Anistia Internacional aponta avanço do autoritarismo e cobra ação do Brasil - Brasileira.News
Início Direito & Justiça Anistia Internacional aponta avanço do autoritarismo e cobra ação do Brasil

Anistia Internacional aponta avanço do autoritarismo e cobra ação do Brasil

0
4

A Anistia Internacional divulgou nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, um relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo e afirmou ter identificado uma guinada em direção ao autoritarismo em diferentes países. O documento, apresentado em São Paulo, reúne dados de 144 nações, denuncia crimes previstos no direito internacional e recomenda que o Brasil adote medidas de responsabilização diante da violência policial. De acordo com informações da Radioagência Nacional, a publicação também cita conflitos armados, repressão, discriminação, injustiças econômicas e climáticas e o uso indevido de tecnologias.

Segundo a organização, o relatório tem mais de 200 páginas e alerta para projetos de dominação econômica e política atribuídos a líderes como Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu. O texto menciona, entre outros pontos, o genocídio de Israel contra os palestinos em Gaza, crimes contra a humanidade cometidos pela Rússia na Ucrânia e a necessidade de frear a escalada da violência policial no Brasil.

O que o relatório da Anistia Internacional destaca?

O documento reúne informações de 144 países e chama atenção para ataques ao Tribunal Penal Internacional, retirada de convenções internacionais e saídas de agências das Nações Unidas. A reportagem informa que, em janeiro, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos de mais de 60 organizações internacionais. O relatório também afirma que o país lidera a transferência irresponsável de armas a Israel e foi responsável pela morte de mais de 100 crianças em um ataque ilegal contra uma escola no Irã.

O jornalista especializado em geopolítica e direitos humanos Jamil Chade afirmou que o relatório descreve um processo estruturado de desmonte das garantias internacionais. Segundo ele, a situação exige reação ampla da sociedade civil e de diferentes setores públicos.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“Fica muito claro é que isso é um plano, que isso é uma estratégia, que existe um objetivo maior de construir, basicamente, uma nova ordem internacional racista, fascista misógina, e, basicamente, desmontando, eh, eu diria, décadas de avanço nos direitos humanos. É um alerta e é um chamado para todo mundo, de todo lado da sociedade. Jornalistas, ativistas de direitos humanos, ambientalistas, um cidadão comum, qualquer um tem essa responsabilidade, basicamente, de não ceder em absolutamente nada”.

Como a tecnologia aparece entre as preocupações do documento?

A Anistia Internacional também relaciona o avanço de práticas autoritárias ao uso de tecnologias de vigilância ilegal, como softwares espiões, além de mecanismos de censura digital. O relatório menciona ainda impactos ambientais associados à atuação de grandes empresas de tecnologia, com aumento da exploração de recursos naturais para a construção de centros de dados e registro de condições trabalhistas precarizadas.

Ao comentar esse ponto, Jamil Chade disse que não existe tecnologia neutra e defendeu algum tipo de regulação internacional para a inteligência artificial. Na avaliação dele, algoritmos e sistemas são desenvolvidos por pessoas e, por isso, carregam interesses políticos, econômicos e ideológicos.

“Ela sempre é feita a partir do ponto de vista eh daqueles que programaram aquelas máquinas. Existem pessoas por trás dos algoritmos e essas pessoas têm interesses políticos, econômicos e claro, sem dúvida nenhuma, ideológicos. Por que não então pensar em algum tipo de Agência Internacional da Inteligência Artificial, justamente para garantir que elas que ela forneça instrumentos para a humanidade e não, é, seja utilizada para ampliar a repressão”

Quais críticas o relatório faz ao Brasil?

No caso brasileiro, a organização cita uma operação antidrogas da polícia no Rio de Janeiro que resultou em 120 mortes. O relatório pressiona o país a adotar medidas de responsabilização pela violência policial e afirma que 98% das investigações contra policiais são arquivadas, enquanto menos de 2% dos casos vão a julgamento.

Para Jamil Chade, o quadro é estrutural e não pode ser enfrentado apenas com respostas pontuais. Ele defendeu uma reforma da estrutura de segurança pública para garantir proteção ao cidadão e responsabilização de agentes estatais por seus atos.

“Realmente necessário uma reforma da estrutura de segurança no país é, para garantir sem dúvida nenhuma segurança do cidadão, mas também que isso possa resultar é, em uma polícia é, responsável pelos seus atos e capaz justamente de lidar com o crime organizado, de combater o crime organizado sem cometer novos crimes”.

Além do Brasil, o relatório denuncia violações de direitos de refugiados e migrantes, incluindo deportações, barreiras à chegada de pessoas a países europeus como Itália e Grécia e o retorno forçado de mais de 2 milhões de afegãos expulsos do Irã e do Paquistão. O documento também relata aplicação abusiva da lei em homicídios patrocinados pelo Estado, como execuções extrajudiciais atribuídas ao Exército dos Estados Unidos em países da América Latina sob o pretexto de combater “narcoterroristas”.

Quais são os principais alertas feitos pela organização?

Ao final, a Anistia Internacional pede que governos atuem para conter retrocessos identificados em várias frentes. Entre os pontos centrais mencionados pela organização estão:

  • conflitos armados e repressão estatal;
  • discriminação e violações de direitos de migrantes e refugiados;
  • injustiças econômicas e climáticas;
  • uso indevido de tecnologias para vigilância e censura;
  • falta de responsabilização em casos de violência policial.

A avaliação da entidade é que esses processos vêm se reforçando mutuamente e exigem respostas institucionais e políticas em escala nacional e internacional.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here