Armazenamento de energia na Índia pode chegar a 346 GWh até 2033, diz relatório - Brasileira.News
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Armazenamento de energia na Índia pode chegar a 346 GWh até 2033, diz relatório

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Parque com várias fileiras de grandes baterias industriais e painéis solares sob um céu claro na Índia.
Foto: jurvetson / flickr (by)

O mercado de armazenamento estacionário de energia na Índia deve alcançar 346 GWh de capacidade instalada até 2033 em um cenário-base, segundo um white paper apresentado na conferência Stationary Energy Storage India (SESI) 2026, realizada em 2026. O documento aponta aceleração nas licitações e nos projetos em desenvolvimento, em meio a medidas regulatórias e de incentivo adotadas no país. De acordo com informações da PV Magazine, o estudo foi elaborado pela IESA em parceria com a CES.

O tema tem ganhado relevância global à medida que sistemas elétricos com maior participação de fontes renováveis passam a depender mais de soluções de flexibilidade. Para o leitor brasileiro, o movimento indiano dialoga com um debate também presente no Brasil, onde o avanço de fontes como solar e eólica vem ampliando a discussão sobre o papel do armazenamento no equilíbrio da rede.

Segundo o relatório, o segmento de baterias para armazenamento de energia, conhecido pela sigla BESS, registrou 69 novas licitações ao longo dos 12 meses anteriores à apresentação do estudo, somando 102 GWh. O volume representa alta de 35% em relação a 2024 e quase o dobro do montante anual de licitações, de acordo com o texto. Já a capacidade instalada acumulada permanece abaixo de 1 GWh, enquanto 92 GWh em projetos estão atualmente no pipeline.

O que o relatório projeta para o armazenamento de energia na Índia?

O white paper indica que a capacidade instalada de armazenamento estacionário poderá chegar a 346 GWh até 2033 no cenário-base. Se o ritmo das políticas públicas for mantido, a projeção sobe para 544 GWh no mesmo período. O documento também estima crescimento expressivo do armazenamento hidrelétrico por bombeamento, ou PHES, de 7 GW em 2025 para 107 GW em 2033.

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O avanço projetado está associado, segundo o relatório, a uma combinação de medidas regulatórias e econômicas. Entre elas estão as obrigações de armazenamento de energia, o mecanismo de financiamento para reduzir lacunas de viabilidade, o reconhecimento formal do armazenamento nas Electricity Amendment Rules 2025 da Índia e a isenção total de tarifas do sistema interestadual de transmissão. Na prática, esse tipo de arcabouço regulatório ajuda a destravar investimentos e contratação de projetos, tema que também aparece nas discussões sobre modernização do setor elétrico brasileiro.

  • 69 novas licitações de BESS nos 12 meses anteriores à apresentação do estudo
  • 102 GWh somados nesses certames
  • Capacidade instalada atual abaixo de 1 GWh
  • 92 GWh de projetos em desenvolvimento
  • Projeção de 346 GWh até 2033 no cenário-base
  • Projeção de 544 GWh com continuidade do impulso regulatório

Por que o armazenamento passou a ser tratado como peça central da rede elétrica?

Na apresentação do white paper, S.C. Saxena, chairman e managing director da GRID India, afirmou que o armazenamento em larga escala se tornou essencial para a resiliência da rede diante de oscilações de demanda de até 90 GW. De acordo com o relato publicado pela PV Magazine, ele também associou a integração mais rápida de baterias e sistemas hidrelétricos reversíveis à queda de custos dessas tecnologias.

A avaliação apresentada no evento reforça uma leitura já presente no setor elétrico: quanto maior a participação de fontes variáveis, maior a necessidade de mecanismos que deem flexibilidade à operação do sistema. No caso indiano, o estudo relaciona essa expansão à tentativa de sustentar o crescimento da geração não fóssil sem comprometer a estabilidade da rede.

Como esse avanço se conecta às metas energéticas do país?

Debmalya Sen, presidente da IESA, declarou que o white paper oferece a clareza estratégica necessária para que a Índia avance em direção à meta de 500 GW de geração não fóssil até 2030. Na avaliação citada pela reportagem original, o armazenamento deve funcionar como a base de uma rede elétrica mais flexível.

Os números reunidos no documento sugerem que o mercado local ainda parte de uma base instalada reduzida, mas com forte expansão contratada e planejada. Assim, a combinação entre novas licitações, projetos em desenvolvimento e incentivos regulatórios ajuda a explicar por que o setor passou a projetar um salto de escala ao longo da próxima década.

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