O Banco de Brasília (BRB) deverá reservar cerca de R$ 8 bilhões em seu balanço para cobrir perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. A informação foi divulgada pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, nesta segunda-feira (2), após uma reunião de 11 horas com deputados distritais na Câmara Legislativa do Distrito Federal. De acordo com informações do Jornal de Brasília, o encontro teve como objetivo discutir o projeto de lei do governo do Distrito Federal para socorrer o banco. O governo do DF é o acionista controlador do BRB.
Segundo Nelson de Souza, a definição do valor foi “bastante conservadora”. Ele também mencionou que auditorias do Banco Central e da Machado Meyer, além de outros órgãos de controle e reguladores, acompanham o caso. As auditorias indicam uma provisão de aproximadamente R$ 8 bilhões e um aporte de capital de até R$ 6,6 bilhões.
Um interlocutor a par das discussões informou que o valor necessário para provisionamento é atualmente de R$ 8,8 bilhões. Investigações apontam que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Master, mas o banco afirma ter recuperado cerca de R$ 10 bilhões desse montante no ano passado.
Diante desse cenário, o Banco Central determinou inicialmente que o BRB provisionasse R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas. Aílton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, declarou em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, que o banco poderia precisar de até R$ 5 bilhões devido à baixa qualidade dos ativos recebidos do Master.
Quais as alternativas para capitalizar o BRB?
De acordo com o presidente do BRB, a principal alternativa é a criação de um fundo de investimento imobiliário com propriedades oferecidas pelo governo do Distrito Federal. “O plano principal hoje seria pegar uma carteira toda do Master e fazer um fundo de investimento em direitos creditórios. Porém, não podemos vender o nosso ativo por um valor que não esteja adequado. Queremos ter um ‘valuation’ [avaliação] primeiro para não ter que vender abaixo do valor real”, explicou Souza.
Souza acrescentou que, como o valor deve ser aportado pelo BRB, é natural que o banco fique com as cotas subordinadas. Os imóveis foram avaliados em R$ 6,486 bilhões, conforme estimativa apresentada por representantes da Terracap na reunião. Esse valor não consta no projeto de lei.
Quais outras opções estão sendo consideradas?
Além do fundo imobiliário, o presidente do BRB mencionou a possibilidade de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um empréstimo junto a um consórcio de bancos. Ele também mencionou a venda de participações em subsidiárias e a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com a carteira do Master, avaliada em R$ 21,9 bilhões.
A venda da Financeira BRB, cujo principal produto é o crédito consignado, poderia render R$ 1,1 bilhão. A possibilidade de negociar as subsidiárias foi levada a representantes do BC em reuniões recentes.
Qual a importância da aprovação do projeto de lei?
O presidente do BRB insistiu na necessidade de aprovação do projeto de lei apresentado pelo governo do Distrito Federal. “Eu entendo que os deputados precisam formar convicção. Nós trouxemos todas as informações necessárias para que eles possam votar de maneira contundente e dar o voto para o Banco de Brasília se tornar cada vez mais sólido e forte”, afirmou.
Na versão substitutiva do texto, está previsto um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito com o FGC ou com instituições financeiras. A proposta também inclui uma lista de nove imóveis que poderão ser vendidos, transferidos, usados como garantia em empréstimos ou na estruturação de fundos de investimento imobiliário.
O governo Ibaneis Rocha (MDB) tentará votar o projeto para capitalização do BRB nesta terça-feira (3), mas parlamentares da base e da oposição defendem ajustes no texto e consideram a possibilidade de adiamento.
O BRB propôs a seus acionistas um aumento do capital social do banco de até R$ 8,86 bilhões. A proposta será votada em assembleia extraordinária no dia 18 de março, condicionada à aprovação da proposta do GDF.
