A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República passou a enfrentar resistência dentro do próprio entorno da família Bolsonaro, segundo relato publicado nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026. O foco da tensão estaria na insatisfação de Michelle Bolsonaro e de aliados próximos, que veem a ex-primeira-dama como um nome mais competitivo para disputar o Palácio do Planalto. De acordo com informações do DCM, a movimentação ocorre em meio a problemas de saúde de Jair Bolsonaro e ao avanço de ruídos internos sobre a sucessão no campo bolsonarista.
O texto atribui a informação ao jornalista Ricardo Noblat, do Metrópoles, e afirma que aliados dizem que Jair Bolsonaro está concentrado em questões médicas e se prepara para um novo procedimento no ombro direito, após exames apontarem uma lesão de alto grau. Nesse cenário, haveria menos espaço para que o ex-presidente atuasse como fiador ou árbitro das disputas internas envolvendo seus familiares e aliados políticos.
O que estaria por trás do incômodo com o nome de Flávio Bolsonaro?
Segundo a publicação, pessoas próximas de Michelle Bolsonaro passaram a expressar em público críticas que já circulavam nos bastidores. A avaliação reproduzida pelo site é a de que Michelle teria sido deixada de lado na disputa principal, apesar de ser vista por parte do bolsonarismo como a principal herdeira do capital político de Jair Bolsonaro.
O episódio apontado como mais explícito dessa insatisfação envolveu o maquiador Agustin Fernandez, descrito como amigo de longa data de Michelle. Em entrevista ao canal Iron Studios, ele questionou a viabilidade eleitoral do senador.
“O estereótipo do Flávio é o que a direita já teve e, por conta disso, nunca chegou à Presidência. Porque esse perfil é polido, engessado, sem um fio de cabelo fora do lugar. Ele não se conecta com a empregada doméstica, nem com o vendedor ambulante”.
Na mesma fala, Agustin defendeu Michelle Bolsonaro como o nome mais apto a suceder Jair Bolsonaro no campo político conservador. O conteúdo reproduzido pelo artigo também mostra que ele declarou não ter intenção de apoiar a pré-candidatura de Flávio.
“[Michelle] é a única que consegue herdar 100% do capital político de Bolsonaro. Se eles não têm essa estratégia, esse discernimento, o ego e a vaidade são maiores que a própria causa, então a gente tem que se foder com mais um mandato do Lula”.
“Não vou me incomodar fazendo vídeo e perder meu tempo sabendo que a gente vai sofrer uma puta derrota. Pois o Lula tem o Judiciário, tem a mídia, tem bala na agulha, a máquina e ainda tem carisma e ele consegue chegar em todo mundo”.
Qual episódio teria agravado a tensão no entorno bolsonarista?
De acordo com o relato, Agustin Fernandez também criticou o momento em que Flávio Bolsonaro tornou pública sua pré-candidatura. A objeção citada no texto é que o anúncio teria ocorrido enquanto Jair Bolsonaro estava internado para uma cirurgia de hérnia inguinal, o que ampliou o desconforto de aliados de Michelle.
“Bolsonaro, internado, vai passar por uma cirurgia de alto risco. E aí eu pego uma carta, tipo um testamento, e eu leio isso para imprensa na porta do hospital. Isso para mim é uma das situações mais deploráveis que o ser humano pode passar”.
O artigo original sustenta que esse ambiente de divisão ganhou força justamente em um momento de menor presença de Jair Bolsonaro na articulação política cotidiana. Sem uma definição clara do comando sobre a sucessão interna, as divergências passaram a ser manifestadas com mais nitidez por nomes próximos à ex-primeira-dama.
Em síntese, o quadro descrito pela publicação reúne três elementos centrais:
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a resistência de aliados de Michelle Bolsonaro ao nome de Flávio Bolsonaro;
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a percepção de que Michelle teria maior apelo eleitoral dentro do bolsonarismo;
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o enfraquecimento momentâneo da capacidade de mediação de Jair Bolsonaro por causa de questões de saúde.
Até o momento, o texto reescrito não apresenta manifestação direta de Michelle Bolsonaro ou de Flávio Bolsonaro sobre as declarações reproduzidas. O episódio, porém, expõe uma disputa por espaço e protagonismo dentro do núcleo político mais próximo do ex-presidente.