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Andorinhões: Reforma em viaduto britânico bloqueia ninhos e gera revolta

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Ambientalistas e defensores da vida selvagem expressaram indignação após ninhos ancestrais de andorinhões serem bloqueados durante a reforma de um viaduto ferroviário em Derbyshire, no Reino Unido. A obra, avaliada em 7,5 milhões de libras esterlinas, ocorreu no local conhecido como Chapel Milton, próximo ao Peak District, onde três dos nove buracos utilizados pelas aves foram preenchidos com argamassa no mês de fevereiro, ameaçando a sobrevivência dos pássaros que retornam para procriar.

De acordo com informações do Guardian Environment, os ativistas alertam que as aves podem morrer ao tentar acessar os abrigos lacrados pela empresa responsável pela infraestrutura, a Network Rail.

Por que os ninhos dos andorinhões foram bloqueados?

A Network Rail iniciou o processo de restauração dos viadutos de 160 anos no último verão britânico. Um relatório ecológico encomendado pela companhia, embora não fosse exigido por lei, inicialmente não encontrou evidências da presença de andorinhões nidificando na estrutura de pedra centenária.

No entanto, essa afirmação foi contestada por observadores de aves locais. O grupo reuniu 38 evidências fotográficas e em vídeo demonstrando a existência de pelo menos nove pontos de nidificação ativos nos viadutos. Após a apresentação dos dados, a empresa ferroviária reconheceu a presença dos abrigos e afirmou que adaptaria o cronograma para não interferir na reprodução. Apesar da promessa, os espaços cruciais foram selados com a continuidade da alvenaria.

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Quais são as consequências para a sobrevivência das aves?

A interdição dos acessos gera um impacto imediato e severo na população local de andorinhões. A espécie é conhecida por sua alta fidelidade aos locais de reprodução, retornando exatamente para as mesmas frestas nas pedras ano após ano, fenômeno que se repete geralmente a partir do final do mês de abril.

“É totalmente de partir o coração. Ver imagens do que acontece quando os andorinhões retornam a um ninho bloqueado é profundamente perturbador. Eles tentam repetidamente acessar o ponto de entrada, às vezes com consequências fatais. Acredita-se que casais reprodutores estabelecidos não se mudam com sucesso para um novo local de nidificação. Na prática, quando um local de ninho é perdido, eles param de se reproduzir”

A explicação foi detalhada por Deb Pitman, ativista dedicada à conservação das aves migratórias.

Como a empresa e as autoridades reagiram às denúncias?

A equipe de crimes contra a vida selvagem da Polícia de Transporte Britânica abriu uma investigação para determinar se a fauna local foi perturbada de maneira ilegal, logo após ativistas denunciarem o início das obras. Os defensores da biodiversidade agendaram uma vigília sob o viaduto em um sábado, com a esperança de pressionar pela reabertura dos buracos antes do fluxo migratório principal.

Em resposta às críticas públicas, um porta-voz da Network Rail declarou:

“Durante o trabalho essencial de reforma no viaduto em Chapel Milton no ano passado, nossas equipes identificaram possíveis ninhos de andorinhões. Consultamos ecologistas e criamos zonas de exclusão para garantir proteção adequada para os andorinhões em nidificação. Os reparos essenciais na alvenaria foram então concluídos após a temporada de nidificação dos pássaros. Acolhemos a oportunidade de trabalhar com grupos locais para tornar o viaduto um habitat mais acolhedor para os andorinhões, incluindo a instalação de caixas de nidificação adicionais ao lado dos locais de ninhos existentes.”

Qual é o contexto da preservação ambiental no Reino Unido?

Jason Adshead, membro do Chapel-en-le-Frith Biodiversity Group, destacou que a entidade passou muito tempo monitorando a obra e compartilhando informações técnicas precisas com os engenheiros de tráfego. Ele ressaltou que a preservação dessas pequenas aberturas para as aves não causaria qualquer impacto negativo na integridade estrutural do viaduto.

A crise ambiental pontual em Derbyshire reflete um problema profundo e em escala nacional. Entre os anos de 1995 e 2022, a população de andorinhões na Grã-Bretanha sofreu um declínio acentuado de 66 por cento. A principal causa apontada por biólogos e especialistas é a perda generalizada de buracos de nidificação em telhados e edifícios mais antigos que passam por intervenções de reestruturação arquitetônica.

Diante desse cenário severo de declínio populacional, campanhas tentam garantir que todas as novas construções residenciais do país incluam pelo menos um tijolo oco projetado especificamente para abrigar aves silvestres. O projeto obteve sucesso recente na legislação da Escócia, mas acabou rejeitado pelo atual governo em Westminster.

“Os andorinhões vêm procriando com sucesso desde a época dos dinossauros e, no entanto, não podemos dar a eles um espaço minúsculo. Eu me recuso a aceitar isso”

O apelo de Pitman evidencia o conflito atual entre a comunidade científica e as decisões massivas de modernização de infraestrutura que ignoram o equilíbrio ecológico.

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