O Sri Lanka enfrenta temperaturas elevadas desde março de 2026, com previsão de calor persistente até meados de maio e índice de calor entre 39°C e 45°C, segundo autoridades meteorológicas. O Departamento de Meteorologia emitiu um alerta âmbar para várias províncias, incluindo a Província Ocidental, enquanto especialistas afirmam que as condições atuais são improváveis de estarem ligadas ao El Niño. De acordo com informações da Mongabay Global, o calor seco já afeta a rotina de trabalhadores informais, comerciantes e moradores em Colombo e em outras áreas do país. O tema tem relevância internacional porque o El Niño e a La Niña influenciam padrões climáticos em diferentes regiões do planeta, inclusive no Brasil, onde esses fenômenos costumam afetar o regime de chuvas e as temperaturas.
No mercado de Pettah, um dos mais movimentados do distrito de Colombo, capital econômica do Sri Lanka, vendedores seguem trabalhando ao ar livre apesar das altas temperaturas. Sandya Jayasekara, que vende cocos-rei, relatou à publicação que a combinação entre calor extremo e queda nas vendas tem agravado sua situação financeira, já que depende da atividade para custear o próprio tratamento médico.
“Vendo cocos-rei desde muito jovem. Mas as vendas estão excepcionalmente baixas agora porque o preço do coco-rei varia. O calor é insuportável e às vezes minha pele fica vermelha, mas não posso me dar ao luxo de ficar em casa.”
O que diz o alerta emitido pelas autoridades meteorológicas?
O boletim mais recente do Departamento de Meteorologia classifica a situação como alerta âmbar, nível que indica necessidade de preparação e cautela. Segundo Meril Mendis, diretor de previsão e apoio à decisão do órgão, a escala utilizada tem três níveis: amarelo para atenção, âmbar para preparo e vermelho para ação. Ele ressaltou, porém, que o tempo quente costuma ocorrer nesta época do ano no país.
Mendis explicou ainda que a sensação térmica, medida pelo índice de calor, costuma ficar entre dois e três graus acima da temperatura ambiente. No sábado, 28 de março de 2026, a maior temperatura registrada foi de 39°C no distrito de Anuradhapura, na região centro-norte, enquanto Colombo também marcou 39°C. De acordo com ele, as atuais condições atmosféricas devem continuar até meados de maio e tendem a afetar a produtividade da população.
- Índice de calor previsto entre 39°C e 45°C
- Alerta âmbar em várias províncias, incluindo a Ocidental
- Persistência do calor até meados de maio
- Recomendação de hidratação e pausas durante o trabalho
Como o calor afeta trabalhadores e moradores no dia a dia?
Médicos consultados na reportagem recomendaram que a população mantenha hidratação constante e faça intervalos durante o expediente para reduzir riscos associados ao calor extremo. Ainda assim, muitos trabalhadores informais dizem não ter alternativa além de continuar nas ruas.
Marimuththu Maheshwaran, vendedor de frutas no mercado de Pettah, afirmou que o calor reduziu o fluxo de clientes justamente às vésperas do período de Ano-Novo tradicional, celebrado em meados de abril. Segundo ele, permanecer em casa não é uma opção porque a renda diária depende das vendas.
“As autoridades vão nos pedir para ficar em locais fechados, mas também precisamos trabalhar. Por causa desse calor, não temos muitos clientes. Precisamos vender para cobrir os custos. Caso contrário, não vamos receber. A temporada de Ano-Novo está chegando, mas esse calor deve afetar severamente minhas vendas.”
Por que especialistas dizem que o calor atual não deve ser atribuído ao El Niño?
O climatologista Ranjith Punyawardena, ex-presidente do Comitê Diretivo Nacional sobre Adaptação às Mudanças Climáticas, afirmou que março e abril são tradicionalmente os meses mais quentes no Sri Lanka. Segundo ele, isso ocorre porque o sol fica diretamente sobre a ilha duas vezes por ano, em um fenômeno conhecido como posição zenital, observado no início de abril e no início de setembro.
Nesse período, a incidência perpendicular dos raios solares aumenta a radiação recebida pela superfície, aquecendo o solo e a atmosfera. Ao mesmo tempo, ventos mais fracos favorecem maior umidade, o que dificulta a evaporação do suor e amplia a sensação de desconforto térmico. Punyawardena também observou que áreas urbanas densamente povoadas e com grande concentração de concreto sofrem com o efeito de ilha de calor urbana, que eleva as temperaturas em relação a zonas rurais ou com maior cobertura vegetal.
Em que fase está o fenômeno climático no momento?
Charitha Pattiaratchi, professor de oceanografia costeira da Universidade da Austrália Ocidental, disse que os indicadores atuais mostram a saída de uma fase fraca de La Niña e a entrada em uma fase neutra. Segundo ele, os modelos globais apontam para a possibilidade de transição para El Niño em maio, com consolidação entre julho e agosto, mas o fenômeno ainda não está em curso neste momento.
De acordo com o pesquisador, previsões indicam temperaturas mais altas em cerca de 1°C, mas a combinação atual de calor e umidade no Sri Lanka dificilmente pode ser atribuída ao El Niño neste estágio. Ele acrescentou que eventos anteriores do fenômeno influenciaram o regime de chuvas no país, mas que ainda não é possível definir com precisão como serão os padrões de precipitação nos próximos meses.
