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Fim da escala 6×1 avança na Câmara, e oposição cobra compensações a empresas

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O avanço de propostas para acabar com a escala 6×1 na Câmara dos Deputados mobilizou governo e oposição nesta semana, após a Comissão de Constituição e Justiça aprovar, na última quarta-feira, 22 de abril de 2026, a admissibilidade de duas PECs sobre o tema. Em Brasília, a base do governo Lula e o presidente da Casa, Hugo Motta, passaram a sinalizar apoio à tramitação acelerada da medida, enquanto parlamentares da oposição já discutem a inclusão de compensações para setores empresariais que possam ser impactados.

De acordo com informações da Agência Pública, integrantes da oposição davam como provável o avanço da proposta e passaram a atuar para reduzir os efeitos políticos da derrota na comissão. O debate ocorre em meio à pressão social pelo tema e à articulação para instalar a comissão especial que vai analisar o mérito da redução da jornada de trabalho no país.

O que a oposição quer mudar na proposta?

Deputados contrários ao fim da escala 6×1 passaram a defender contrapartidas para o empresariado em uma eventual versão aprovada da proposta. O deputado Lucas Redecker, do PSD do Rio Grande do Sul, afirmou à reportagem que, sem compensações construídas na comissão especial, existe preocupação com efeitos sobre a população e sobre segmentos que geram empregos.

Na mesma linha, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, disse que setores mais impactados precisariam de desoneração ou outro tipo de compensação do governo. Ele também afirmou que a proposta do relator na CCJ prevê uma transição gradual, com redução de uma hora por ano, em vez de uma mudança imediata de 44 para 40 horas semanais.

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“Tem que ter desoneração ou algum outro tipo de compensação do governo para os setores mais impactados… sem compensação, não dá”

Segundo a reportagem, o PL também pretende divulgar inserções em seus canais de comunicação e nas redes sociais para apresentar sua posição sobre o fim da escala 6×1 a diferentes segmentos da sociedade, em contraponto à defesa feita pelo governo federal.

Por que o tema ganhou força no Congresso?

A discussão ocorre em um contexto de maior pressão pública. A reportagem informa que a petição do movimento Vida Além do Trabalho pelo fim da escala 6×1 já reúne 3 milhões de assinaturas. Também lembra que a Constituição de 1988 não fixa um limite de escala para o trabalhador, estabelecendo apenas jornada máxima de oito horas diárias e 44 horas semanais.

Dentro do governo, a avaliação manifestada por aliados é de que a proposta responde a uma demanda social ampla. O vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana, afirmou à Agência Pública que parlamentares contrários à medida teriam se rendido à vontade popular favorável ao fim de uma escala que ele classificou como exaustiva e degradante.

“Eu diria que os parlamentares que são contrários ao fim da escala 6×1 tiveram de se render à vontade popular – que em grande parte deseja, justamente, acabar com essa escala exaustiva e degradante”

Qual é o próximo passo da tramitação?

Com a admissibilidade aprovada na CCJ, cabe agora ao presidente da Câmara criar uma comissão especial para analisar o mérito das PECs. Esse colegiado poderá discutir alterações no texto e acrescentar emendas. Os integrantes, entre titulares e suplentes, serão indicados pelos partidos de forma proporcional ao tamanho de suas bancadas.

Segundo a reportagem, após a mais recente janela partidária, os partidos com maiores bancadas são:

  • PL, com 97 deputados
  • PT, com 67 deputados
  • União Brasil, com 51 deputados
  • PSD, com 49 deputados
  • PP, com 47 deputados

Essas legendas, por terem mais parlamentares, terão maior peso na formação da comissão. Depois de definida a composição, os membros do colegiado escolherão o presidente, que será responsável por indicar o relator ou a relatora da proposta.

A Agência Pública apurou que governistas e oposicionistas já articulam suas indicações, com expectativa de atuação de Hugo Motta nos bastidores para que a comissão seja presidida por um nome moderado do Centrão. Na CCJ, o relator foi o deputado Paulo Azi, do União da Bahia, citado na reportagem como alguém visto por parlamentares como nome de confiança de Motta.

Hugo Motta e o governo estão alinhados sobre o prazo?

Após a votação na CCJ, Hugo Motta afirmou na rede social X que pretende instalar a comissão especial o mais rápido possível para levar o tema ao plenário ainda em maio. No dia seguinte, declarou trabalhar pela redução da jornada sem redução salarial. A posição foi interpretada pela reportagem como um sinal de sintonia com a base do governo no assunto.

Alencar Santana disse à Agência Pública que a base governista trabalha para aprovar a redução da jornada de trabalho no plenário da Câmara ainda em maio. Para ele, o cronograma dependeria de vontade política e de celeridade na condução do processo, já que a proposta ainda precisaria passar pelo Senado para ser aprovada neste ano.

Já Sóstenes Cavalcante afirmou não ter convicção sobre um alinhamento entre a presidência da Câmara e o governo Lula nesse tema. Ele também avaliou como pouco provável a votação até o fim de maio, citando a quantidade de sessões necessárias para a conclusão dos trabalhos da comissão e o calendário político de um ano eleitoral. Segundo o líder do PL, o cumprimento desse prazo dependerá da disposição para negociação dentro da comissão especial.

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