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Polinizadores em declínio já afetam o Brasil, mas proteção legal ainda é insuficiente

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O declínio acelerado dos polinizadores já produz efeitos no Brasil, com impactos sobre a regeneração de florestas, a reprodução de plantas e o equilíbrio dos ecossistemas, segundo estudo publicado nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, na revista Neotropical Entomology. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Embrapa, da Universidade de Brasília (UnB) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e aponta que o país reúne conhecimento científico sobre o tema, mas ainda falha em convertê-lo em políticas públicas eficazes e em legislação específica.

De acordo com informações da Agência Bori, polinizadores como abelhas, borboletas, morcegos e aves respondem pela reprodução de mais de 95% das plantas silvestres e cultivadas no mundo. No Brasil, em média, 16,14% da produção agrícola e extrativista depende desses animais, percentual que pode chegar a 25%, segundo dados do IBGE citados no estudo.

Por que a redução dos polinizadores preocupa pesquisadores?

A perda dessas populações afeta diretamente cadeias ecológicas, reduz a diversidade genética das espécies e compromete a capacidade de regeneração de ambientes naturais. Os impactos, segundo o estudo, não se limitam à biodiversidade e alcançam também a produção de alimentos.

Os pesquisadores afirmam que, embora o Brasil tenha avançado em iniciativas nacionais e internacionais, persistem lacunas na implementação e na integração dessas ações. O país também ainda não conta com uma legislação específica e articulada para a proteção dos polinizadores.

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Quais fatores estão associados ao declínio no Brasil?

O estudo aponta dois vetores principais para a queda dessas populações:

  • perda de habitats;
  • uso intensivo de agrotóxicos.

A pesquisadora Juliana Hipólito, do INMA e primeira autora do estudo, resumiu a contradição observada no país ao afirmar:

“O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores, mas figura entre os maiores consumidores globais de pesticidas”

A pesquisa também destaca a situação das abelhas nativas sem ferrão, que podem ser mais sensíveis à exposição a agrotóxicos do que espécies adotadas como referência em testes oficiais. Segundo os autores, mesmo doses baixas podem prejudicar o desenvolvimento desses insetos.

“Mesmo doses consideradas baixas podem causar alterações no desenvolvimento, reduzindo o tamanho e a massa corporal desses insetos e comprometendo sua sobrevivência”

O que o estudo diz sobre políticas públicas e proteção legal?

Apesar de iniciativas em andamento, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Insetos Polinizadores, os autores avaliam que ainda faltam políticas integradas e uma legislação específica para o tema. A conclusão do trabalho é que o conhecimento científico acumulado no país ainda não se traduziu em proteção institucional suficiente.

Entre as recomendações apresentadas pelos pesquisadores estão medidas voltadas à conservação e ao monitoramento das populações, além da revisão de práticas no campo. Jeferson Coutinho, pesquisador da Embrapa, defendeu o fortalecimento das ações públicas:

“Fomentar a criação de políticas públicas para a proteção dos polinizadores e do serviço de polinização é estratégico, sob várias perspectivas”

O estudo cita como caminhos possíveis:

  • redução de incentivos a agrotóxicos mais tóxicos;
  • monitoramento nacional de polinizadores;
  • estímulo a práticas agrícolas sustentáveis;
  • restauração de habitats;
  • preservação de vegetação nativa próxima às áreas produtivas.

Como a vegetação nativa pode ajudar a conter o problema?

Os autores defendem a preservação de áreas de vegetação nativa próximas às lavouras como medida importante para manter ciclos ecológicos e reforçar a resiliência dos ecossistemas. Esses ambientes são apontados como refúgios e fontes de alimento para os polinizadores.

“A preservação de áreas de vegetação nativa próximas às lavouras não apenas protege a biodiversidade, mas fortalece as interações ecológicas que sustentam os próprios ecossistemas”

Juliana Hipólito acrescenta que esses espaços contribuem para a manutenção de processos naturais essenciais. O estudo reforça, assim, que o declínio dos polinizadores já é um problema com efeitos observáveis no Brasil e que a resposta institucional ainda está aquém da importância ecológica e econômica desses animais.

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