O aumento do tráfego marítimo na região Ártica, facilitado pelas mudanças climáticas que abrem rotas transpolares durante o verão, está levando a um aumento nas emissões de carbono negro, conhecido como fuligem. Essas emissões estão acelerando as mudanças climáticas e a perda de gelo e neve no Ártico, a região que mais rapidamente aquece na Terra. De acordo com informações do Mongabay Global, uma recente reunião da Organização Marítima Internacional (IMO) discutiu novas regulamentações para exigir que navios no Ártico usem combustíveis que emitam menos carbono negro.
Por que as novas regulamentações foram bloqueadas?
Em fevereiro, nações petrolíferas globais, incluindo Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos, se opuseram a essa proposta, que visava desacelerar o aquecimento do Ártico. Essa oposição segue um adiamento em 2025 de um plano da IMO que era amplamente esperado para acelerar a descarbonização do transporte marítimo global. O plano foi bloqueado pelos EUA e outras nações produtoras de petróleo. A proposta recentemente rejeitada exigiria que os navios parassem de queimar combustíveis residuais, responsáveis por altas emissões de carbono negro, e passassem a usar combustíveis menos poluentes.
Qual é o impacto do carbono negro no Ártico?
O carbono negro é um poluente particulado de curta duração, formado pela combustão incompleta de combustíveis fósseis. Embora dure apenas dias ou semanas na atmosfera, pode viajar longas distâncias. No Ártico, tem um impacto desproporcional no aquecimento.
“O problema com o carbono negro é que, além de ser um aquecedor climático, ele tem um efeito duplo quando se deposita na neve e no gelo,” explica Sian Prior, conselheira principal da Clean Arctic Alliance.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Isso porque o gelo polar, que antes refletia grandes quantidades de energia solar de volta ao espaço, agora escurecido pelo carbono negro, absorve mais luz solar, acelerando o derretimento.
Quais são as perspectivas futuras para o Ártico?
Com a decisão mais recente da IMO, levará até um ano para que novas propostas de descarbonização do transporte marítimo sejam reconsideradas, atrasando a implementação de combustíveis mais limpos por pelo menos dois anos.
“Isso assumindo que todos se unam e apoiem a proposta,” diz Prior.
As ONGs ambientais estão pedindo uma expansão da área polar do norte sujeita a uma possível regulamentação. Atualmente, a região do Código Polar usada pela IMO exclui algumas das rotas de navegação mais movimentadas.
Implementar medidas de transporte no Extremo Norte não resolverá o problema climático global da humanidade, mas a regulamentação de combustíveis lá é um passo essencial para reduzir a pressão de aquecimento no Ártico.
“O carbono negro tem uma vida relativamente curta na atmosfera, e cortar essas emissões pode produzir benefícios climáticos rápidos,” enfatiza Anna Poltronieri, pesquisadora da UiT The Arctic University of Norway.