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Biometano ganha novos dutos e distribuidoras investem milhões no Brasil

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O mercado de energia renovável no Brasil vive um momento de expansão estrutural com o avanço físico das redes de distribuição. As principais empresas do setor estão destinando aportes financeiros significativos para a construção de novos gasodutos focados exclusivamente na captação e distribuição do biometano. A estratégia visa conectar as usinas produtoras aos consumidores finais ou misturar o gás renovável diretamente nas linhas de gás natural canalizado já existentes, atendendo regiões que historicamente careciam dessa infraestrutura.

De acordo com informações do Valor Empresas, o movimento de ampliação ocorre em diversos estados brasileiros, com metas estabelecidas para o decorrer desta década. A Compagas, atuante no estado do Paraná, lidera parte desse processo com a aplicação de R$ 100 milhões para desenvolver duas novas malhas no norte paranaense até o ano de 2029.

Como estão distribuídos os investimentos no sul do país?

A operação da distribuidora paranaense já demonstra resultados práticos. Apenas entre os municípios de Londrina e Cambé, foram integrados quatro quilômetros de tubulações à rede atual. Simultaneamente, a companhia trabalha na implantação de outros 20 quilômetros na cidade de Maringá, com a expectativa de iniciar o fornecimento ainda neste semestre. O combustível é gerado na cidade de Tamboara, a partir de resíduos do setor sucroalcooleiro, e transportado por rodovias até as bases de injeção da região Sul.

O foco inicial da comercialização tem um alvo bem definido pelas concessionárias.

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“Os consumidores industriais são o público prioritário na fase inicial da operação”

, explica Eudes Furtado Filho, diretor-executivo da companhia estadual. A projeção aponta que a região atinja cerca de três mil unidades consumidoras, com um potencial de demanda calculado em 30 mil metros cúbicos diários por rede. A empresa também avalia direcionar mais R$ 50 milhões para conectar usinas na região metropolitana de Curitiba.

No Rio Grande do Sul, a Sulgás concluiu a aplicação de R$ 6 milhões em uma linha de quatro quilômetros no Polo Petroquímico do Sul, em Triunfo. A estrutura conecta o gás gerado a partir de resíduos de frigoríficos e da agroindústria diretamente à malha de distribuição, com a perspectiva de criar um polo regional gaúcho até o ano de 2027.

Quais são os projetos de expansão para as outras regiões brasileiras?

O cenário no Centro-Oeste ganha destaque por ser uma região que ainda não possui redes de gás natural. O estado de Goiás estrutura um gasoduto para ligar uma futura usina na cidade de Guapó até a base de abastecimento de transporte público na região metropolitana de Goiânia. A obra, de responsabilidade da Goiasgás, tem término agendado para 2028, período em que o estado planeja operar 500 ônibus adaptados para o combustível.

No Nordeste, o estado de Pernambuco atua há um ano com a injeção do insumo em seu sistema. A Copergás investiu R$ 6,7 milhões na conexão de uma usina em Jaboatão dos Guararapes, que processa resíduos sólidos urbanos.

“Esse arranjo cria as bases para que o biometano possa atingir, em 2026, cerca de 8% do volume total distribuído”

, afirma Roberto Zanella, diretor técnico-comercial da concessionária pernambucana.

Por que o biometano atrai a atenção do mercado energético?

A descentralização promovida por essa matriz energética permite a criação de soluções locais e a abertura de novos mercados. Segundo o Conselho Nacional de Política Energética, o incentivo ao insumo é fundamental para atingir metas ambientais recentes. Os fatores que impulsionam o setor incluem:

  • Aprovação de meta de redução de meio por cento nas emissões de produtores e importadores de gás natural.
  • Competitividade de preços em relação ao diesel, especialmente para o transporte de cargas e passageiros.
  • Independência de flutuações e crises do mercado internacional de combustíveis fósseis.

A consolidação dessas diretrizes governamentais tem funcionado como um garantidor para o avanço da infraestrutura.

“Isso dá segurança para [o mercado] investir em novos projetos”

, avalia Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. Do ponto de vista econômico, o custo da integração tende a ser absorvido pela cadeia produtiva.

“E pode refletir, em alguma medida, nas tarifas finais, a depender dos mecanismos regulatórios que venham a ser definidos”

, complementa Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado.

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