A Apple retirou temporariamente o aplicativo Cal AI da App Store na semana passada e depois o recolocou na loja após correções feitas pela desenvolvedora, segundo relato publicado em 21 de abril de 2026. O caso envolve o uso de pagamentos externos, práticas de cobrança consideradas enganosas e táticas classificadas pela empresa como manipulativas. De acordo com informações do TechCrunch, a ação indica que a companhia continua fiscalizando com rigor a implementação de pagamentos fora do sistema nativo da loja.
O aplicativo de registro alimentar, controlado pela MyFitnessPal, havia tentado contornar diretrizes da Apple sobre compras dentro do aplicativo. A empresa informou ao veículo que a remoção não ocorreu apenas por causa de um link para pagamento externo, prática hoje permitida em determinadas condições nos Estados Unidos, mas por um conjunto de violações às regras de revisão e conduta para desenvolvedores.
Por que o Cal AI foi retirado da App Store?
Segundo a Apple, o principal problema foi a forma como o Cal AI implementou um fluxo de pagamento incorporado ao aplicativo por meio de serviço de terceiros, citado no texto como a Stripe, para liberar acesso a bens digitais. Com isso, o app teria deixado de oferecer a opção de compra interna da Apple no momento do checkout, o que contraria a diretriz 3.1.1 de revisão da App Store, conforme descrito pela empresa.
A reportagem afirma que, após decisão judicial no processo movido pela Epic Games contra a Apple, desenvolvedores baseados nos Estados Unidos passaram a poder direcionar usuários para sistemas externos de pagamento. Ainda assim, na maior parte dos casos, os aplicativos continuam obrigados a manter também a opção de compra interna da Apple. O texto ressalta que a exceção mais ampla vale para os chamados aplicativos leitores, categoria na qual o Cal AI não se enquadra.
Quais outras violações a Apple apontou?
A empresa também afirmou que o Cal AI adotava desenho de cobrança enganoso, em desacordo com a diretriz 3.1.2c. De acordo com a descrição feita à reportagem, o paywall destacava com maior evidência o preço semanal calculado do que o valor efetivamente cobrado do usuário. Além disso, havia um botão de teste grátis que obscurecia informações sobre a renovação automática da assinatura.
Outro ponto mencionado foi o uso de táticas manipulativas, em referência à diretriz 5.6 do código de conduta para desenvolvedores. Segundo a Apple, usuários que recusavam a primeira oferta de assinatura passavam a receber um segundo fluxo de compra, diferente do inicial. O texto também relata a existência de avaliações negativas de usuários acusando o aplicativo de golpe por causa da forma como as opções de pagamento de terceiros eram apresentadas.
- Remoção temporária do aplicativo da App Store na semana passada
- Questionamentos sobre o uso de pagamentos externos
- Apontamentos de cobrança enganosa e táticas manipulativas
- Correção dos problemas pela desenvolvedora
- Retorno do aplicativo à loja da Apple
O que aconteceu depois da rejeição?
Após a rejeição, a desenvolvedora corrigiu os problemas apontados, e o aplicativo voltou à App Store, segundo confirmação da Apple ao TechCrunch. A reportagem informa que MyFitnessPal e Cal AI não responderam aos pedidos de comentário feitos pelo veículo.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e levantou dúvidas sobre até que ponto a Apple seguiria aplicando suas regras após a decisão judicial ligada ao embate com a Epic Games. Na avaliação apresentada pela reportagem, a resposta da empresa funciona como sinal de que a App Store continua sendo monitorada de forma ativa, inclusive em casos que envolvem aplicativos populares. O texto observa que, no momento citado, o Cal AI ocupava a quarta posição no ranking de Saúde e Fitness da App Store.
O que esse caso mostra sobre a política da Apple?
Com a volta do Cal AI à loja, o caso não altera as permissões já existentes para uso de pagamentos externos nos Estados Unidos, mas reforça que essas alternativas seguem sujeitas às regras da Apple. A empresa sustenta que não basta oferecer uma rota de pagamento fora do sistema nativo: é preciso respeitar as condições de transparência, design de cobrança e manutenção da opção de compra interna quando exigida.
Na prática, o episódio mostra que a flexibilização imposta por decisões judiciais não eliminou o poder de fiscalização da Apple sobre a App Store. Pelo relato do TechCrunch, a empresa continua reagindo quando entende que desenvolvedores ultrapassaram os limites definidos por suas diretrizes.