A Claro informou nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, em São Paulo, que aguarda mudanças na tributação de equipamentos de data center para trazer GPUs ao Brasil e oferecer serviços locais de processamento de inteligência artificial a clientes corporativos. De acordo com informações do Teletime, a estratégia foi detalhada pelo CEO da empresa, Rodrigo Marques, durante evento promovido pela operadora.
Segundo o executivo, a empresa já mantém parceria com a Nvidia e com a Oracle, mas os chips de última geração usados hoje para esse tipo de processamento ainda estão baseados em data centers no exterior. A justificativa apresentada pela companhia é o custo atual para internalizar esse tipo de equipamento no mercado brasileiro, o que, de acordo com a direção da operadora, torna a operação economicamente inviável neste momento.
Por que a Claro ainda não trouxe GPUs ao Brasil?
Ao comentar o tema, Rodrigo Marques afirmou que o principal entrave está na carga tributária incidente sobre equipamentos de data center. Ele mencionou que havia expectativa em torno do Redata, proposta citada no Congresso, mas que a medida não avançou até agora.
“Hoje as GPUs não estão hospedadas no Brasil, porque ainda temos um problema grave de tarifação para trazer. Havia até um um plano no Congresso para aprovar o Redata, o que acabou não evoluindo. Estamos esperando alguma evolução, porque hoje é economicamente inviável trazer as GPU para o Brasil”
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A declaração indica que, na avaliação da empresa, o ambiente regulatório e tributário é o fator central para a instalação local dessa infraestrutura. Enquanto isso não muda, a oferta de capacidade computacional para IA segue apoiada em estruturas fora do país, ainda que direcionada ao mercado corporativo brasileiro.
O que mudaria se a legislação fosse alterada?
Segundo o CEO da Claro, a empresa pretende internalizar as GPUs assim que houver alteração legislativa ou eventual aprovação do Redata. Nesse cenário, os equipamentos passariam a ser baseados nos data centers da própria operadora no Brasil, dentro do arranjo já alinhado com Nvidia e Oracle.
“[Mas] assim que alguma legislação no Brasil for alterada ou o Redata for aprovado, a gente vai trazer essas GPUs. Isso já está combinado com a Nvidia e com a Oracle: elas [as GPUs] virão para o Brasil e vão estar baseadas nos nossos data centers”
A fala sugere que a empresa já tem um plano desenhado para a nacionalização dessa capacidade, mas condiciona sua execução a mudanças no custo regulatório. Não há, no entanto, no texto original, prazo anunciado para essa possível migração da infraestrutura ao território brasileiro.
Como funciona hoje a parceria com Nvidia e Oracle?
Atualmente, a Claro atua como cloud partner da Nvidia na América Latina, em acordo anunciado em março e que também envolve a Oracle. Na prática, essa condição dá à operadora acesso a capacidade de processamento com GPUs para atender clientes empresariais, mesmo sem a presença física desses chips em território nacional.
De acordo com o relato apresentado no evento, o modelo atual opera com infraestrutura hospedada em data centers da Oracle no exterior. Ainda assim, a Claro afirmou que já possui os primeiros clientes atendidos por meio dessa parceria e que negocia novos contratos com outros grandes grupos.
- A Claro aguarda mudança tributária para trazer GPUs ao Brasil.
- O Redata foi citado como uma proposta que não avançou.
- A parceria com Nvidia e Oracle já está em operação.
- Hoje, o processamento ocorre a partir de data centers no exterior.
- A empresa diz já ter clientes e negociar novos contratos corporativos.
Qual é o impacto dessa estratégia para o mercado corporativo?
O movimento indica que a Claro busca ampliar sua atuação em serviços corporativos ligados à inteligência artificial e computação em nuvem. No modelo atual, a empresa já consegue ofertar processamento com GPUs a clientes empresariais, mas sem a infraestrutura instalada localmente.
Se houver mudança no ambiente tributário, a expectativa manifestada pela companhia é transferir essa capacidade para data centers no Brasil. Isso, segundo o que foi informado no evento, depende diretamente de uma alteração legal que reduza a inviabilidade econômica apontada pela operadora.