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China bloqueia compra da Manus pela Meta em disputa tecnológica com os EUA

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A China bloqueou a compra da startup chinesa de inteligência artificial Manus pela Meta, em uma decisão tomada pelo órgão de planejamento estatal do país em meio à disputa tecnológica com os Estados Unidos. O bloqueio foi determinado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, que ordenou o cancelamento do acordo. De acordo com informações do Valor Empresas, a medida ocorre enquanto Pequim e Washington disputam espaço em setores considerados estratégicos, como a inteligência artificial e os semicondutores.

A decisão reforça o esforço de Pequim para impedir que talentos e propriedades intelectuais ligados à IA sejam absorvidos por empresas americanas. O movimento acontece em um contexto de aumento das restrições dos EUA ao avanço tecnológico chinês, especialmente por meio de controles de exportação voltados a limitar o acesso da China a chips produzidos por empresas americanas.

Por que a compra da Manus pela Meta foi bloqueada?

Segundo a reportagem, a avaliação do governo chinês indica que a operação envolvia ativos considerados sensíveis para a segurança nacional e para a estratégia tecnológica do país. A intervenção mostra que, para Pequim, a inteligência artificial passou a ocupar um papel central na competição entre as duas maiores economias do mundo.

A Meta, controladora do Facebook, havia adquirido a Manus em dezembro por mais de US$ 2 bilhões. O objetivo era fortalecer sua atuação em agentes de IA, ferramentas descritas no texto original como sistemas capazes de executar tarefas mais complexas do que chatbots tradicionais, com pouca intervenção humana.

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O que aconteceu com os executivos da startup?

Em março, ainda de acordo com a reportagem, o diretor-presidente da Manus, Xiao Hong, e o cientista-chefe, Ji Yichao, foram impedidos de deixar a China enquanto reguladores revisavam a operação. A informação foi atribuída a fontes familiarizadas com o assunto.

A Manus havia ganhado destaque no início do ano passado, quando foi apontada pela mídia estatal chinesa e por comentaristas como a próxima DeepSeek, após lançar o que descreveu como o primeiro agente de IA geral do mundo. Meses depois, a empresa transferiu sua sede da China para Cingapura, movimento semelhante ao de outras companhias chinesas que buscaram reduzir riscos associados às tensões entre chineses e americanos.

Qual é o impacto geopolítico da decisão?

O bloqueio pode acrescentar um novo ponto de tensão à agenda de uma cúpula prevista para meados de maio em Pequim entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. A medida surge em um momento em que a disputa entre os dois países se amplia para além dos semicondutores e passa a atingir de forma mais direta o setor de inteligência artificial.

Para Alfredo Montufar-Helu, diretor administrativo da Ankura China Advisors, a decisão reflete essa mudança de foco regulatório. Ele afirmou que a China está sinalizando que não permitirá a aquisição estrangeira de ativos considerados importantes para a segurança nacional e que a IA passou a fazer parte clara dessa lista.

“A China está dizendo que impedirá a aquisição estrangeira de ativos que considera importantes para a segurança nacional — e a IA agora é claramente um deles”.

O executivo acrescentou que a medida também envia um recado a empresas que tentam reduzir o alcance da regulação chinesa ao mudar suas sedes para outros países. Nesse cenário, a decisão chinesa sugere que essa estratégia pode não ser suficiente para afastar o escrutínio estatal.

  • A compra da Manus pela Meta ocorreu em dezembro.
  • Em março, executivos da startup foram impedidos de deixar a China.
  • O acordo foi posteriormente bloqueado pela autoridade chinesa.
  • O caso ocorre em meio ao embate tecnológico entre China e EUA.

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