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Bilby na Austrália: População da espécie salta para quase 2 mil em parque

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Bilby marsupial de pelagem cinzenta, orelhas longas e focinho pontiagudo em ambiente natural australiano.
Foto: berniedup / flickr (by-sa)

Assim como o Brasil enfrenta desafios na conservação de espécies nativas — a exemplo do mico-leão-dourado e da onça-pintada —, iniciativas internacionais demonstram a eficácia de áreas de proteção integral. Um projeto de conservação na região sudoeste de Nova Gales do Sul, na Austrália, registrou um sucesso notável na preservação do bilby, um marsupial ameaçado de extinção. Sete anos após o início de um teste de reprodução no Parque Nacional de Mallee Cliffs, a população da espécie saltou de 50 para quase 2 mil indivíduos, ocupando vastas áreas isoladas e livres da ação de predadores.

De acordo com informações do Guardian Environment, o programa teve início em 2019, quando 50 bilbies considerados fundadores do grupo, incluindo 30 originários da Ilha Thistle, foram soltos em uma zona de reprodução cercada. O objetivo central era estabelecer a primeira população selvagem no habitat de Mallee Cliffs após o hiato de um século.

Como ocorreu a reintrodução dos marsupiais na natureza?

Entre os anos de 2021 e 2023, os pesquisadores liberaram 107 bilbies da área de reprodução inicial para um espaço de 9.570 hectares dentro do parque, totalmente protegido por cercas. A Australian Wildlife Conservancy (AWC), entidade que gerencia o projeto de conservação em parceria com o governo estadual, realizou levantamentos recentes e estima que a população total no local tenha atingido 1.840 animais.

A ecologista de vida selvagem da AWC, Rachel Ladd, destacou a importância de isolar os marsupiais de ameaças externas para garantir o sucesso reprodutivo da espécie, um desafio semelhante ao enfrentado por reservas biológicas no Brasil contra a ação predadora de cães e gatos ferais abandonados.

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“Excluir os bilbies dos impactos de gatos ferais e raposas realmente permite que eles prosperem, se reproduzam em grande número e persistam no ambiente”, afirmou a especialista.

Quais foram os resultados monitorados no parque australiano?

A equipe do projeto já considerava possível uma explosão populacional, mas o monitoramento prático confirmou as expectativas teóricas. As câmeras com sensores de movimento espalhadas pela reserva revelaram que os animais se dispersaram por toda a ampla área cercada. Eles cavaram tocas profundas ao ponto de ocuparem a maior parte do habitat livre de perigos.

A expansão territorial foi comprovada pelos registros fotográficos coletados semanalmente pelas equipes de campo.

“Estamos detectando-os em 95% de nossas câmeras, o que por si só é um forte indicador de que a população se espalhou pelo refúgio seguro e está utilizando toda a extensão do habitat protegido”, explicou Rachel Ladd sobre o comportamento dos animais.

Qual é a situação global da espécie no país?

O bilby-grande é classificado como vulnerável pelas leis de proteção à natureza do governo australiano. Atualmente, a espécie é encontrada em apenas cerca de 20% de sua área de distribuição original, localizada primariamente em regiões áridas e semiáridas do país. O projeto de Mallee Cliffs é apenas uma das seis grandes áreas livres de predadores que abrigam populações do animal sob a gestão contínua da AWC.

Um censo anual realizado pela organização nas propriedades de Nova Gales do Sul, Austrália Meridional, Austrália Ocidental e Território do Norte apontou dados expressivos de crescimento:

  • A população total saltou de estimados 3.300 indivíduos em 2025 para 5.300 em 2026.
  • O resultado atual é mais de quatro vezes superior à estimativa feita em 2021, que contabilizava 1.230 animais.
  • O Santuário de Vida Selvagem de Scotia abriga cerca de 1.830 bilbies, recuperando-se de forma constante após uma seca severa ocorrida entre 2018 e 2019.

Por que o clima afeta a reprodução desses animais?

A natureza das áreas áridas transforma os bilbies em uma espécie de ciclos de explosão e declínio populacional. Os resultados positivos do censo refletem condições ambientais favoráveis para a reprodução, mas os números tendem a flutuar constantemente conforme a oferta de recursos. Em períodos de abundância e chuvas regulares, a reprodução é acelerada, enquanto as secas extremas causam reduções drásticas, exigindo resistência para a reconstrução do grupo.

No Santuário de Vida Selvagem de Newhaven, localizado no Território do Norte, a pesquisa mostrou um aumento de 66 animais fundadores para cerca de 530 em três anos e meio, impulsionado diretamente pelas chuvas acima da média na região. O ecologista Tim Henderson ressaltou o papel ecológico vital da espécie no equilíbrio do ambiente.

“Suas escavações revolvem grandes quantidades de solo, ajudando a reter a água das chuvas e a promover o crescimento de nova vegetação”, concluiu Henderson, classificando os animais resgatados como verdadeiros engenheiros do ecossistema local.

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