O governo federal anunciou a criação de um sistema de chamadas verificadas para reforçar a segurança das ligações telefônicas no Brasil e reduzir fraudes praticadas por telefone. A proposta envolve o uso de credenciais digitais e validação criptográfica para confirmar a identidade de quem realiza a chamada, evitando que criminosos se passem por bancos, operadoras ou órgãos públicos. De acordo com informações do Showmetech, o desenvolvimento está previsto para ocorrer ao longo de três anos, com testes em parceria com operadoras.
O sistema é desenvolvido pelo CPQD, com recursos do Funttel, fundo vinculado ao Ministério das Comunicações. Segundo o texto original, a iniciativa busca modernizar a autenticação de chamadas no país e ampliar a confiança do usuário ao receber ligações, inclusive em situações nas quais o número exibido na tela poderia ser falsificado.
Como o sistema de chamadas verificadas vai funcionar?
A estrutura proposta se baseia em credenciais digitais verificáveis, descritas como uma identidade segura usada para validar chamadas telefônicas. Em vez de confiar apenas no número que aparece no visor, a ligação passa por uma verificação criptográfica para confirmar se o emissor é realmente quem afirma ser.
Na prática, instituições consideradas confiáveis poderão emitir essas credenciais aos usuários. Elas ficarão armazenadas no celular, em uma espécie de carteira digital, e serão usadas automaticamente sempre que uma ligação ou outra interação precisar ser validada. Quando a chamada for realizada, o sistema cruza as informações com a credencial. Se houver correspondência válida, o usuário receberá um indicativo de que a origem é confiável. Se não houver verificação, o alerta será mantido, mesmo que o número pareça verdadeiro.
O processo utiliza provas criptográficas para garantir autenticidade e integridade da comunicação. De acordo com a reportagem, a solução foi pensada para não depender apenas da estrutura tradicional da telefonia, o que busca contornar limitações observadas em chamadas internacionais ou em redes mais antigas.
Qual é a diferença em relação ao que já existe hoje?
O texto cita que a Anatel já disponibiliza o serviço Origem Verificada, que oferece um selo de autenticidade para empresas. No entanto, a cobertura ainda é limitada e a adesão obrigatória está prevista apenas para 2028. A nova proposta do governo, segundo a publicação, tenta superar essas restrições ao permitir a comprovação da identidade do chamador em diferentes canais e até indicar o propósito da ligação.
Outro ponto destacado é o modelo descentralizado. A proposta busca reduzir a dependência de grandes bases centralizadas de dados, frequentemente associadas a riscos de vazamento. Com isso, o controle das informações permaneceria mais próximo do usuário, com foco em privacidade e em dificultar o acesso de fraudadores a dados sensíveis.
O projeto prevê investimento de R$ 16,82 milhões até 2028 e terá implementação gradual. A reportagem também informa que as credenciais poderão ser revogadas em caso de problema e que a solução pode ter uso complementar ao programa Celular Seguro, como no bloqueio de acessos após roubo ou perda do aparelho.
Como o usuário poderá obter a credencial digital verificável?
Segundo o conteúdo original, o primeiro passo será se vincular a uma instituição emissora confiável, como bancos, operadoras de telefonia e órgãos públicos autorizados a gerar essas credenciais. O processo deverá ocorrer nos aplicativos dessas próprias instituições, nas quais o usuário já mantém cadastro e relacionamento ativo.
Durante a solicitação, a identidade do usuário deverá ser validada com base nas informações já existentes na instituição. Dependendo do caso, poderão ser usados mecanismos adicionais de confirmação, como biometria, senha ou códigos enviados ao celular. Depois da validação, a credencial ficará armazenada no smartphone em uma carteira digital segura.
A partir disso, o uso será automático nas interações que exigirem verificação. Se o usuário trocar de aparelho ou perder o celular, será possível revogar a credencial antiga e emitir outra, preservando a segurança do processo.
Que tipos de golpes a proposta pretende dificultar?
A reportagem relaciona o novo sistema a fraudes que exploram a confiança do usuário em chamadas telefônicas aparentemente legítimas. Entre os casos citados, estão práticas em que o criminoso manipula o número exibido ou simula contato de instituições conhecidas para pressionar a vítima.
- Spoofing, quando o número exibido na tela é falsificado para parecer confiável
- Golpe do falso atendente de banco
- Golpe do problema na conta, com uso de urgência e medo
- Falsos serviços e cobranças indevidas
- Chamadas de spam
No caso do spoofing, o texto explica que o criminoso altera o número mostrado no visor para que a ligação pareça vir de um banco ou de outro contato confiável. Já no golpe do falso atendente, a vítima é levada a acreditar que fala com um funcionário de instituição financeira, enquanto o golpista tenta obter dados ou induzir transferências.
Também são citadas fraudes em que o autor alega bloqueio, invasão ou erro grave na conta para criar sensação de urgência, além de cobranças por serviços inexistentes ou não contratados. A proposta do sistema, conforme a publicação, é reduzir esse tipo de abordagem ao permitir a verificação da autenticidade da origem da chamada.