O Aeroporto de Congonhas, localizado em São Paulo, retomou integralmente os seus pousos e decolagens sem o registro de atrasos na manhã desta sexta-feira, dia dez de abril. A normalização das atividades no terminal paulistano ocorre logo após um incidente externo que provocou a paralisação temporária das operações e afetou a malha aérea nacional na quinta-feira.
De acordo com informações da Agência Brasil, a situação também já se encontra completamente estabilizada em outros terminais importantes do estado, incluindo o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Aeroporto de Viracopos, situado em Campinas. O fluxo de passageiros e aeronaves segue o cronograma habitual estabelecido pelas companhias aéreas para o encerramento da semana.
O que causou a paralisação dos voos no Aeroporto de Congonhas?
Durante uma entrevista concedida ao Programa Alô Alô Brasil, conduzido por José Luiz Datena, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, esclareceu os motivos que levaram ao fechamento temporário do espaço aéreo. O dirigente fez questão de descartar rumores sobre falhas graves de infraestrutura tecnológica na torre de comando.
A suspensão das operações não teve relação com problemas internos nos equipamentos de monitoramento. O evento foi motivado por uma ocorrência nas imediações da estrutura que abriga os profissionais responsáveis pelo direcionamento das aeronaves.
“O que aconteceu ontem foi um caso pontual. Não houve pane elétrica, não houve pane do sistema. O que aconteceu foi um princípio de fumaça que se iniciou fora do prédio onde ficam os controladores de voo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA)”
Por que os controladores de tráfego aéreo foram retirados do local?
O surgimento do foco de fumaça na área externa gerou um alerta imediato de segurança para as equipes. Como as instalações operacionais dependem de sistemas centrais de ar-condicionado, a entrada de ar contaminado tornou-se uma preocupação primordial para a saúde dos trabalhadores presentes no local.
“Como houve essa fumaça lá fora e o prédio do DCEA é refrigerado, houve o risco de essa fumaça entrar no prédio e prejudicar os servidores que estão naquele ambiente fechado. O DCEA recomendou a evacuação do prédio até que se averiguasse a origem da fumaça”
A desocupação preventiva do edifício administrativo durou exatos 30 minutos. Tiago Chagas relatou que, após a equipe constatar a ausência de riscos severos no ambiente, os controladores retornaram aos seus postos e reiniciaram imediatamente as atividades de coordenação técnica.
Qual foi o impacto do fechamento de Congonhas na malha aérea?
Embora a interrupção no terminal paulistano tenha sido relativamente breve, as consequências para a logística da aviação comercial brasileira foram marcantes. O presidente da Anac classificou o cenário subsequente como um verdadeiro caos aéreo, devido ao chamado efeito cascata que atingiu outros grandes centros de embarque pelo país.
Os transtornos gerados pela evacuação preventiva do prédio do DCEA podem ser resumidos nos seguintes impactos estatísticos e operacionais relatados pelas autoridades de aviação civil:
- Quarenta e oito por cento dos voos programados para Congonhas sofreram atrasos superiores a 30 minutos ou acabaram sendo cancelados.
- No âmbito nacional, o índice geral de atrasos nas partidas e chegadas ficou em torno da marca de 30%.
- A administração aeroportuária precisou estender o horário de funcionamento de Congonhas em uma hora na quinta-feira para tentar diminuir os prejuízos aos viajantes.
- Os aeroportos de Guarulhos e Viracopos precisaram paralisar operações momentaneamente para reorganizar o fluxo direcionado à capital paulista.
Com a situação sob controle e a reorganização da malha aérea durante a madrugada, a agência reguladora confirmou que as atividades ao longo desta sexta-feira ocorrem dentro dos parâmetros normais. A expectativa divulgada pelas autoridades aéreas é de que o fluxo não sofra mais intercorrências decorrentes do foco de fumaça relatado na véspera.