A energia renovável pode aumentar a segurança nacional do Reino Unido e reduzir a vulnerabilidade do país a sabotagens e choques de oferta, segundo afirmou o ministro de energia Michael Shanks. A declaração foi feita durante uma visita à Ucrânia, em meio a discussões sobre ataques à infraestrutura energética e sobre a necessidade de sistemas mais resilientes. De acordo com informações do Guardian Environment, o ministro defendeu que parques eólicos e painéis solares distribuídos são mais difíceis de atingir do que grandes usinas movidas a combustíveis fósseis.
Shanks afirmou que sistemas descentralizados de geração oferecem menos risco de ataque físico e também não dependem da mesma forma de cadeias de suprimento sujeitas a crises internacionais. No texto original, ele relaciona esse cenário tanto à atual crise do petróleo ligada à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã quanto à alta do gás após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Por que o ministro britânico relaciona renováveis à segurança nacional?
Segundo Shanks, o cenário de ameaças está mais complexo no Reino Unido e em toda a Europa. Para ele, a construção de um sistema elétrico descentralizado, com muitos ativos espalhados, reduz o risco em comparação com grandes centrais de geração. No artigo, ele declarou:
“We are dealing with a far more complex threat landscape than we’ve ever dealt with before. That’s true in the UK, it’s true across Europe.”
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“Building a decentralised power system with a whole series of assets is less of a risk of physical attack than large-scale power stations. Moving towards clean power is the best way to deliver our energy security in an increasingly uncertain world.”
A fala ocorre em um momento de disputa política sobre os caminhos da segurança energética britânica. Conservadores e o partido Reform UK, segundo a reportagem, têm defendido mais perfuração no Mar do Norte em vez de priorizar renováveis. O texto também cita que Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, desaconselhou novas licenças de exploração em bases comerciais e avaliou que campos potenciais já no sistema de licenciamento fariam pouca diferença para a segurança energética ou para os preços da energia no Reino Unido.
Que exemplos e apoios foram citados na defesa desse modelo?
A reportagem informa que especialistas militares também vêm pedindo investimentos em energia eólica e solar para fortalecer a segurança nacional britânica diante de possíveis agressões ou sabotagens. Ex-chefes militares já escreveram a governos em defesa dessa orientação.
O tenente-general reformado Richard Nugee, citado no texto, já havia defendido esse raciocínio. Segundo ele:
“To have a strong military deterrence, we need a resilient homeland. If we want to build a resilient country, low-carbon energy is a very important component.”
Durante a visita à Ucrânia, Shanks esteve em projetos de energia financiados com apoio do Reino Unido. Ele disse que a viagem foi importante para observar diretamente os impactos dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana e para conhecer os esforços de reconstrução. No texto original, o ministro afirmou:
“It’s a really important visit for me to see firsthand the impact that Russia’s attacks on energy infrastructure have had and are having in Ukraine, and meet those who are helping to rebuild that infrastructure and build even greater resilience into the Ukrainian energy system.”
O que a experiência da Ucrânia ensina ao Reino Unido?
Shanks afirmou que o Reino Unido pode aprender com o que a Ucrânia vem fazendo ao ampliar infraestrutura descarbonizada em várias partes do país. Segundo ele, solar, eólica e baterias são mais difíceis de atingir do que grandes usinas. O ministro declarou:
“We can learn a huge amount in the UK from what Ukraine is doing. They are building decarbonised infrastructure across the country because solar and wind and batteries are much harder to target than large scale power stations. They’re doing it at a pace I’d like to be doing it at in the UK as well.”
Além da proteção física de instalações, Shanks destacou a cibersegurança como outra frente de atenção. Segundo ele, o governo trabalha em um plano nacional para lidar com a segurança energética e em medidas de resiliência em todas as partes do sistema, da rede elétrica a projetos individuais, incluindo segurança digital e física.
- proteção de ativos energéticos distribuídos
- resiliência da rede elétrica
- reforço em cibersegurança
- segurança física de projetos e infraestrutura
Quais riscos específicos foram mencionados pelo ministro?
A matéria relata que o Reino Unido também tomou medidas para proteger cabos submarinos ligados a parques eólicos offshore, após suspeitas de que submarinos russos possam ter feito reconhecimento dessas estruturas ou possam mirar interconectores energéticos britânicos com outros países. Shanks disse que há trabalho em curso para tornar esses cabos mais resilientes e protegidos contra ataques, em coordenação com parceiros europeus.
O texto menciona ainda o temor de ataques a usinas nucleares, diante dos riscos enfrentados por reatores na Ucrânia. Sobre esse ponto, Shanks afirmou que o parque nuclear britânico é altamente seguro. Ele também declarou que a energia nuclear continua sendo parte crítica da saída dos combustíveis fósseis e citou os pequenos reatores modulares como parte dessa estratégia, com a segurança no centro das considerações.
Ao final, a reportagem informa que governos de pelo menos 56 países se reúnem na Colômbia para a primeira conferência mundial dedicada à transição para longe dos combustíveis fósseis. A enviada climática do Reino Unido, Rachel Kyte, participa do encontro, que também deve reunir um painel científico sobre como os países podem reduzir sua dependência desses combustíveis.