Uma pesquisa da Universidade de Curtin, publicada em 23 de abril de 2026 na revista Nature, calculou pela primeira vez a potência exata dos jatos de energia lançados por buracos negros no sistema Cygnus X-1. O estudo mostra que essas correntes de matéria atingem cerca de 150 mil quilômetros por segundo, o equivalente à metade da velocidade da luz, e liberam energia comparável à de dez mil sóis. De acordo com informações da Revista Fórum, a descoberta amplia a compreensão sobre como esses objetos extremos redistribuem energia no universo.
A pesquisa se concentrou no funcionamento dos jatos emitidos por um buraco negro, fenômeno que ocorre quando parte da matéria ao redor do objeto não é absorvida e acaba sendo expelida em alta velocidade em direções opostas. Segundo os pesquisadores citados no texto original, cerca de dez por cento da energia gerada no disco de acreção é desviada para esses fluxos, o que ajuda a explicar a intensidade observada em Cygnus X-1.
Como os cientistas conseguiram medir a potência desses jatos?
Embora buracos negros não emitam luz diretamente, a região ao redor deles pode ser observada por causa do material que gira em alta velocidade em seu entorno. Esse material forma um disco em rotação acelerada, e parte dele é expelida em jatos. Para chegar à nova medição, a equipe utilizou uma rede internacional de radiotelescópios, capaz de acompanhar mudanças no comportamento desses fluxos ao longo do tempo.
De acordo com a descrição do estudo, os pesquisadores observaram variações causadas por ventos estelares, que alteram o movimento dos jatos. A partir dessas oscilações, foi possível estimar a energia liberada em um instante específico, sem depender apenas de cálculos médios. O método, segundo o texto, representa um avanço importante na observação desse tipo de fenômeno.
O que os resultados mostram sobre Cygnus X-1?
Os dados apresentados indicam que os jatos de Cygnus X-1 alcançam uma velocidade próxima de 150 mil quilômetros por segundo e uma potência comparável à energia de dez mil sóis. O estudo também aponta que uma parcela relevante da energia produzida no disco de acreção é canalizada para esses fluxos, em vez de permanecer apenas no entorno imediato do buraco negro.
Os principais pontos destacados no artigo são:
- velocidade dos jatos em torno de 150 mil km/s;
- energia equivalente à de dez mil sóis;
- desvio de cerca de dez por cento da energia do disco de acreção para os jatos;
- uso de uma rede internacional de radiotelescópios para a medição.
Por que essa descoberta é relevante para a astronomia?
Além de confirmar previsões teóricas, o estudo sugere que esses jatos podem alterar o ambiente ao redor do buraco negro e ter papel relevante na formação de galáxias. Essa conclusão amplia o entendimento sobre a dinâmica do universo e sobre a forma como grandes quantidades de energia são transportadas pelo espaço.
Ao medir a potência dos jatos em um momento específico, os cientistas acrescentam uma referência mais precisa ao estudo desses sistemas extremos. Com isso, a pesquisa publicada na Nature oferece um novo parâmetro para futuras análises sobre buracos negros, discos de acreção e os efeitos desses processos em escala cósmica.