O Acordo Mercosul-União Europeia inicia a sua fase comercial provisória na próxima sexta-feira, dia 1º de maio, estabelecendo a redução e a eliminação gradual de tarifas aduaneiras entre os blocos. A medida, que abrange um mercado consumidor estimado em 718 milhões de pessoas, entra em vigor após mais de 20 anos de negociações diplomáticas e comerciais. O marco regulatório prevê não apenas a isenção tributária, mas também o estabelecimento de cotas para o trânsito de mercadorias sensíveis. Nesta etapa inicial da integração transatlântica, aproximadamente 5 mil produtos terão o imposto zerado, conectando diretamente os setores estratégicos da economia sul-americana e as cadeias produtivas do continente europeu.
De acordo com informações do Monitor Mercantil, a vigência plena do tratado ainda depende da ratificação formal por parte dos parlamentos dos países europeus, um processo que continua enfrentando resistências internas em algumas nações. Apesar disso, a aplicação provisória já cria uma expectativa de impacto positivo e imediato tanto para o bolso dos consumidores quanto para o volume de exportações do bloco sul-americano.
Quais são os impactos econômicos projetados pelo acordo?
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que atua como presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) e vice-presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), destacou a magnitude econômica do tratado. Durante uma reunião do Parlasul realizada nesta segunda-feira na cidade de Montevidéu, no Uruguai, o parlamentar ressaltou que a parceria abrange um mercado avaliado em US$ 22 trilhões.
As projeções técnicas indicam que os setores industrial e agropecuário devem ser os principais beneficiados com a nova dinâmica de livre comércio. Quando o tratado estiver plenamente implementado em todos os países membros, a estimativa oficial aponta para as seguintes expectativas de crescimento:
- Aumento geral de 13% no volume total das exportações brasileiras.
- Crescimento de 26% especificamente nas exportações do setor industrial.
- Abertura de mercado imediata para 5 mil itens com alíquotas de importação zeradas a partir do primeiro dia de maio.
Vão-se abrir janelas de oportunidade para todos os países inseridos no acordo. Com certeza, com a redução e até isenção de tarifas, nós teremos um poder de compra e uma facilidade para poder exportar
, afirmou o senador durante o encontro de parlamentares no Uruguai.
Como o Brasil pretende proteger os produtores nacionais?
Para lidar com o aumento da concorrência decorrente da entrada de produtos fabricados na Europa, o governo brasileiro estabeleceu uma série de salvaguardas. Esses mecanismos de defesa comercial foram elaborados para organizar a resposta do mercado interno e mitigar eventuais prejuízos aos produtores nacionais que possam sofrer com a competição direta dos itens importados europeus.
Além das salvaguardas comerciais de proteção da economia, o Senado Federal articulou a criação de um grupo de trabalho específico dentro da Comissão de Relações Exteriores. Este colegiado reúne técnicos especializados, senadores e representantes do governo federal com a missão exclusiva de acompanhar passo a passo a implementação das novas regras do acordo bilateral.
Durante a sessão plenária do Parlasul, o representante brasileiro sugeriu que a iniciativa de monitoramento do tratado seja replicada pelas demais nações sul-americanas.
Deixo a sugestão para que os países do Mercosul também possam proceder dessa forma. Criar um grupo de trabalho em cada parlamento, a fim de que a gente possa estender a mão para o produtor do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai e mitigar as eventuais distorções
, declarou o parlamentar. A articulação entre os legislativos visa garantir que a transição para a nova realidade comercial de isenção tarifária ocorra de forma equilibrada em toda a região sul-americana.