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ESG no agro enfrenta desafio de equilibrar segurança alimentar e polêmicas

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A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) no agronegócio brasileiro enfrenta o desafio de equilibrar o combate à insegurança alimentar com a necessidade de superar polêmicas e transformar conhecimento técnico em diálogo acessível à sociedade.

De acordo com informações do/da Jota, a discussão sobre práticas sustentáveis no setor rural tornou-se um campo de batalha ideológico, ondeargumentos técnicos muitas vezes são substituídos por posições polarizadas. Para especialistas, o grande nó da questão é traduzir métricas complexas de sustentabilidade em uma comunicação que gere engajamento real, tanto do produtor rural quanto do consumidor final.

Como o ESG pode ajudar a reduzir a insegurança alimentar?

Um dos pilares do debate é que a agenda ESG, quando bem aplicada, pode aumentar a produtividade agrícola de forma sustentável, combatendo diretamente a fome. Práticas como o manejo integrado de pragas e a agricultura regenerativa são citadas como exemplos de como é possível produzir mais com menos impacto ambiental. No entanto, a implementação dessas técnicas esbarra na falta de incentivos financeiros e na baixa disseminação de conhecimento, especialmente entre pequenos e médios produtores.

A insegurança alimentar atinge milhões de brasileiros e está diretamente ligada a fatores como inflação dos alimentos e logística de distribuição. A crítica que se faz é que, enquanto o setor produtivo debate padrões de certificação, a população de baixa renda lida com o preço elevado da cesta básica. Para ser efetivo, o ESG precisaria demonstrar que a sustentabilidade não é um custo extra, mas um vetor de eficiência que barateia o alimento a longo prazo.

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Quais as principais polêmicas que cercam a pauta ESG no campo?

A polarização política contaminou o debate ambiental e trava o avanço de políticas públicas. De um lado, o discurso de que a pauta ESG representa uma barreira protecionista imposta por mercados estrangeiros. Do outro, a acusação de que o agronegócio ignora sistematicamente metas climáticas. Essa guerra de narrativas dificulta a construção de consensos técnicos.

Alguns pontos críticos geram controvérsias:

  • O rastreamento da cadeia produtiva, tido como burocrático e caro por produtores rurais.
  • A fiscalização do desmatamento, que opõe órgãos ambientais a setores do agro.
  • A definição de quais métricas socioambientais são, de fato, válidas e auditáveis.
  • A resistência política interna a acordos comerciais que incluam cláusulas ambientais rigorosas.

Qual o caminho para transformar conhecimento técnico em diálogo?

Para os articulistas da coluna, a solução passa por despir o tema de dogmas ideológicos. O conhecimento técnico acumulado por universidades e centros de pesquisa, como a Embrapa, precisa ser traduzido em linguagem simples e aplicável. Em vez de impor normas de cima para baixo, a proposta é construir pactos setoriais que respeitem as realidades regionais.

A comunicação é apontada como o principal gargalo. Muitas vezes, o produtor rural enxerga a certificação ESG apenas como um custo para exportar, e não como uma ferramenta de gestão. Cabe ao mercado e ao poder público criar mecanismos que premiem quem adota boas práticas, como linhas de crédito com juros mais baixos e acesso preferencial a mercados. Apenas assim, defendem os especialistas, o ESG deixará de ser um campo de polêmica para se tornar um motor de desenvolvimento sustentável e combate efetivo à fome.

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