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ISSB decide não criar norma específica de natureza para relatórios globais

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O conselho do International Sustainability Standards Board (ISSB) votou contra a inclusão imediata da natureza em normas novas ou já existentes de relatórios de sustentabilidade financeira. A decisão, consolidada nesta semana, define que o órgão regulador produzirá uma “declaração de prática” sobre o tema, em vez de estabelecer requisitos mandatórios imediatos. O movimento ocorre em um momento de intensa pressão por padronização ESG (Ambiental, Social e Governança) no mercado de capitais internacional.

De acordo com informações do Responsible Investor, a cúpula da entidade optou por um caminho de orientação técnica em vez de regulação estrita após analisar o feedback de diversos setores econômicos. A vice-presidência do ISSB descreveu a resistência do mercado como uma

surpresa massiva

, indicando que a velocidade da integração de temas como biodiversidade e ecossistemas ainda enfrenta barreiras estruturais nas corporações globais.

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Por que o ISSB recusou a criação de uma norma de natureza agora?

A recusa em avançar com uma norma específica neste momento reflete a preocupação do conselho com a chamada “fadiga de reporte” das empresas. O ISSB, que opera sob a égide da Fundação IFRS, lançou recentemente suas duas primeiras normas fundamentais, conhecidas como S1 (Requisitos Gerais) e S2 (Clima). A introdução de uma terceira norma focada estritamente em natureza poderia, na visão de parte dos conselheiros, sobrecarregar a infraestrutura de dados das companhias que ainda tentam se adaptar às regras de carbono.

Durante as deliberações, ficou claro que, embora a biodiversidade seja um risco financeiro material, a metodologia para quantificar esses impactos ainda não possui o mesmo nível de maturidade que os protocolos de gases de efeito estufa. A decisão de emitir uma declaração de prática permite que o ISSB forneça diretrizes sobre como as empresas podem usar as normas existentes para relatar informações relacionadas à natureza, sem a necessidade de criar um novo arcabouço jurídico complexo de forma precipitada.

O que muda com a emissão de uma declaração de prática?

Diferente de uma norma técnica (Standard), que exige conformidade estrita para que um relatório seja considerado em linha com as regras da IFRS, a declaração de prática funciona como um guia interpretativo. Ela auxilia preparadores de relatórios e investidores a entenderem como os riscos e oportunidades da natureza se interceptam com os negócios. Na prática, o ISSB busca harmonizar o que já existe, evitando a fragmentação de padrões globais.

Os principais pontos que devem ser abordados na futura declaração incluem:

  • Orientações sobre a aplicação da materialidade financeira em temas de biodiversidade;
  • Interconectividade entre os riscos climáticos e a degradação de ecossistemas;
  • Uso de métricas de dependência de recursos naturais para setores específicos;
  • Alinhamento com frameworks internacionais já estabelecidos, como o TNFD.

Qual foi a reação do mercado sobre a integração da biodiversidade?

A surpresa mencionada pela vice-presidência do órgão destaca um descompasso entre as expectativas de grupos ambientalistas e a realidade operacional das grandes corporações. Enquanto investidores institucionais pressionam por dados mais claros sobre o impacto da perda de natureza nas cadeias de suprimentos, as empresas relatam dificuldades técnicas em monitorar ativos biológicos com a precisão exigida pelos auditores financeiros.

O conselho do ISSB deve agora trabalhar nos próximos meses para redigir o rascunho dessa declaração de prática. Não há um prazo definitivo para que o tema da natureza volte à pauta como uma norma independente, mas a entidade reiterou que a biodiversidade permanece como uma prioridade estratégica de longo prazo. O objetivo final é garantir que o capital global seja direcionado para modelos de negócios que não apenas reduzam emissões, mas que também protejam o capital natural remanescente.

A expectativa é que, ao optar por um guia prático, o ISSB consiga coletar dados mais consistentes nos próximos anos, preparando o terreno para uma futura normatização que seja, ao mesmo tempo, rigorosa e aplicável. Por enquanto, as empresas devem focar na implementação robusta das normas S1 e S2, utilizando a nova orientação para preencher as lacunas informacionais sobre seus impactos ambientais mais amplos.

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