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BYD planeja expansão no Canadá com a abertura de 20 novas concessionárias

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A montadora chinesa BYD confirmou que planeja o lançamento de 20 concessionárias de veículos em todo o Canadá ainda neste ano. O movimento representa uma entrada agressiva da companhia asiática no mercado norte-americano, desafiando barreiras tarifárias e a tradicional concorrência local para comercializar seus veículos elétricos e híbridos.

De acordo com informações da CleanTechnica, que repercute dados originais do jornal Globe and Mail, as discussões já estão avançadas para a instalação de três unidades na cidade de Toronto, na província de Ontário. Além disso, o planejamento estratégico da montadora engloba a abertura de pontos de venda em Montreal, Vancouver e Calgary.

Por que a escolha por Ontário é considerada estratégica?

O foco inicial na província de Ontário chama a atenção de especialistas do setor automotivo por se tratar de uma região historicamente ligada à indústria automobilística de Detroit, nos Estados Unidos. A política local possui fortes laços com sindicatos automotivos, o que a torna um território potencialmente hostil para as fabricantes chinesas.

Apesar de abrigar uma grande parcela da população canadense, a participação de mercado dos veículos elétricos em Ontário é de apenas seis e meio por cento. Esse índice é inferior à metade do que é registrado na Colúmbia Britânica (17,1%) ou em Quebec (17,7%). Juntas, essas três províncias respondem pela vasta maioria das vendas de veículos elétricos no Canadá. A investida em Ontário, no entanto, ganha sentido sob a perspectiva de que a empresa asiática pode assumir capacidades de produção ociosas na região para iniciar a fabricação local.

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Como o clima frio do Canadá afeta os planos automotivos?

A expansão para Calgary, na província de Alberta, representa outro desafio peculiar, visto que as temperaturas na região são extremamente baixas e a adoção de veículos elétricos atinge somente quatro por cento de participação no mercado. Contudo, as novas tecnologias de baterias desenvolvidas pela fabricante têm demonstrado alta eficiência no frio severo.

Os testes revelam que os veículos da empresa conseguem atingir 97% de carga por meio de um sistema de recarga rápida em apenas 12 minutos sob temperaturas de 30 graus Celsius negativos. Esse desempenho ocorre mesmo com a bateria fria e sem a necessidade de pré-condicionamento. Aliada à autonomia ampliada, essa capacidade técnica pode tornar a eletrificação uma opção mais atraente para os consumidores locais.

Quais modelos e tecnologias devem desembarcar no mercado?

A infraestrutura de carregamento também pode passar por transformações com a chegada da companhia. Atualmente, o país possui as seguintes estatísticas de infraestrutura de carregamento:

  • Cerca de 2.700 locais com estações de recarga de corrente contínua.
  • Um total de 8.491 portas de carregamento disponíveis nacionalmente.
  • No nível de potência acima de 350 volts, existem apenas 237 estações em funcionamento.

Com a capacidade de implantar estações de recarga ultrarrápida de forma ágil, a montadora tem o potencial de alterar o cenário nacional. Além dos modelos totalmente elétricos, o mercado canadense deve receber veículos híbridos, como a nova versão atualizada da picape Shark. O modelo foi recentemente equipado com um extensor de autonomia de dois litros, motores mais potentes de 350 quilowatts e maior capacidade de reboque, características procuradas em diversas regiões norte-americanas.

Como as tarifas de importação influenciam a estratégia de produção?

Atualmente, as regulamentações canadenses permitem a importação de 49 mil veículos elétricos da China, número que deve subir para 70 mil unidades nos próximos anos. Para contornar possíveis restrições governamentais, a companhia tem ampliado sua capacidade de produção fora do território chinês. O mercado poderá ser abastecido com veículos importados de fábricas instaladas em outros países.

A fabricante possui operações e unidades produtivas em países como o Brasil, Tailândia e Indonésia. Adicionalmente, a companhia figura como uma das principais interessadas na aquisição de uma fábrica da Nissan no México. Uma eventual produção local poderia suprir uma fatia substancial da demanda e facilitar a logística comercial.

O início das operações com 20 lojas exige um investimento expressivo e envolve complexidades logísticas relacionadas a peças, suprimentos e treinamento de equipes de serviço. Como as normas regulatórias do Canadá são harmonizadas com as dos Estados Unidos, os veículos aprovados para o mercado canadense também atendem aos padrões estadunidenses, o que pode abrir portas futuras para o comércio de carros usados entre as nações fronteiriças e fortalecer a presença asiática na região.

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