
A cápsula Orion, preparada para transportar os quatro membros da missão espacial lunar Artemis 2 em 2026, conta com um quinto passageiro inusitado. O mascote de pelúcia nomeado Rise atuará como o indicador oficial de gravidade zero durante a jornada. De acordo com informações do Olhar Digital publicadas na data de hoje (3 de abril), o objeto foi inteiramente concebido por Lucas Ye, um estudante de apenas oito anos de idade que reside na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos.
A função principal do brinquedo de pelúcia a bordo da espaçonave da NASA é técnica e visual. Assim que o foguete atinge o espaço profundo e o ambiente de microgravidade é estabelecido, o mascote começa a flutuar no interior da cabine. Esse movimento serve como uma confirmação imediata e prática para os tripulantes da Artemis 2 de que a ausência de gravidade foi alcançada, configurando um dos marcos operacionais essenciais do voo histórico.
Como o projeto do mascote foi selecionado para o espaço?
O desenvolvimento do mascote Rise, palavra que significa ascensão na língua inglesa, resultou de um concurso de abrangência global. A agência espacial norte-americana estruturou a competição em parceria com a empresa Freelancer, plataforma especializada em reunir contribuições colaborativas por meio da internet. O projeto submetido pelo estudante superou mais de 2,6 mil propostas de participantes de diversas partes do mundo. O engajamento global na missão dialoga com o caráter internacional do programa da NASA, do qual o Brasil faz parte como um dos países signatários dos Acordos Artemis, firmados para a exploração pacífica e cooperativa do espaço.
Apaixonado pela ciência e pela exploração do Sistema Solar desde que tinha pouco mais de três anos de idade, o jovem criador expressou grande emoção ao ver seu desenho ganhar vida. Em entrevista concedida aos canais oficiais da NASA durante a revelação da missão, o estudante revelou estar muito contente com a conquista e com o futuro embarque de sua invenção rumo à órbita da Lua. A diretora de inovação da plataforma parceira, Trisha Epp, destacou a magnitude do feito do menino.
Seu projeto vai literalmente para o espaço, o que não é uma frase que a maioria das pessoas tem a oportunidade de dizer.
Quais são as referências históricas no visual do mascote Rise?
O conceito visual aprovado para a missão traz diversos elementos que homenageiam a trajetória da exploração espacial humana. O vestuário do mascote de pelúcia conta com os seguintes detalhes simbólicos:
- O uso de um boné com cores e formatos que remetem visualmente ao planeta Terra;
- A referência direta à icônica fotografia conhecida como o nascer da Terra, registrada no ano de 1968 durante a missão Apollo 8;
- Detalhes no design que celebram o pouso histórico da Apollo 11, ocorrido em 1969, quando o homem caminhou na superfície lunar pela primeira vez.
Por que os astronautas levam brinquedos como indicadores de gravidade?
O hábito de utilizar objetos lúdicos e de pelúcia não é uma novidade na indústria aeroespacial, configurando uma tradição de mais de 60 anos de existência. Os registros históricos apontam que a prática teve início na década de 1960, durante os primórdios da corrida espacial tripulada. O primeiro caso documentado ocorreu em 1967, na missão russa Soyuz 1, lançada pela antiga União Soviética. Os cosmonautas levaram um pequeno boneco com a mesma finalidade: mostrar visualmente o momento exato em que a espaçonave atingia a condição de microgravidade contínua.
Com o avanço das décadas, a metodologia simples se consolidou em missões governamentais e de iniciativa privada. No ano de 2020, por exemplo, a missão Crew Dragon Demo-2 marcou o primeiro voo tripulado da empresa SpaceX em colaboração com a agência espacial norte-americana. Naquele momento, os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley transportaram um dinossauro de pelúcia apelidado de Tremor. O brinquedo, escolhido pelos filhos dos profissionais, flutuou assim que a espaçonave entrou em órbita terrestre, atestando o ambiente de ausência de peso.
No próprio programa atual de retorno à Lua, a etapa anterior também manteve o costume. Durante o voo não tripulado conhecido como Artemis 1, realizado no ano de 2022, a mesma cápsula Orion transportou um boneco do personagem Snoopy, vestido com um traje de astronauta. Além da utilidade técnica de indicar o momento em que a força gravitacional deixa de atuar em sua intensidade normal, o uso desses personagens cumpre um papel fundamental de comunicação e engajamento. A presença dos mascotes traduz fenômenos da física para o público geral, criando uma conexão mais simples e educativa com estudantes e interessados na exploração do universo.