Os cães de resgate do CBMCE, unidade do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, são empregados em operações de busca e salvamento em áreas urbanas e rurais, inclusive em cenários extremos como enchentes, desabamentos e matas densas. Neste domingo, 26 de abril de 2026, quando é celebrado o Dia Internacional do Cão de Busca e Resgate, a atuação da Companhia de Busca com Cães foi destacada no Ceará por sua capacidade de localizar vítimas com rapidez em situações em que o tempo de resposta é decisivo. De acordo com informações do Governo do Ceará, a corporação também participa de ações interestaduais e mantém rotina de formação e certificação dos animais.
Criada há quase 18 anos, a CBCães integra o Batalhão de Busca e Salvamento do CBMCE e atua na localização de vítimas em ocorrências complexas, como desabamentos e deslizamentos de terra. Segundo o material divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, a companhia também auxilia a Polícia Militar do Ceará e a Polícia Civil do Estado do Ceará em diferentes operações.
Como funciona a atuação dos cães de busca e resgate?
Segundo a corporação, os cães são considerados uma ferramenta importante em desastres naturais por reunirem agilidade, versatilidade e faro apurado. O texto informa que, enquanto equipamentos como drones oferecem visão aérea, os cães operam pela detecção de odores humanos mesmo sob escombros, lama ou vegetação fechada, onde tecnologias de imagem ou sensores podem sofrer interferência.
O 1º tenente BM Amaury, subcomandante do CBCães, explicou o diferencial desse trabalho ao descrever a velocidade de varredura em campo.
“Um cão varre uma área em minutos que levaria horas para uma tropa a pé. O diferencial da CBCães é que a nossa ferramenta de trabalho é um ser biológico e ele depende de nós o tempo todo, inclusive alguns cães moram com o seu condutor. Hoje atuamos com protocolos nacionais de certificação, garantindo que o cão tenha o mesmo nível de excelência em qualquer estado do Brasil”
O capitão Eliomar, comandante do CBCães, também definiu a atividade de Busca, Resgate e Salvamento com o Emprego de Cães como uma das ferramentas mais eficientes para localização de pessoas desaparecidas em áreas de mata, em desastres ou em regiões de difícil acesso.
“Os cães têm um super poder, o faro, com capacidade extraordinária de detecção de odores, entre eles os dos humanos. Esses cães de resgate são capazes de reduzir significativamente o tempo de resposta nas ocorrências, aumentando as chances de sobrevivência das vítimas e contribuindo diretamente para o sucesso das missões”
Como é o treinamento e a certificação desses animais?
De acordo com a reportagem, a formação dos cães começa nos primeiros meses de vida, com foco em socialização, coragem, curiosidade e motivação por recompensa. No CBCães, o método adotado é o reforço positivo, em que o animal associa a localização do odor humano ao recebimento de seu brinquedo favorito.
Sobre esse processo, o tenente Amaury detalhou o comportamento esperado do animal durante a busca.
“O latido é uma indicação ativa pois é a ‘comunicação’ que ele aprende para dizer ao condutor: ‘Encontrei, quero meu brinquedo!’. É um condicionamento onde ele entende que o latido atrai a recompensa”
O texto também destaca que os cães precisam ser certificados pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares, vinculado à Liga dos Bombeiros Militares do Brasil. A primeira certificação leva, em média, de 18 a 24 meses de treino diário. Segundo a corporação, essa padronização busca assegurar critérios semelhantes de desempenho entre os cães treinados pelos corpos de bombeiros militares do país.
Outro ponto considerado central é a relação entre o bombeiro militar condutor e o cão, dupla chamada de binômio. Essa ligação, construída no cotidiano, exige leitura constante dos sinais corporais do animal e, em alguns casos, inclui convivência fora do ambiente de trabalho. Atualmente, o CBCães conta com 14 cães, sendo nove certificados e cinco em treinamento.
Em quais operações recentes os cães do CBMCE foram empregados?
Entre os exemplos citados está a mobilização do CBMCE durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. Na ocasião, o órgão enviou uma equipe com 12 bombeiros militares, dois cães, três viaturas de salvamento, dois botes e equipamentos para os trabalhos de busca e resgate.
O tenente Amaury relatou que esse tipo de cenário impõe desgaste maior para equipes e animais.
“O odor fica ‘preso’ ou se desloca com a água. Exige cães com muita força física para nadar e caminhar e até mesmo em embarcações, ou seja precisa de cães experientes, durante as provas de certificação existe uma etapa em que o cão tem que localizar um artigo de odor submerso, devemos também atentar para a higienização rigorosa para evitar doenças como a leptospirose tanto no animal quanto no condutor, descontaminação de metais pesados como a ocorrência de brumadinho”
Outra atuação mencionada ocorreu em 14 de janeiro deste ano, quando o CBMCE enviou cinco bombeiros militares, quatro cães com Certificação Nacional Ligabom e drones com câmeras térmicas para ajudar nas buscas por duas crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão.
Segundo o oficial, esse tipo de ocorrência exige estratégia própria.
“Porque elas costumam se esconder ou não responder a chamados por medo. O cão é vital porque ele não depende da resposta da criança, apenas do cheiro. O preparo envolve treinar o cão para localizar alvos menores e em deslocamento constante. Nessa ocorrência enviamos quatro cães, dois de varredura e dois de odor específico. Infelizmente tivemos a perda da cadela Iara de odor específico, mas a cadela Dora conseguiu trilhar exatamente o percurso que as crianças fizeram até o Último Local Visto (ULV)”
- CBCães foi criada há quase 18 anos.
- A primeira certificação dos cães leva, em média, de 18 a 24 meses.
- Atualmente, a unidade conta com 14 cães.
- Nove animais estão certificados e cinco seguem em treinamento.
Além das operações de emergência, a companhia também desenvolve terapias assistidas por animais, com atendimentos na própria unidade e ações voltadas a pacientes em hospitais e instituições, segundo o material oficial.