Batata magona mobiliza mulheres indígenas no Peru contra risco de desaparecimento - Brasileira.News
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Batata magona mobiliza mulheres indígenas no Peru contra risco de desaparecimento

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Mulheres indígenas machiguengas da comunidade de San José de Koribeni, em Cusco, no sudeste do Peru, atuam desde 2023 para recuperar o cultivo da batata magona e variedades tradicionais de mandioca ameaçadas pelo avanço da agricultura intensiva, de monoculturas e pela redução do uso das chacras, as pequenas roças tradicionais. De acordo com informações da Mongabay Global, o trabalho é liderado por mulheres da etnia Machiguenga na maior comunidade indígena desse povo no país e busca preservar alimentação, renda e conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações. O tema dialoga com debates presentes no Brasil sobre conservação da agrobiodiversidade e proteção de saberes agrícolas de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Na iniciativa, 14 mulheres se dedicam ao resgate de 11 variedades de batata magona e 17 tipos de mandioca tradicional. O grupo se organizou na associação Mujeres Emprendedoras de Raíz Amazónica, criada para fortalecer a segurança alimentar da comunidade e, ao mesmo tempo, gerar renda com a produção de farinhas e snacks comercializados sob a marca local Kipatsi. Segundo a reportagem, elas já contam com uma pequena unidade de processamento própria.

Por que a batata magona está sob ameaça no Peru?

Segundo Gabriela Loaiza Seri, o risco para a continuidade desses cultivos está ligado à expansão de monoculturas, à introdução de variedades e culturas externas e ao afastamento gradual da comunidade de suas chacras. A reportagem relata ainda que muitos jovens deixam a área rural em busca de trabalho nas cidades, o que reduz a transmissão prática dos saberes agrícolas tradicionais.

Loaiza Seri afirma que, nesse contexto, espécies nativas passaram a ser menos cultivadas. A diversidade de mandiocas, que antes ajudava a garantir alimento ao longo do ano, foi reduzida. O mesmo ocorre com a magona, também conhecida popularmente como sachapapa, que em 31 de março de 2026 era encontrada em quantidade limitada em algumas chacras mais distantes.

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Quem lidera o resgate desses cultivos tradicionais?

Gabriela Loaiza Seri, de 32 anos, integra a associação e é engenheira agrônoma formada pela Universidade Nacional de San Antonio Abad de Cuzco. A reportagem informa que ela também já atuou em duas ocasiões como chefe da comunidade de San José de Koribeni. Ao relatar a origem ancestral dos cultivos, ela associa o plantio da mandioca, da magona e de outros tubérculos aos ensinamentos preservados por avós e avôs do povo Machiguenga.

“Embora a mandioca seja plantada por homens e mulheres, quando se trata da batata magona, apenas as mulheres fazem o plantio”, diz Loaiza Seri.

O texto destaca que, entre os Machiguenga, as mulheres têm papel central nesse plantio. Loaiza Seri também relata que o método tradicional determina horários e formas específicas de cultivo, herdados de gerações anteriores, e afirma que a experiência prática do grupo confirmou a eficácia dessas técnicas.

“Estudei agronomia e tenho conhecimento universitário. Mas valorizo muito as técnicas ancestrais que temos nas tradições do nosso povo”, afirma.

Como é o cultivo da batata magona nas chacras?

A reportagem descreve a magona como um tubérculo de grande diversidade, com variações de forma, tamanho e cor mesmo em uma mesma planta. A polpa pode ser branca, creme, amarela ou roxa, e cada tipo apresenta sabor próprio após o cozimento. Cada tubérculo pesa de 100 a 400 gramas, e o ciclo completo da planta dura de oito a dez meses.

O processo de cultivo, segundo o relato reunido por Loaiza Seri, inclui preparo cuidadoso do solo, abertura de covas espaçadas e uso de adubo para formar pequenos montes onde são colocadas uma ou duas sementes do tubérculo. Depois, a área é coberta com terra e material vegetal para preservar a umidade e favorecer a brotação. Semanas mais tarde, é feita a capina superficial e, com o crescimento da planta, são instaladas estacas para melhorar sua exposição à luz.

  • Recuperação de 11 variedades de batata magona
  • Resgate de 17 tipos de mandioca tradicional
  • Cultivo sem agroquímicos
  • Ausência de maquinário nas chacras
  • Produção de farinhas e snacks para consumo e venda

O que esse trabalho representa para a comunidade Machiguenga?

Além da recuperação agrícola, a iniciativa reúne preservação cultural e documentação de conhecimentos tradicionais. Loaiza Seri registrou etapas do cultivo, formas de uso e informações sobre valor nutricional em uma cartilha educativa disponível para a própria comunidade. O material busca apoiar a continuidade desses saberes em meio às mudanças econômicas e sociais que afetam o território.

Para as mulheres envolvidas, o resgate da magona e da mandioca tradicional vai além da produção de alimentos. A ação procura responder à perda de biodiversidade local e ao impacto de projetos externos sem aderência cultural, citados na reportagem como fatores que estimularam a substituição de tubérculos amazônicos por cultivos voltados ao comércio. Nesse cenário, o esforço coletivo se tornou uma estratégia de proteção da identidade alimentar e agrícola do povo Machiguenga. Para o leitor brasileiro, o caso também chama atenção por expor desafios semelhantes aos enfrentados em territórios indígenas da Amazônia, onde a preservação de cultivos tradicionais está ligada à segurança alimentar, à biodiversidade e à transmissão de conhecimentos entre gerações.

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