Um artigo de opinião de Moisés Mendes, publicado em 21 de abril de 2026, relaciona a venda de carne de burro na Argentina ao agravamento da crise social no país e traça um paralelo com a circulação de ossos para consumo no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro. No texto, o autor sustenta que a oferta desse tipo de carne em açougues argentinos simboliza empobrecimento, humilhação social e retrocesso econômico. De acordo com informações do DCM, a análise também associa esse cenário à condução política do governo de Javier Milei.
O artigo recupera memórias da crise argentina de 2001 e 2002, período em que o país enfrentou o chamado corralito, mecanismo que restringiu saques bancários e aprofundou a desconfiança da população no sistema financeiro. Moisés Mendes afirma ter acompanhado, como repórter, filas em torno do Banco de la Nación em Buenos Aires e relata que, à época, já havia sinais de desespero social, embora ele diferencie aquele contexto do momento atual descrito no texto.
Como o artigo relaciona a crise atual da Argentina ao passado?
Segundo o autor, a crise contemporânea é comparada ao trauma deixado pelo corralito, quando a retenção de depósitos bancários abalou a confiança dos argentinos na moeda nacional e incentivou a busca por proteção em dólares. O texto menciona que esse comportamento persiste e cita estimativas sobre reservas e recursos guardados fora do sistema bancário, apresentando esse dado como parte de uma cultura de insegurança econômica consolidada desde o início dos anos 2000.
Na avaliação exposta no artigo, a atual deterioração social seria mais grave porque, além da perda de renda e do aumento da pobreza, haveria redução de programas sociais e aprofundamento da exclusão. O autor afirma que jornais têm noticiado a venda de cortes como filé, costela e paleta de burro em açougues, e interpreta esse movimento como um sinal concreto da perda de poder de compra em um país historicamente associado à pecuária bovina.
Que episódios pessoais o autor usa para sustentar sua análise?
Moisés Mendes relembra uma cobertura feita em Buenos Aires em maio de 2002, quando observou filas de correntistas tentando sacar dinheiro antes de um feriado. Nesse trecho, ele reproduz a fala de uma mulher que, segundo seu relato, demonstrava inveja do Brasil pela possibilidade de eleição de Luiz Inácio Lula da Silva naquele ano.
“Vocês no Brasil não passarão fome, porque vocês terão Lula”.
O articulista também menciona viagens posteriores pela fronteira da Argentina com Brasil e Uruguai, citando o alerta de um delegado de polícia de Concórdia sobre o risco de assaltos motivados pela fome. Ainda segundo o texto, ele não presenciou episódios extremos naquele momento, mas afirma que o desalento social já era visível em regiões periféricas e áreas de fronteira.
Qual é a crítica política central apresentada no texto?
O artigo atribui a piora do quadro social argentino à ascensão da extrema direita e à frustração com promessas de ruptura política. O autor cita Javier Milei como símbolo desse processo e argumenta que parte do eleitorado apostou em um discurso antissistema para reagir aos fracassos de governos anteriores, como os de Mauricio Macri e Alberto Fernández.
Na argumentação, a atual situação da Argentina é inserida em um contexto mais amplo de avanço de lideranças de direita na América Latina. O texto menciona ainda nomes como José Antonio Kast, Keiko Fujimori, Lula e Flávio Bolsonaro para ilustrar disputas políticas na região e no Brasil. Ao final, o autor conclui que a venda de carne de burro se tornou, em sua leitura, um retrato da deterioração econômica e social argentina.
- O texto compara a carne de burro na Argentina aos ossos consumidos no Brasil em anos recentes.
- Também retoma o impacto do corralito sobre a confiança no sistema bancário argentino.
- A análise associa a crise atual ao corte de políticas sociais e ao discurso antissistema.