O Botafogo divulgou um laudo de avaliação econômica da SAF que aponta uma dívida de R$ 1,6 bilhão no curto prazo, com vencimento nos próximos 12 meses, além de projeções esportivas conservadoras que indicam ausência da Libertadores entre 2027 e 2035. O documento foi elaborado pela Meden Consultoria com base no fluxo de caixa e em demonstrações financeiras e foi noticiado em 11 de abril de 2026. De acordo com informações do UOL Esporte, o relatório descreve risco à continuidade operacional do clube devido ao passivo elevado, aos prejuízos recorrentes e à dependência da venda de atletas para sustentar as contas.
Segundo o laudo, o passivo circulante reúne diferentes compromissos financeiros. Desse total, R$ 880,7 milhões correspondem a dívidas com fornecedores, incluindo empresas prestadoras de serviço, parcelas de compras de jogadores junto a outros clubes, além de débitos tributários e com partes relacionadas. Já o passivo não circulante, com vencimento superior a um ano, foi estimado em R$ 1,1 bilhão, levando a dívida total da SAF a R$ 2,7 bilhões.
O que o laudo diz sobre a situação financeira do Botafogo?
O documento aponta um cenário classificado como de calamidade e afirma que há risco à continuidade operacional do clube. O relatório também indica valor econômico negativo de R$ 489,1 milhões para a SAF. Na prática, a avaliação sugere um quadro de desequilíbrio econômico-financeiro, marcado por prejuízos recorrentes, necessidade elevada de capital e dependência de fontes externas de financiamento.
Os números mais recentes citados no laudo ajudam a dimensionar esse quadro. Em 2025, os custos operacionais chegaram a R$ 892 milhões, enquanto o prejuízo do exercício foi de R$ 287 milhões. Nesse contexto, a negociação de jogadores aparece como principal mecanismo de sustentação financeira. No ano passado, a receita com venda de atletas alcançou R$ 733,3 milhões, acima dos R$ 96 milhões registrados no ano anterior.
Como ficam as projeções esportivas para os próximos anos?
As estimativas esportivas e financeiras para a próxima década foram tratadas de forma conservadora. Após disputar a terceira fase da Libertadores em 2026, o Botafogo aparece nas projeções como ausente da competição continental entre 2027 e 2035. No Campeonato Brasileiro, a expectativa é de campanhas entre a sétima e a 12ª posição.
Nas copas, o cenário projetado também é mais modesto. De acordo com o laudo, a tendência seria de chegadas recorrentes apenas até as quartas de final na Copa do Brasil e na Sul-Americana. Esse desempenho, segundo o documento, afeta diretamente a geração de receitas, especialmente com premiações e bilheteria.
- Dívida de curto prazo: R$ 1,6 bilhão
- Passivo não circulante: R$ 1,1 bilhão
- Dívida total da SAF: R$ 2,7 bilhões
- Custos operacionais em 2025: R$ 892 milhões
- Prejuízo em 2025: R$ 287 milhões
Qual é o papel da venda de jogadores nesse cenário?
O laudo afirma que as receitas recorrentes, como direitos de transmissão, marketing e bilheteria, não seriam suficientes para equilibrar as contas e enfrentar o passivo acumulado sem a venda de atletas. As projeções indicam crescimento dessa fonte de receita de R$ 360 milhões em 2026 para R$ 767 milhões em 2035, como forma de garantir margens operacionais positivas e compensar o avanço dos custos fixos.
Nesse contexto, o texto original informa que jogadores importantes do elenco, como os meias Danilo e Álvaro Montoro, podem ser negociados já na janela de transferências de julho. A possibilidade é apresentada como consequência da necessidade de geração de caixa diante da estrutura de despesas e do endividamento apontados pelo laudo.
Que medidas John Textor anunciou diante do quadro?
Diante do cenário descrito no relatório, John Textor, dono da SAF do Botafogo, convocou para 20 de abril uma Assembleia Geral Extraordinária. A proposta, segundo a reportagem, é apresentar um aporte de US$ 25 milhões, cerca de R$ 125 milhões, por meio da emissão de novas ações da SAF.
“A convocação foi encaminhada na última sexta (10) à noite ao Botafogo Futebol e Regatas e ao Administrador Judicial da Eagle Bidco. A participação e o direito de voto do mencionado Administrador Judicial na AGE estão garantidos, embora isso ainda seja um tema objeto de controvérsia jurídica, que deverá ser solucionado no foro competente”
“A SAF Botafogo vislumbra essa iniciativa como uma via transparente e essencial para que todos os interessados possam concentrar esforços para possibilitar a superação de todos os desafios enfrentados”
A reportagem também informa que a SAF está em atraso no pagamento de uma parcela de R$ 1,4 milhão do Regime Centralizado de Execuções, acordo judicial voltado ao pagamento de dívidas trabalhistas em bloco único. Segundo o texto, o atraso prevê multa de 20%, que sobe para 50% se alcançar dois meses. Caso chegue a três meses, o regime expira e o clube volta a ficar sujeito à penhora de bens e valores.