As células solares de perovskita voltaram ao centro das discussões sobre energia em 23 de março de 2026, em meio a um cenário de pressão sobre o mercado global de petróleo e de busca por cadeias produtivas mais resilientes. O tema envolve empresas, centros de pesquisa e fabricantes na Europa e nos Estados Unidos, com iniciativas voltadas à redução de custos, ao ganho de eficiência e à ampliação da produção em escala. Para o Brasil, que tem expandido a geração solar fotovoltaica e já conta com uma cadeia ligada à instalação de sistemas e equipamentos, avanços que prometem baratear módulos ou ampliar aplicações podem influenciar o setor nacional no médio prazo. De acordo com informações da CleanTechnica, o movimento também é apresentado como uma forma de reduzir a dependência de fornecedores externos.
O material perovskita passou a chamar atenção no setor solar desde 2009, quando seu potencial de conversão de energia começou a ser demonstrado. Desde então, pesquisadores vêm tentando aumentar a eficiência da tecnologia e, ao mesmo tempo, contornar limitações de estabilidade e durabilidade do material. Em paralelo, a indústria busca métodos de fabricação de menor custo, com destaque para sistemas do tipo roll-to-roll, nos quais a célula pode ser aplicada em solução sobre filmes flexíveis, em processo comparado à impressão de um jornal.
O que está impulsionando a nova rodada de investimentos em perovskita?
Um dos anúncios citados na reportagem original ocorreu em 11 de março, quando a organização independente de pesquisa TNO, dos Países Baixos, informou a criação do empreendimento Pervion Technologies, voltado à fabricação de células solares de perovskita. A proposta inicial é atender segmentos em que já exista demanda por módulos solares flexíveis, com expectativa de acelerar a chegada de aplicações ao mercado.
“A Pervion está inicialmente focada em segmentos de mercado nos quais a demanda por células solares flexíveis já é clara”, explicou o CEO da Pervion, Stefan van de Beek, em declaração reproduzida pela reportagem.
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“Junto com integradores de módulos e parceiros industriais, estamos desenvolvendo aplicações que podem chegar ao mercado com relativa rapidez. A partir dessas primeiras aplicações, pretendemos avançar para uma produção europeia em larga escala”, acrescentou van de Beek em comunicado.
Segundo a TNO, a tecnologia poderá ser usada em locais onde painéis convencionais apresentam limitações de peso ou rigidez, como telhados leves, fachadas, veículos e edifícios históricos. A organização também relaciona a aposta na produção regional à redução da dependência de importações asiáticas e ao fortalecimento da economia europeia. Esse plano está ligado à ideia de uma rede de fábricas de perovskita roll-to-roll na Europa, em parceria com SolarNL e Solliance.
Como a tecnologia aparece hoje nos Estados Unidos?
Nos Estados Unidos, a reportagem destaca outra frente de desenvolvimento: as células solares tandem, que combinam uma ou mais camadas de perovskita com silício. O silício continua sendo a referência no mercado por sua durabilidade e pela eficiência já consolidada, mas a inclusão da perovskita é tratada como alternativa para elevar o desempenho e, potencialmente, reduzir o custo total da energia solar. No Brasil, onde a base instalada do setor é majoritariamente formada por módulos de silício, uma evolução comercial dessa tecnologia poderia ampliar o leque de produtos disponíveis para geração distribuída e usinas solares.
O texto afirma que uma eficiência maior pode repercutir no custo de instalação de usinas e sistemas fotovoltaicos, com impactos em itens como hardware, transporte, aquisição de terrenos, preparação de áreas e manutenção. Também menciona possíveis benefícios para aplicações agrivoltaicas, em razão do aproveitamento do espaço e da configuração dos arranjos solares.
- Redução potencial do custo de fabricação
- Busca por maior eficiência de conversão
- Interesse em produção local ou regional
- Expansão de aplicações em superfícies flexíveis
Quais empresas e instituições foram citadas na reportagem?
Na Califórnia, a empresa Tandem PV aparece como uma das companhias acompanhadas pelo setor. A reportagem informa que a California Energy Commission, órgão de energia do governo da Califórnia, concedeu em julho do ano passado uma subvenção de US$ 4 milhões para testes e validação por terceiros. O texto também menciona a avaliação de que o apoio federal à indústria solar doméstica perdeu força, enquanto alguns estados mantêm iniciativas próprias.
Outra frente mencionada envolve a tecnologia de filme fino de telureto de cádmio, ou CdTe. Nesse segmento, a empresa First Solar, sediada em Ohio, é apresentada como referência no mercado dos Estados Unidos. A reportagem cita pesquisas da University of Toledo e do National Renewable Energy Laboratory (NREL), segundo as quais a indústria doméstica de CdTe poderia chegar a uma capacidade de fabricação de 100 gigawatts por ano até 2030, em condições favoráveis.
A First Solar também anunciou, segundo o texto, um acordo de licenciamento de patente com a britânica Oxford Photovoltaics Limited. A definição prevista nesse acordo é que a First Solar aplique perovskita à sua tecnologia de filme fino CdTe, enquanto a Oxford PV permanece na área de silício.
“A licença não exclusiva abre caminho para que a First Solar continue avançando no desenvolvimento de dispositivos fotovoltaicos que empregam um semicondutor de perovskita, com aplicações potenciais nos mercados americanos de usinas de grande porte, comercial, industrial e residencial”, explicou a empresa.
Quais são os próximos passos apontados pelo texto?
A reportagem afirma que fabricantes americanos de tecnologia solar observam a marca de 100 gigawatts como referência para expansão industrial. Também menciona declarações atribuídas a Elon Musk sobre a intenção de adicionar 100 gigawatts de energia solar à rede dos Estados Unidos.