O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira, 13, nos Estados Unidos, após meses dizendo estar “seguro” no país. Segundo a reportagem, a detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, por agentes do ICE, órgão de imigração do governo Donald Trump, e ele foi levado a um centro de detenção na cidade. O caso ganhou repercussão após o Supremo Tribunal Federal tê-lo condenado a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. De acordo com informações da CartaCapital, autoridades brasileiras foram informadas da prisão no início da tarde.
A reportagem informa que o governo brasileiro havia enviado às autoridades norte-americanas, no fim de dezembro de 2025, um pedido de extradição de Ramagem. Além disso, o nome do ex-deputado foi incluído na lista vermelha da Interpol. Meses antes, quando a ação sobre a trama golpista estava em fase final de tramitação no STF, ele havia sido localizado em um hotel de luxo de Miami.
O que Ramagem dizia sobre sua permanência nos Estados Unidos?
Após a descoberta de sua saída do Brasil, Ramagem publicou nas redes sociais um vídeo em que afirmava não estar escondido e dizia atuar pela anistia aos condenados pelos atos golpistas. Na gravação, também classificava decisões do STF como “ilegais” e alegava ter deixado o Brasil para “proteger sua família”.
“É só mandar formalmente para cá e esperar a declaração da maior nação livre, efetivamente democrática, do mundo. Falam ainda que eu sou foragido. Primeiro, que eu não vim para cá para me esconder, mas para trabalhar pelo Brasil como eu puder. E para ser um foragido, você precisa de uma decisão judicial”.
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Em entrevista ao canal Conversa Timeline, no YouTube, conduzida pelo blogueiro Allan dos Santos, o ex-deputado também afirmou ter respaldo das autoridades norte-americanas para permanecer no país.
“Nas palavras até do governo americano para mim: ‘Que bom que temos um amigo que está em segurança, a salvo, aqui nos Estados Unidos’. Então, a gente tem esse apoio dos norte-americanos de tudo o que está acontecendo no Brasil.”
“Eu estou seguro aqui com a anuência e o conhecimento do governo americano.”
Por que Ramagem era alvo de extradição e prisão?
Segundo o texto original, Ramagem já havia sido condenado a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe, embora ainda houvesse possibilidade de recursos naquele momento. Depois do trânsito em julgado da ação penal no STF, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a cassação de seu mandato.
De acordo com a decisão citada pela reportagem, ele foi sentenciado por integrar uma organização criminosa armada. O grupo, conforme o texto, seria responsável por divulgar desinformação sobre as urnas eletrônicas nas eleições de 2022, monitorar autoridades e apoiar ações voltadas à abolição do Estado Democrático de Direito.
Como, segundo as investigações, ele deixou o Brasil?
As investigações da Polícia Federal apontam, de acordo com a reportagem, que Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, na divisa com Roraima, sem passar por posto migratório. Na sequência, ele teria embarcado no Aeroporto de Georgetown com destino aos Estados Unidos.
O texto também afirma que a entrada em território norte-americano ocorreu com uso de passaporte diplomático, apesar de já existir uma determinação para cancelamento do documento. Antes da viagem, ainda segundo a reportagem, Ramagem apresentou à Câmara um atestado psiquiátrico, alegando ansiedade e pedindo afastamento temporário.
A prisão nos Estados Unidos ocorre, assim, depois de meses em que o ex-deputado sustentou publicamente estar protegido no país. O caso reúne elementos diplomáticos e judiciais, envolvendo pedido formal de extradição, comunicação entre autoridades brasileiras e norte-americanas e a execução de uma condenação ligada à tentativa de golpe de Estado investigada no Brasil.