A BP informou nesta terça-feira, 14 de abril, que espera registrar um resultado “excepcional” em sua mesa de negociação de petróleo no primeiro trimestre, em meio à forte volatilidade do mercado de energia provocada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A companhia divulgou a avaliação ao atualizar o mercado sobre seu desempenho, enquanto os preços do petróleo sobem com o fechamento efetivo do estreito de Ormuz e a pressão sobre a oferta global. De acordo com informações do Guardian Environment, analistas também elevaram suas projeções de lucro para a empresa.
Segundo a BP, as margens de refino melhoraram no período e o desempenho da área de trading de petróleo deve se destacar no primeiro trimestre do ano financeiro. A rival Shell já havia informado na semana passada que esperava lucros “significativamente maiores” em suas operações de negociação de petróleo no trimestre.
Por que a BP espera ganhos mais fortes no trimestre?
A expectativa da empresa está ligada à instabilidade nos mercados de energia após a interrupção do fluxo pelo estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo. Com isso, operadores passaram a atuar em um ambiente de oscilação intensa de preços, o que pode ampliar ganhos em atividades de comercialização.
O banco Citi elevou em 20% sua estimativa para o lucro líquido ajustado da BP no período entre janeiro e março, para US$ 2,6 bilhões. Ao mesmo tempo, a produção de petróleo e gás da empresa deve permanecer praticamente estável nos três primeiros meses do ano, segundo a própria atualização divulgada pela companhia.
Como os preços do petróleo reagiram ao conflito?
O Brent, referência global do petróleo, subiu de cerca de US$ 61 por barril em janeiro para US$ 119,50 algumas semanas depois, após o fechamento efetivo da rota. Na segunda-feira, o preço voltou a superar US$ 100 por barril e, na terça-feira, recuou 1%, para US$ 98,28.
De acordo com dados citados no texto original, o Brent teve média de aproximadamente US$ 78 por barril entre janeiro e março, acima dos US$ 63 do quarto trimestre e dos US$ 75 registrados no mesmo período do ano anterior. No mercado financeiro, o JP Morgan Chase espera preços acima de US$ 100 por barril no segundo trimestre, enquanto o Goldman Sachs reduziu sua projeção média para US$ 90, ante US$ 99 anteriormente.
O que dizem os indicadores de oferta e demanda global?
A atualização da BP ocorreu no mesmo momento em que a Agência Internacional de Energia revisou para baixo sua previsão de demanda global por petróleo neste ano. Em seu relatório mais recente sobre o mercado, a entidade afirmou que tanto a oferta quanto a demanda devem ser reduzidas em razão do conflito no Oriente Médio.
A nova projeção aponta queda de 80 mil barris por dia na demanda mundial em 2026. No mês anterior, a expectativa era de alta de 640 mil barris diários. Se confirmada, seria a primeira retração anual desde a pandemia de Covid-19, em 2020.
A agência também informou que a oferta global de petróleo caiu mais de 10 milhões de barris por dia em março, para 97 milhões. Segundo o relatório, ataques contínuos à infraestrutura energética no Oriente Médio e restrições à circulação de navios-tanque pelo estreito provocaram a maior interrupção já registrada.
Quais são os próximos marcos para a companhia?
Além do desempenho em trading, a BP afirmou que as margens de refino subiram para US$ 16,9 por barril no primeiro trimestre, frente a US$ 15,2 nos três meses anteriores. A empresa estima que esse movimento acrescente entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões ao resultado de produtos refinados.
Os próximos compromissos públicos da companhia já têm data definida:
- 23 de abril: assembleia anual com acionistas
- 28 de abril: divulgação dos resultados do primeiro trimestre
O texto também informa que Meg O’Neill, que neste mês se tornou a quinta presidente-executiva da BP desde 2020, prometeu manter a mudança estratégica iniciada por seu antecessor, com maior foco em petróleo e gás e menor ênfase em projetos de baixo carbono, em busca de rentabilidade.