O Banco do Brasil realizou na última quinta-feira, 23, seu tradicional dia do investidor, conhecido como “BB Day”. Durante o evento, foram apresentados planos estratégicos e atualizações do segmento de agronegócios, tema central das preocupações de analistas nos últimos trimestres. De acordo com informações do InfoMoney, 2025 foi descrito como o “pior ano da história” do banco devido à inadimplência recorde no agronegócio e a expectativa é de que os resultados só se normalizem gradualmente em 2026 e 2027.
Segundo a CEO do banco, Tarciana Medeiros, as mudanças implementadas para a reestruturação do crédito afetarão plenamente apenas no ciclo dos próximos dois anos. Além disso, o JPMorgan avalia que ainda não há clareza suficiente para prever um ponto de inflexão no ciclo de crédito, destacando que o lucro projetado para 2026 deve cair para R$ 20,6 bilhões, uma redução de 11% em relação ao consenso anterior da Bloomberg.
Como o Banco do Brasil planeja superar os desafios?
A gestão do banco demonstrou-se cautelosa e realista quanto às dificuldades esperadas para o futuro próximo. Tarciana Medeiros destacou que 2026 será um ano de reestruturação e recuperação gradual. A administração do banco reconheceu que levará tempo até que a melhoria na originação/underwriting de crédito se converta em lucros, reforçando uma abordagem conservadora para o curto prazo.
Para mitigar riscos, o banco elevou o provisionamento para o agronegócio de R$ 800 milhões para R$ 8 bilhões e está recalibrando seus modelos de crédito. O Bradesco BBI ressalta que ainda há uma predominância de safras legadas nos vencimentos de curto prazo, dificultando uma normalização rápida dos resultados financeiros.
Quais são os riscos adicionais para o setor agro?
O Bradesco BBI aponta como riscos adicionais potenciais o impacto da guerra do Irã nos custos de fertilizantes e a inflação de insumos. As mudanças no preço do fosfato e ureia, que aumentaram cerca de 80%, podem exigir refinanciamento, comprimindo margens dos produtores. Da mesma forma, o banco está atento ao fenômeno El Niño, que pode afetar algumas regiões do Brasil em 2027, embora os impactos tendam a não ser significativos em média.