frequentemente tratadas como pioneiras. Além disso, parte relevante de sua proposta de valor está associada ao combate à poluição, um fator que, segundo o texto, nem sempre é adequadamente precificado pelo mercado. Esse conjunto de características tradicionalmente não costuma agradar investidores da bolsa, o que ajuda a explicar por que a receptividade a esse tipo de empresa foi, por anos, considerada morna.

Por que o mercado passou a olhar com mais atenção para algumas climate techs?

Segundo o TechCrunch, o interesse atual está concentrado principalmente em startups relacionadas à oferta de energia. No fim do ano passado, investidores ouvidos pelo veículo já indicavam que empresas com melhores chances de chegar ao mercado público seriam as especializadas em fissão nuclear ou geotermia avançada. A Fervo, em especial, foi citada mais de uma vez entre os nomes com potencial para seguir esse caminho.

A explicação apontada no texto envolve o aumento da demanda por eletricidade e o papel dos data centers nesse processo. A corrida em torno da inteligência artificial tornou mais visível e comercializável uma tendência já existente de expansão do consumo de energia. Nesse cenário, companhias que já apostavam nesse crescimento acabaram favorecidas por uma narrativa de mercado que coincidiu com o amadurecimento de suas tecnologias.

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  • A X-energy abriu capital nesta semana e levantou US$ 1 bilhão.
  • As ações subiram 25% na primeira hora de negociação, segundo o texto.
  • A Fervo informou ter protocolado seu pedido de IPO.
  • A empresa foi avaliada por investidores privados em cerca de US$ 3 bilhões, de acordo com a PitchBook, citada pelo TechCrunch.

Essa janela de IPO vale para toda a tecnologia climática?

Não. O próprio texto afirma que uma parte ampla do universo de climate tech provavelmente ficará de fora dessa nova onda de IPOs. A abertura do mercado parece favorecer sobretudo negócios entrelaçados aos mercados de energia, enquanto empresas de outras áreas climáticas terão de seguir buscando alternativas fora da bolsa e, possivelmente, sem o mesmo acesso ao capital em grande escala que o mercado público pode oferecer.

O TechCrunch descreve esse movimento como uma trajetória em formato de K, em que um grupo de empresas avança com mais força enquanto outro fica para trás. A avaliação é atribuída, no texto, a Mark Cupta, diretor-gerente da Prelude Ventures, citado como alguém que já havia sugerido essa divergência em conversa recente com o veículo.

Como fica o financiamento privado para as empresas que não chegarem à bolsa?

As startups que permanecerem fora da janela de IPO ainda podem recorrer a investidores privados, mas o cenário também mostra sinais de desigualdade. Segundo dados da Sightline Climate citados pelo TechCrunch, fundos de venture capital e growth levantaram cerca de US$ 6,5 bilhões no ano passado. O valor é o mesmo de 2021, mas hoje há mais fundos no mercado, o que significa que cada um deles tende a ser menor.

Para fundadores, isso pode representar menos recursos disponíveis por fundo. Por outro lado, a maior concorrência entre gestores pode ajudar nas condições de captação. Ao mesmo tempo, os grandes fundos continuam aumentando de tamanho. Ainda segundo a Sightline Climate, a infraestrutura dominou a captação em climate tech no ano passado, com 42 fundos respondendo por 75% de todos os recursos do setor.

O texto acrescenta que muitos dos novos fundos de infraestrutura estão se especializando em renováveis, tecnologias de rede elétrica e armazenamento de energia. Isso reforça a leitura de que a divisão dentro do setor não deve desaparecer no curto prazo. Em vez de uma reabertura ampla do mercado para toda a tecnologia climática, o que se desenha é uma oportunidade mais concentrada em empresas com tecnologias maduras e aptas a escalar grandes projetos ligados à energia.

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