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Itália limita combustível em aeroportos por crise no Oriente Médio

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Ground support services in action at an airport terminal with visible aircraft and service vehicles.
Ground support services in action at an airport terminal with visible aircraft and service vehicles. Foto: Rafael Rodrigues — Pexels License (livre para uso)

Vários aeroportos na Itália, destino frequente de rotas diretas partindo do Brasil, começaram a implementar restrições rigorosas no fornecimento de combustível de aviação em abril de 2026. A medida de contingência, motivada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz devido aos conflitos no Oriente Médio, visa garantir a continuidade de serviços essenciais. De acordo com informações do UOL Notícias, terminais importantes como Veneza, Bolonha, Milão Linate e Treviso já emitiram avisos oficiais aos aviadores detalhando os limites de abastecimento de querosene.

As diretrizes estabelecem uma hierarquia rigorosa para a distribuição do insumo. Em locais como o terminal de Veneza, as autoridades aeroportuárias determinaram que a prioridade absoluta será concedida a voos médicos, operações de Estado e viagens com duração superior a três horas. Para as rotas mais curtas, foi imposto um teto máximo de 2 mil litros de combustível por aeronave. Essas regras preventivas estão programadas para durar inicialmente até o dia 9 de abril.

Para mitigar os impactos, as diretrizes de contingenciamento dividiram as operações aéreas em categorias específicas. Segundo as novas regras aplicadas:

  • Voos de emergência médica e transporte de órgãos têm abastecimento totalmente liberado;
  • Aeronaves em missões de Estado operam sem qualquer restrição de querosene;
  • Rotas de longa distância recebem prioridade no cronograma das distribuidoras;
  • Voos curtos (menos de três horas de duração) ficam limitados ao teto de 2 mil litros;
  • Operações intercontinentais e do espaço Schengen, geridas por outros fornecedores locais, mantêm a normalidade.

Como a crise no Oriente Médio afeta a aviação europeia?

O gargalo imediato foi identificado nas operações da Air BP Italia, que relatou escassez da modalidade A1. Apesar do alerta, a operadora aeroportuária Save SpA, responsável por gerenciar as pistas de Veneza, Treviso e Verona, buscou tranquilizar o setor. A concessionária afirmou que os limites não afetam toda a cadeia de forma severa, visto que o problema está concentrado em um único fornecedor, enquanto outras empresas continuam operando normalmente.

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O continente europeu depende fortemente de importações para manter sua malha aérea em funcionamento. A região do Golfo Pérsico é a principal origem do produto comprado pela Europa, representando aproximadamente 50% de todas as importações da União Europeia e do Reino Unido. O bloqueio parcial de rotas marítimas vitais estrangulou o fluxo global de derivados de petróleo, criando um efeito cascata no transporte comercial. No Brasil, tensões geopolíticas semelhantes costumam impactar o setor aéreo, visto que o preço do querosene de aviação (QAV) sofre influência direta da cotação internacional do petróleo e do dólar.

Pierluigi Di Palma, diretor da agência de aviação civil italiana (ENAC), declarou que o cenário atual está sob controle e não deve gerar pânico entre os viajantes no curto prazo. Contudo, ele alertou que a manutenção das tensões geopolíticas pode agravar a logística a partir do final de abril. Diante dessa incerteza energética, a Lufthansa já estrutura planos de contingência, que incluem a possibilidade de manter aviões no solo se houver uma disparada irracional nos custos.

Quais são as perspectivas para o abastecimento energético?

O monitoramento da oferta de combustíveis fósseis segue constante por parte das autoridades internacionais. Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, avaliou o estado atual das reservas energéticas europeias e o impacto direto nas operações aeroportuárias do continente.

“Não há escassez física de combustível de aviação ou diesel na Europa no momento.”

A declaração, concedida ao mercado financeiro internacional, ressalta que o desafio primário atual é de natureza logística e de distribuição regional, não necessariamente uma falta absoluta de produto armazenado. No entanto, o executivo ponderou que o panorama pode se deteriorar velozmente nas próximas semanas caso a interrupção das rotas no Oriente Médio persista, forçando as companhias aéreas a repassarem custos operacionais mais altos aos passageiros, o que tem potencial para encarecer voos internacionais que conectam a Europa a destinos como o Brasil.

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