
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, registraram um aumento de 266% em seu patrimônio imobiliário desde março de 2017, período em que o magistrado assumiu sua cadeira na mais alta corte do país, após indicação do então presidente Michel Temer (MDB). Segundo levantamentos jornalísticos, a família adquiriu diversas propriedades de alto padrão, saltando de uma avaliação patrimonial de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões até abril de 2026, por meio de vultosas transações financeiras realizadas inteiramente à vista.
De acordo com informações do Estadão, responsável pela investigação inicial, e dados repercutidos de acordo com informações da CNN Brasil, o crescimento mais expressivo e acelerado ocorreu fundamentalmente nos cinco anos anteriores à publicação das reportagens em 2026. Os números apresentados pelas reportagens foram obtidos com rigor metodológico, baseando-se na coleta e no cruzamento de contratos de compra e venda devidamente registrados em cartórios espalhados pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Como o patrimônio imobiliário da família evoluiu?
O ponto de partida da apuração estabelecida pela imprensa considera o ano de 2017 como o marco inicial. Naquela época, pouco antes de o ministro assumir definitivamente a vaga no Supremo Tribunal Federal, o conjunto de bens atrelado à família somava a quantia de R$ 8,6 milhões. Até abril de 2026, com a consolidação dos novos investimentos, a família detinha a propriedade de 17 imóveis.
O volume de recursos aplicados acelerou de forma contundente. Apenas no período correspondente aos cinco anos que englobam de 2021 a 2025 (segundo projeções dos registros cartoriais), o casal desembolsou o expressivo montante de R$ 23,4 milhões na aquisição de novos imóveis. Um detalhe crucial ressaltado pelos veículos de comunicação é que todas essas aquisições foram pagas integralmente à vista, conforme detalham os documentos oficiais analisados.
A metodologia da apuração garante que o montante financeiro divulgado leva em consideração os preços nominais que foram efetivamente desembolsados durante as compras. Ou seja, os R$ 31,5 milhões refletem o valor exato registrado em contrato no momento da transação das casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais, não sendo uma estimativa baseada em eventuais valorizações do mercado imobiliário em 2026.
Quais são e onde estão localizados os bens adquiridos?
A expansão da carteira de propriedades da família abrange diferentes tipologias de imóveis, invariavelmente situados em áreas altamente valorizadas do território nacional. A estratégia de alocação de recursos físicos concentrou-se nos eixos urbanos de maior poder aquisitivo no Brasil.
Dentre as transações reveladas, destacam-se os seguintes imóveis:
- Uma casa situada no Lago Sul, bairro reconhecidamente nobre e exclusivo de Brasília, no Distrito Federal.
- Um apartamento localizado na cidade de Campos do Jordão, famoso destino de inverno e área de alto padrão no interior do estado de São Paulo.
- Dois apartamentos na região do Jardim América, uma das áreas residenciais mais caras e nobres da capital paulista.
As investigações apontam que a maior parcela dessas transações imobiliárias não foi realizada diretamente sob o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do ministro. As operações financeiras foram capitaneadas pelo Lex Instituto de Estudos Jurídicos. Trata-se de uma sociedade empresarial privada cuja composição societária é formada pela advogada Viviane Barci de Moraes e pelos filhos do casal.
Qual é a relação jurídica do ministro com estas propriedades?
Apesar de o ministro Alexandre de Moraes não figurar como sócio direto da empresa Lex Instituto de Estudos Jurídicos, a reportagem esclarece a intrínseca ligação jurídica e patrimonial existente. Ele é casado com a advogada sob o regime de comunhão parcial de bens. Perante o Código Civil brasileiro, isso determina que os bens adquiridos de forma onerosa durante a vigência do matrimônio passam, automaticamente, a integrar o patrimônio comum do casal, independentemente de quem efetivou a assinatura da compra ou da empresa utilizada para a transação.
Para proporcionar um contexto adequado sobre as receitas atreladas à função pública, os jornais relembram que, na condição de membro da mais alta corte do Judiciário, o magistrado recebe mensalmente o subsídio equivalente ao teto do funcionalismo público federal. Em 2026, este valor limite estava fixado em cerca de R$ 46 mil, rendimento que contrasta diretamente com as cifras milionárias movimentadas no mercado imobiliário.
Como as partes envolvidas reagiram aos dados divulgados?
A apuração jornalística buscou ativamente ouvir o lado da família e do magistrado, respeitando o princípio do contraditório. O contato foi realizado de maneira formal pelas equipes de reportagem das duas publicações, por meio das assessorias de imprensa competentes e também em contato direto com o gabinete do ministro no Supremo Tribunal Federal.
Os pedidos de esclarecimento e manifestação foram encaminhados desde o dia 27 de março de 2026, abordando o magistrado, a advogada e sua respectiva empresa. Contudo, até a publicação oficial das informações pelos veículos consultados, nem o integrante do Supremo, nem sua esposa emitiram qualquer resposta, nota oficial ou justificativa prestando esclarecimentos sobre a exponencial evolução de sua carteira de imóveis e a natureza dos recursos utilizados nas compras à vista.


