Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, o Parque da Cidade, em Belém, recebe a III Semana dos Povos Indígenas. O evento é realizado pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Sob o tema “Onde a ancestralidade vira decisão”, o encontro busca consolidar debates estratégicos sobre gestão territorial, além de promover ações de cidadania e manifestações culturais dos povos originários da região Norte.
De acordo com informações da Agência Pará, a programação terá início na quinta-feira, com o acolhimento das delegações e a abertura institucional. Um dos eixos centrais desta edição é o Seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), conduzido pelo Governo Federal. A iniciativa foca em oficinas de planejamento e fortalecimento da gestão ambiental regional, garantindo que as lideranças indígenas ocupem o centro das decisões sobre seus territórios.
Qual é o foco do seminário de gestão territorial?
O seminário da PNGATI, que ocorre nos dois primeiros dias do evento, é voltado para a avaliação e o fortalecimento da governança ambiental. Além dessa agenda, o primeiro dia contará com a eleição dos novos membros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi). A secretária interina da Sepi, Roseli Pantoja, ressaltou que o evento é fruto de um processo de escuta ativa junto às comunidades para respeitar os modos de vida tradicionais.
Organizar mais uma edição da Semana dos Povos Indígenas é, antes de tudo, um exercício de escuta e de construção coletiva. Cada detalhe da programação nasce do diálogo com as lideranças e do respeito aos modos de vida dos povos originários.
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Além das discussões políticas, a III Semana dos Povos Indígenas oferece serviços práticos de cidadania. O público indígena poderá contar com a emissão de documentos, regularização de cadastros assistenciais e atendimentos especializados em assistência social. Atividades recreativas para crianças e oficinas de comunicação, como a intitulada “Pelas lentes da ancestralidade”, também integram a grade de atividades voltadas ao fortalecimento da identidade e da governança hídrica na Bacia do Tapajós.
Como funcionará a feira de etnobioeconomia e gastronomia?
Na sexta-feira, dia 17 de abril, serão inauguradas a Feira de Etnobioeconomia Ancestral e a Feira de Gastronomia. Esses espaços permanecerão abertos até o encerramento do evento, expondo produtos e saberes tradicionais. Paralelamente, haverá rodas de conversa promovidas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), abordando a situação de indígenas em contextos urbanos, e mesas de debate da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) sobre o ensino escolar específico para essas comunidades.
Ronaldo Amanayé, coordenador executivo da Fepipa, destacou a importância do protagonismo indígena na organização. Segundo ele, o evento funciona como uma plataforma de afirmação dos territórios. A expectativa é que a diversidade de saberes apresentada nas feiras e oficinas aproxime a sociedade paraense da realidade dos povos da floresta, promovendo um intercâmbio cultural necessário para a preservação das tradições.
Para nós da Fepipa, é fundamental estarmos à frente de um evento que fortalece as vozes dos povos indígenas e valoriza as mais diversas culturas. A Semana é um espaço de protagonismo, intercâmbio e afirmação dos territórios e saberes tradicionais.
Quais são as principais atrações culturais e esportivas?
O esporte e a cultura ganham destaque a partir de sábado, dia 18 de abril, com as seletivas dos jogos indígenas. As competições abrangem modalidades integrativas que celebram a união entre diferentes povos. Entre as atividades previstas no cronograma, destacam-se:
- Futebol e futsal masculino e feminino;
- Vôlei de quadra;
- Cabo de força;
- Desfile de moda ancestral assinado por estilistas indígenas;
- Apresentações musicais noturnas entre 19h e 22h.
A parte artística contará com shows de Pinduca, ícone da cultura paraense, e o encerramento no domingo com o tradicional Arraial do Pavulagem. O encerramento oficial também marcará a entrega do Plano de Consulta do Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), a posse dos novos conselheiros do Consepi e a assinatura de acordos institucionais que visam garantir a continuidade das políticas públicas indigenistas no Pará.